Fare Bella Figura
Qual será a motivação, o impulso que nos leva a fazer-nos “belos” diante dos outros e de si próprio?
O que leva uma criança de 6 anos a passar o batom rosa de sua mãe?
E o que leva aquele senhor de 66 anos a passar colônia e pentear caprichosamente seus últimos fios de cabelo? Para depois saírem como pavões, ela para a escola e ele para sua mesa de xadrez na praça.
Qual será a ignição do motor de aprimoramento de cada um de nós?
Vamos separar as peças desta máquina:
Acredito que a ignição, a chave que liga, é o desejo individual de estar a altura daquele que se aprecia e se considera.
Portanto estamos ligados nisso desde muito pequenos; Desde logo somos encantados pela figura protetora e majestosa de nossos pais. O desejo de igualar-nos a eles é forte a ponto de nos levar a decidir a própria profissão aos 5, 6 anos (mas esta já é outra conversa, vamos nos ater ao aspecto físico desta história).
Enquanto pequenos imitamos aqueles que admiramos (nossos pais, professores, irmãos mais velhos), crescemos e aos poucos deixamos de imitá-los para que eles nos admirem também.
Procuramos desenvolver maneiras próprias para alcançar a consideração daqueles que apreciamos.
E você pergunta: mas o que alimenta esse motor?
Digo que é o desejo de novidade.
A novidade e o aprimoramento do próprio aspecto são tipos de necessidades humanas.
“O tempo tira a novidade das coisas, desvenda-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas”.(Sermão do Mandato, P. Vieira).
E por isso buscamos coisas novas.
Procuramos fazer parte, pertencer ao mundo que está em constante movimento, e o fazemos através do consumo de informações novas, de novos conceitos, novos ídolos, da aquisição de novos produtos, novas tecnologias, novas sensações.
Por isso não resistimos às novidades. Elas nos alimentam por serem promessas de fazermos parte de um todo. É em busca desta garantia que nos recriamos a cada dia.
A moda é mais uma recriação humana, mais uma promessa.
A moda é uma novidade, e é isso que a faz ser tão irresistível.
Enfeitar-se, mostrar-se belo como faz o pavão é nossa natureza enquanto ser vivo. E fazê-lo de modo “novo” é uma necessidade imposta pelo desejo de recriação humana, e pelo tempo atrevido que gasta o ferro, gasta a pedra e a rocha, que dirá o corpo e a aparência.
Então, posso trazer uma novidade?
maria sanz