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Arquivo de Outubro, 2006

23 de Outubro de 2006 - 8:26

Idiossincrasias (?)


Idiossincrasia: Característica comportamental peculiar a um grupo ou a uma pessoa. Disposição do temperamento do indivíduo, que o faz reagir de maneira muito pessoal à ação dos agentes externos – Mania - Maneira de ver, sentir, reagir, própria de cada pessoa.

Seguindo uma sugestão vou tentar colocar as idiossincrasias à parte.
…. Vejamos se isso é possível.

Para inicio de conversa quero logo separar a Comunicação da Criação.
A comunicação é um código que segue normas, é repetição de fatos e dados. Enquanto isso que escrevo é criação, ou invenção, uma mistura única repleta de idiossincrasias.

Na ultima peça deste provador tentei por o foco sobre a receita da moda. E para criar minha visão sobre este assunto, lancei mão de minhas idiossincrasias, é claro, e metaforizei o processo de sedução empregado pela moda.

Se meu objetivo fosse comunicar o processo da moda não caberiam invenções a respeito daquele processo, mas apenas a repetição de dados e fatos.

Mas o que esse assunto tem a ver com o estilo?
- Tu-do.

Quem leu a última peça dever ter percebido minha intenção de dizer que a moda (e suas fugazes tendências) são criações propostas por pessoas criativas. (!) E que, sob meu ponto de vista, a nós, consumidores, caberá recriá-las, e não repeti-las.

Quando Clavin Klein disse que quem segue demais a moda está fora dela, ele quis dizer que quem “Comunica” que está na moda, está repetindo idéias.
E repetir idéias é por à parte as idiossincrasias. Ou seja, é simplesmente comunicar.

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Cada um de nós é formado por três partes: a instintiva, a emocional e a inteligente. O somatório destas porções tem um resultado tão híbrido quanto único: Você, e Eu e a Rosangela. …Ah, e logo a Rosangela que, como você e eu, tem tantas histórias, emoções, jeitos, gostos e manias não pode querer apenas “comunicar” uma idéia que já existe.

*(Estar absolutamente na moda, ou seja, por dentro de todas as novidades, e comunicar isso a todos os interessados é função dos profissionais da comunicação em seus trabalhos nos jornais e revistas. Não de Rosangela…)

… Quando Rosangela foi à banca comprar a última Veja, lembrou que tinha uma festa no sábado e acabou comprando a última Estilo - o que ela queria eram sugestões de moda – mas acontece que, como na revista tudo fica bonito, lhe ocorreu que para não correr risco de “errar” o ideal era fazer igualzinho.
- Rô queria estar na moda. Ligou para sua amiga Cristina e juntas sairam às compras. Compraram algumas roupas, 2 sapatos e uma bolsa igualzinha a da revista, que foi cara, mas para Rosangela significava a segurança na noite de sábado. No tal dia, já pronta, apesar de estar nova dos pés à cabeça, sentia-se estranha… Nunca gostou de bolsa grande, mas a revista havia insistido que o tamanho era GG …o sapato branco, que também era calouro em sua sapateira, parecia gritar….e o brinco de um lado só…ai ai ai…. colocava e tirava, mas por via das dúvidas já havia resolvido que levaria o outro par em sua enorme bolsa, bateu a porta do carro e suspirou procurando se encontrar no espelho do retrovisor… é ela não estava alí, chamou de novo o elevador e subiu para se encontrar.

… Uma das minhas partes preferidas nas revistas é aquela que mostra o jeito de ser de uma pessoa a partir de seus objetos de moda. A-doro ler a historinha por trás de um colar, ou a explicação de uma mania escondida num sapato. Gosto de ver as idiossincrasias das outras pessoas, e saber como isso se traduz para seu estilo.

A Elle fez uma edição especial de Minas e trouxe o estilo de Ivana Fraga. Sua linguagem cultua mais a independência do que a tendência. - achei o exemplo perfeito para ilustrar e fechar essa peça.

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Ivana Fraga é sócia, fã e esposa do estilista Ronaldo Fraga. Faz coleção de copos e ama vestidos “Desde pequena via minha mãe com vestidos longos e floridos. O estilo dela acabou me ensinando uma forma de vestir que é independente das tendências.” Ela ouve musicas das décadas de 40 e 50 na vitrola e acredita que cabelo amarrado em coque com fita de veludo funciona sempre.

