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Arquivo de Setembro, 2006

28 de Setembro de 2006 - 10:46

. Karim Rashid .


Durante o curso de styling no Ist. Marangoni em Milão, depois das aulas era comum sairmos para o famoso “happy-hour” milanês, onde se comia bem pelo preço de um (s) drink (s).

E num desses dias, estávamos, eu e as duplas: Daphne + Ge e Carol + Gabi no happy-mojito de um bo-teco, na Porta Ticinesa (um dos cantos mais descolados de Milão, onde se encontram lojinhas particulares, brechós incríveis, a loja da Osklen, o estudio tattoopittan… enfim, eu adorava passear por lá, é um canto inspirador), quando de repente surge da esquina um homem estranhamente grande, com os braços cobertos de tatuagens, todas pretas e curiosas, óculos de grau, segurando uma morena bem magrinha com óculos e-normes – estariam disfarçados (?). A figura grande não me pareceu estranha, e enquanto os dois escolhiam em qual das mesas sentar, a Daphne falou:

- Gente, é o Karim Rashid!

Apanho a máquina, e ouço a mesma voz dizer:
- Maria, você tá doida? Ele é um cara muito excêntrico, e odeeeia tirar foto.

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Já era tarde. Com um sorriso largo, típico dos apaixonados, os dois fizeram pose, sem drama, e eu fiz a foto. Depois se sentaram logo ao lado, e ficara namorando por horas.
Então era ele: o visionário artista, arquiteto, escritor, designer Karim Rashid.
E o assunto começou:

- Assisti a uma palestra dele no workshop organizado por Glória Kalil (Fashion Marketing 2006), foi incrível. O cara parece um louco por ter uma visão inédita e incrível das coisas, mas é, na verdade, um daqueles artistas imprescindíveis ao mundo. – disse Daphne.

E ficamos discutindo sobre suas filosofias e idéias, o que abriu meu apetite e me deixou curiosa para saber mais sobre essa figura que tem muito a dizer.

Ele tem doze tatuagens pelo corpo, cada uma de um lugar diferente do mundo – suvenir(!).
Nasceu no Cairo, foi criado no Canadá, estudou na Itália e vive em NY. Tem 10 ternos rosas e 20 brancos. Não lê revistas, nem freqüenta sites – Quer discutir o banal, falar da época em que vivemos. Mas não quer só se expressar, ele gosta do desafio:
“Meu interesse é fazer mudanças, não alimentar meu ego”. (poderoso).

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Assim pensa Karim:

“Consuma experiências, não coisas.”
Pensar a imaterialidade para criar a materialidade, concentre-se nas experiências.
“Nunca diga ‘eu poderia ter feito isso’, porque você não fez.”
Quando alguém diz sobre uma obra “eu poderia ter feito isso”, então por que não fez?
”Esse é o problema com a maioria das pessoas. Elas falam e não produzem. Faça. Se você se diz artista e passa a tarde em cafés fumando, você não é um artista”.
“A produção em massa criou um luxo democrático”.
Vivenciamos o começo de um novo luxo, o da personalização.
“A moda vive reciclando o passado, vendendo um mito”.

Rashid é um excelente designer, reconhecido no mundo todo. Sacoleja o presente, quer discutir e instigar, enxerga o passado como ele é: pasasdo – coisa que não existe mais. Acredita que o avanço tecnológico é capaz de produzir beleza por um preço cada vez menor. Aposta na imaterialidade como uma forma de liberdade – “Quanto mais temos na vida, mais amarrados estamos”, “Edite sua Vida”, sugere. Simplifique : tenha e carregue poucas coisas, procure o sentido de seus pertences e verá que muitos deles são pesos mortos. Simplifique seu guarda-roupa: “Viajo o mundo com um cartão, há sete anos. Tento nunca levar dinheiro. Nunca despacho uma mala. Isso é editar sua vida”.

Contra a maré - Estes são apenas alguns dos pensamentos deste ultra-tecnológico visionário que odeia a nostalgia que nos acompanha e procura viver a imaterialidade sob as custas da materialidade.
Ave Desobediência Produtiva.

Saiba mais: www.karimrashid.com



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11 de Setembro de 2006 - 10:56

.feito-por-si.


