. Karim Rashid .
Durante o curso de styling no Ist. Marangoni em Milão, depois das aulas era comum sairmos para o famoso “happy-hour” milanês, onde se comia bem pelo preço de um (s) drink (s).
E num desses dias, estávamos, eu e as duplas: Daphne + Ge e Carol + Gabi no happy-mojito de um bo-teco, na Porta Ticinesa (um dos cantos mais descolados de Milão, onde se encontram lojinhas particulares, brechós incríveis, a loja da Osklen, o estudio tattoopittan… enfim, eu adorava passear por lá, é um canto inspirador), quando de repente surge da esquina um homem estranhamente grande, com os braços cobertos de tatuagens, todas pretas e curiosas, óculos de grau, segurando uma morena bem magrinha com óculos e-normes – estariam disfarçados (?). A figura grande não me pareceu estranha, e enquanto os dois escolhiam em qual das mesas sentar, a Daphne falou:
- Gente, é o Karim Rashid!
Apanho a máquina, e ouço a mesma voz dizer:
- Maria, você tá doida? Ele é um cara muito excêntrico, e odeeeia tirar foto.

Já era tarde. Com um sorriso largo, típico dos apaixonados, os dois fizeram pose, sem drama, e eu fiz a foto. Depois se sentaram logo ao lado, e ficara namorando por horas.
Então era ele: o visionário artista, arquiteto, escritor, designer Karim Rashid.
E o assunto começou:
- Assisti a uma palestra dele no workshop organizado por Glória Kalil (Fashion Marketing 2006), foi incrível. O cara parece um louco por ter uma visão inédita e incrível das coisas, mas é, na verdade, um daqueles artistas imprescindíveis ao mundo. – disse Daphne.
E ficamos discutindo sobre suas filosofias e idéias, o que abriu meu apetite e me deixou curiosa para saber mais sobre essa figura que tem muito a dizer.
Ele tem doze tatuagens pelo corpo, cada uma de um lugar diferente do mundo – suvenir(!).
Nasceu no Cairo, foi criado no Canadá, estudou na Itália e vive em NY. Tem 10 ternos rosas e 20 brancos. Não lê revistas, nem freqüenta sites – Quer discutir o banal, falar da época em que vivemos. Mas não quer só se expressar, ele gosta do desafio:
“Meu interesse é fazer mudanças, não alimentar meu ego”. (poderoso).

Assim pensa Karim:
“Consuma experiências, não coisas.”
Pensar a imaterialidade para criar a materialidade, concentre-se nas experiências.
“Nunca diga ‘eu poderia ter feito isso’, porque você não fez.”
Quando alguém diz sobre uma obra “eu poderia ter feito isso”, então por que não fez?
”Esse é o problema com a maioria das pessoas. Elas falam e não produzem. Faça. Se você se diz artista e passa a tarde em cafés fumando, você não é um artista”.
“A produção em massa criou um luxo democrático”.
Vivenciamos o começo de um novo luxo, o da personalização.
“A moda vive reciclando o passado, vendendo um mito”.
Rashid é um excelente designer, reconhecido no mundo todo. Sacoleja o presente, quer discutir e instigar, enxerga o passado como ele é: pasasdo – coisa que não existe mais. Acredita que o avanço tecnológico é capaz de produzir beleza por um preço cada vez menor. Aposta na imaterialidade como uma forma de liberdade – “Quanto mais temos na vida, mais amarrados estamos”, “Edite sua Vida”, sugere. Simplifique : tenha e carregue poucas coisas, procure o sentido de seus pertences e verá que muitos deles são pesos mortos. Simplifique seu guarda-roupa: “Viajo o mundo com um cartão, há sete anos. Tento nunca levar dinheiro. Nunca despacho uma mala. Isso é editar sua vida”.
Contra a maré - Estes são apenas alguns dos pensamentos deste ultra-tecnológico visionário que odeia a nostalgia que nos acompanha e procura viver a imaterialidade sob as custas da materialidade.
Ave Desobediência Produtiva.
Saiba mais: www.karimrashid.com