- Tendências à parte, nossas idiossincrasias são velhas conhecidas, e cada uma delas é um pedaço do nosso estilo.

mariasanz.



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19 de Outubro de 2006 - 17:04

{ Melado à Moda }


Tudo que é demais enjoa, já disse a sabedoria popular.
files21.jpg Essa peça é melada, mas como não sou fã de doce, vou abrir com sal.

Quando me apaixono por uma música sinto vontade de “dar a sorte” de encontrá-la tocando no radio, e se isso acontece meu coração feliz aumenta o volume…mas, como tudo que é bom dura pouco, a musica acaba rápido… fica parecendo aquele punhado de pipoca que você implora ao pipoqueiro e ele dá… e já longe, comendo a última pipoca, você pensa: eu comeria um saco inteiro.
(- Da próxima vez eu compro um).
- Já quando, enfim, compro o CD (ou o saco grande) – para não mais precisar contar com o acaso (ou com boa vontade do moço) – ouço (e como) tanto, mas tanto que me enjoa.

A novidade tem cheiro exótico ela nos atrai e cobiça nosso desejo de meter a mão no pote e de se lambuzar…Até enjoar.

Esse cheiro extravagante é exatamente o segredo na receita do melado à moda.
A cada temporada a moda sai direto da fornalha formada pelas mentes criadoras para as passarelas e se exibe espalhando o aroma que aos poucos vai deixando a gente com água na boca e louco para por a mão na colher.
Seguindo seu rastro vamos até as bancas de revista para ver o produto mais de perto, aí pronto: a vontade de experimentar aquilo toma conta.
Enquanto alguns esperam a primeira oportunidade de meter a colher, outros, que já experimentaram, os artistas e formadores de opinião, se exibem e anunciam que é bom demais!
- Quando enfim as delicias já estão nas prateleiras (ou seriam cabides?), e podemos comer à vontade….aí que tá…..comemos de-mais.

Mas o problema não acaba aí…ora, não foi só você que comeu demais, mas todos e ao mesmo tempo, e aquele aroma que era bom já começa a impregnar os lugares, e vai ficando enjoado, enjoado, enjoado até o ponto de torcermos o nariz – eca (!).

Aí vem o outro segredo…O tempo traz a nova temporada com uma fornalha de delicias à moda fresquinhas! E lá vamos nós nos lambuzar mais uma vez. …

Calvin Klein já deixou escapar que “Quem se mostra interessado demaais na moda do momento, não está em sintonia com os tempos”.

Nossas avós cansaram de avisar que comer a panela de brigadeiro inteira dava dor de barriga, mas talvez não tenham explicado que isso se aplicava a todo o resto das coisas.

Por exemplo, sabemos que o estilo “náutico” (foi inclusive peça deste ProvadoR) é uma mega tendência de verão – Todo mundo experimentou e a tendência estava nas revistas, nas pessoas nas ruas, nos outdoors, nas vitrines, e em todo lugar se viam listras, nós, o dourado, vermelho, marinho, branco…mais listras, mais âncoras, mais listras, ai…tô ficando mareada….Enjoou!

- Pra mim, que prefiro um azedinho ao doce, melou demais.

Existem outras deliciosas tendências da moda para este verão – (Ah, não deixe de conferir no sábado o Caderno Estilo! E no domingo, o Segundo Caderno do Jornal A Gazeta: cardápio de receitas quentes, com editoriais de moda e dicas para o próximo verão) – Mas é preciso perceber que a moda não é uma imposição, ela não passa de uma série de propostas e receitas boladas, por pessoas antenadas e interessantes, para abrir nossos apetites e nos molhar a boca.

Portanto, como gourmet e gulosa, te digo: vá com calma, coma esse melado aos poucos, apure seu paladar e perceba o que te dá mais prazer. Depois, recrie as receitas, mude as proporções e meta o dedo nesse bolo - ele também é seu!

mariasanz.



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16 de Outubro de 2006 - 10:54

“*” Diamonds are Forever.


Entre no clima : http://www.youtube.com/watch?v=XSMsyKc5GI0

Brilhante é a fantasia.
Este mineral monométrico (carbono pu-ro), é a mais dura e brilhante das pedras preciosas. Companhia do tipo fiel, ele tem garantia infinita - quem nunca ouviu a frase, título do sétimo filme de James Bond (1971), “ Diamantes São Eternos” (?).
Só até aqui, enquanto faço qualquer introdução sobre esta pepita, já foram usadas as palavras: brilhante, preciosa, fiel, infinita, eterna…É ou não é coisa de conto de fadas?