Recuar para Avançar.

files15.jpg Anos 60’s - essa sai com água.

Esta peça é um Remember - por que é em parte uma repetição do que foi dito nas primeiras peças no ProvadoR - e é um pouco Avant-Garde por tratar de um exemplo radical, {que não sai nem com sabão}.

O estilo gera e facilita a comunicação. Certo?
Mas você já parou pra pensar por que?
A materialização da subjetividade de cada um contém Expressões.

O que você faz com o que te passa pela mente?
Bom, algumas coisas são abafadas e outras concretizadas, esta é a faculdade da liberdade de expressão propriamente dita.
Nossas “maneiras” e modos de vestir, sorrir, caminhar, beijar, pentear, trabalhar, são materializações da própria identidade.
Todos nós somos, de acordo com o pensamento Hegeliano, seres em plena transformação:
Um “vir-a-ser” que é motivado a seguir em direção diversa daquela que não se é. ( Embacher, A.)

E é negando, duvidando, questionando, que se desenvolve o pensamento sobre sua própria potencialidade, para transformar-se em um ser “feito-por-si” e abandonar o “ser-feito-pelo-outro”.
(Este conceito de identidade é o sugerido pela Psicologia Social).

Falando então do Estilo propriamente dito, é possível dizer que o vestir-se  e adornar-se desempenham papeis fundamentais no movimento emancipatório de cada um - por se tratar da forma mais eficaz de comunicação não-verbal que existe.
- É fato que a imagem visual que você transmite nos primeiros 10 seg a uma pessoa que o vê pela primeira vez é suficiente para que ela tire muitas impressões sobre você baseada na sua aparência. Queira ou não, mesmo calado você está comunicando sua identidade, e bastante.
55% da primeira impressão que as pessoas têm de você são baseadas em sua aparência e ações; 38% no seu tom de voz; e apenas 7% no que você diz.
Somos seres visuais.

Concretizar seus pensamentos e dar forma  s suas escolhas equivale a criar uma linguagem própria, uma forma única de transmitir seus etéreos pensamentos.

Estilo - Ele está dentro de cada um de nós, só que em muitas pessoas ele é sufocado pelo medo de tomar partido, de fazer escolhas. A única diferença entre quem “tem estilo” e quem “não tem” é a liberdade - coragem de dar uma surra diária no medo de errar, muitas vezes, só pra mostrar quem é que manda! .

Quando nascemos somos batizados com um nome Próprio – escolhido por nossos pais (ser-feito-pelo-outro), e daí em diante a escolha do que vem depois (identidade)- (ser-feito-por-si) caberá a cada um.
Pensando assim, vejamos o corpo como nossa mídia principal: nosso veículo para existência, e que é também nosso meio de comunicação – inclusive desta tal identidade.
Isso é Culturalmente Atual:

files_0029.jpg “Eu me dou Felicidade” - A super Top Diuni foi clara.
Este exemplo que não sai na água - pode ser entendido como uma espécie de “logotipo” pessoal, escolhido para dizer, direta ou indiretamente, alguma coisa que caracterize (de alguma forma) a identidade.

files_0036.jpg Depois do show, Ben Harper dá autógrafos - Tatoos BenHarper.

Por modismo, desejo, estética ou impulso a tatuagem, por ser uma marca perene, vai dizer alguma coisa sobre você mesmo, melhor então que seja uma pequena dica sobre a grandiosidade do todo. Como a capa que, apear de não ter muito conteúdo, indica o rumo da história

Somos quem queremos ser, e seja lá qual for a história que você conta, escreva de punho próprio – Ah, e tire proveito de sua capa, é a partir dela que, num primeiro momento, se têm as pistas do todo…

maria.



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6 de Setembro de 2006 - 10:05

Ela veste Prada


- And Arrogance*.

Para início de conversa lembremos que a autora do best seller “O diabo veste Prada”, Lauren Weisberger, foi (na vida real) assistente de Anna Wintour, editora da Vogue Americana
files14.jpg Miranda, Andrea e Emily.

– Wintour que compareceu à estréia do filme (originado pelo romance de sua ex-assistente) usando Prada (!) foi chamada por Collin McDowell (editor do The Sunday Times) de Fêmea Alfa Fashion.
A editora da Vogue americana tornou-se uma verdadeira “lenda viva” pela infinidade de casos e comentários (maldosos) a seu respeito – Conta a história que em um jantar oferecido em Londres, ela não teria tocado na comida e (pior) ainda, teria tirado da bolsa um iogurte que tomou com colher de prata. (Arg!)
> O cargo ocupado pelas Editoras de Moda de grandes veículos deve mesmo ser inebriante, visto que em muitos casos estas jornalistas, que se transformam em Rainhas cheias de caprichos, embriagam-se com o poder de arbitrar o bom gosto.
No planeta Vaidade, os cogumelos do Poder de (Influenciar as Pessoas) são altamente tóxicos: Criam a ilusão de que os demais seres são menores. Acreditando serem Gigantes, os poderosos da moda caminham (com patas Jimmy Choo), por entre as passarelas e, enquanto destroem alguns, erguem outros ao céu.
—- Outro efeito destes cogumelos é o barato de “sentir-se importante” – e não ter vergonha de mostrar pra todo mundo – Possuem a atitude psicológica denominada “audiência imaginária”: Traçam uma reta e seguem sem olhar para os lados pensando: “Estão todos me olhando, eu sou demais”.
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Devil - A Editora de Moda da TV Globo Regina Martelli, quando perguntada pelo caderno Ela (O Globo) o que faz quando recebe um convite e vê que não está na primeira fila (?) respondeu:
- “Dou uma rabanada e acho um absurdo. (…)”.
[…… (!)]
Voltemos a fictícia realidade da demoníaca Miranda Priestly – interpretada por ninguém menos que Meryl Streep >> Espalhando pavor por onde passa, seu gigantismo esmaga a auto-estima e o sossego de Andréa Sachs, interpretada por Anne Hathaway, que se vê obrigada a comer o pão amassado por sua devil-boss.
O Cruel mundo da moda faz de Andréa presa fácil, e ela – sem saída - acaba literalmente vítima da moda.

files_0035.jpgAndrea - Anne Hathaway
“…Girls would kill for this job” - Milhares de garotas sonham com este emprego, sem saber que é um verdadeiro pesadelo. E na lista dos pesadelos enfrentados pela nova assistente de Miranda estão ordens absurdas como : servir o café na temperatura exata; procurar por horas a fio um antiquário na qual Miranda teria visto uma peça interessante (mas não se lembra bem o que era nem onde fica)…

Entre a obra escrita e o filme – o primeiro li, o segundo (já) assisti – E mesmo sabendo que este não tem o compromisso de absoluta fidelidade com aquele, particularmente, penso que, o livro é mais interessante. (apesar de ter um começo excelente e se tornar um pouco repetitivo no meio).

Só mesmo quem leu tem a expectativa de ver na tela tipos como o sarcástico porteiro Eduardo, que maltrata Andréa e a faz cantar (preço do predágio), ou Lilly, sua fiel amiga que a-dora uma birita. – E quanto as milhares de echarpes (branca, Hermès) de Miranda? E os homeless aos quais Andréa servia café starrbucks? Enfim, detalhes que enriquecem a leitura, mas foram esquecidos filme -  fizeram falta.
Do filme esperava mais humor, mais de Christian (Collinsworth) o “encantador” escritor que balança o coração de Andréa, e mais do super Closet da Elias-Clarck. (!).
Outro detalhe é que a leitura permite uma visão bem ampliada do espectro de maldade de Miranda – Ora, no filme é possível até sentir alguma simpatia pela fera.

files_0028.jpg A propria.

Tudo bem, não sou nenhuma crítica qualificada, mas uma leitora ansiosa que esperava mais da versão cinematográfica de “O diabo veste Prada”.

Ah, O livro tem ainda a vantagem de nos situar (geográfica e culturalmente) sobre os designers, os hoteis, os restaurantes, as ruas de NY, as marcas e lojas… ou seja, tem além da diversão, algum conteúdo > But, since It’s all about the looks:

Assista também ao filme!
E divirta-se > Fashion can be FUN.

mariasanz.



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