Quando criança me perguntava porque aquilo era tão importante…Nunca fui muito de barbies, mas me lembro bem da boneca de uma vizinha que vinha com um anel de brilhantes! (strass…é claro), e por isso ela era especial…Todas as meninas queriam a barbie com o anel que brilhava de verdade. Minha curiosidade era entender por que aquele anel a tornava importante…Seria ela a mais “rica” entre as barbies (?) ou a mais “querida” (?) afinal, quem a teria dado aquele brilhante senão o Bob?!

Talvez seu nome fosse “barbie noiva”, não me lembro ao certo, mas sei que aquele brilho a fazia “diferente”.
E, assim como na minha imaginação, é provável que toda menina tenha se perguntado se algum dia ganharia um brilho “daqueles” de presente de algum Bob da vida real…É…por tabela, a imortal boneca ajudou a difundir a fantasia feminina de ter um anel de brilhante.

Símbolo de desejo, poder, sofisticação, admiração, distinção, entre outras coisas “preciosas”, o diamante foi mistificado com enorme contribuição de Hollywood, que desde os anos 30 encheu de glamour as telas de cinema com atrizes cobertas de jóias. As divas daquele período eram de uma elegância irretocável, seus figurinos e comportamento ditavam moda mexendo com a cabeça das mortais que sonhavam com todo glamour do cinema.
Um notável estilista e figurinista do cinema daquele período foi Travis Banton - da Paramount Estúdios - Em 1937 ele criou - para Marlene Dietrich estrelar o filme “O Anjo Azul” - um vestido todo bordado com brilhantes e outras pedras preciosas, além de fios de ouro…A exuberância de suas criações contribui com o fascínio e o desejo pelo luxo entre mulheres daquela época.

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Dentre as divas do cinema e filmes produzidos que evocam o “valor” de um diamante, estão Audrey Hepburn em “Bonequinha de Luxo” (Breakfast at Tiffany’s) - 1961, baseado no romance de Truman Capote

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E Marilyn Monroe em “Os homens preferem as loiras” - 1953, neste filme a sempre-diva faz uma de suas incríveis performances cantando “Diamonds are a girl’s best friend”:
Assista em (http://www.youtube.com/watch?v=p0FDGnAIWpk)

“The French were bred to die for love
they delight in fighting duels
but I prefer a man who lives
and gives expensive jewels.
(…)
Men grow cold as girls grow old
and we all lose our charms in the end.
But square-cut or pear-shaped
these rocks don’t lose their shape
Diamonds are a girl’s best friend (…)”.

Em ambos os filmes a mulher (quase “objeto”) deseja segurança financeira através do clássico golpe-do-”baú” …. Felizmente, os tempos são outros - acredito eu - É claro que toda mulher ficará imensamente lisonjeada ao ser presenteada com um diamante, mas a diferença é que hoje se realmente quiser para si um brilhante, ela vai e compra (!) - mesmo que seja dividido em 12 parcelas…

Uma amiga me disse que para ela o valor de um diamante é determinado por sua origem, não aquela geológica, mas pessoal… “Depende de quem me deu o brilhante… se foi com amor, ou não…ou se fui eu quem comprou, por que neste caso tem gosto de vitória…”
Dentre todas as coisas que o diamante representa, seus valores mais preciosos são Verdade e Eternidade, ou seja, ausência de impurezas, talvez por isso esteja atrelado ao conto de fadas,  fé no amor verdadeiro e no sentimento impregnado no presente, como lembrou minha amiga.

Amor, dignidade, respeito, lealdade…São preciosidades cujo valor principal independe de sua utilidade. Ora, não se pode ser digno por uma noite apenas, ou leal por uma semana, a não ser que seja um valor de bijuteria - um truque para impressionar o espectador. Valores verdadeiros são como diamantes puros que, mesmo dentro de uma caixa de veludo guardado na gaveta da cômoda, existirão por toda a vida.

Ser preciosa, portanto, depende muito mais dos valores guardados dentro das gavetas de nossas almas, que daqueles pendurados em nossos corpos….A não ser que a moça seja uma barbie que, sem alma, valerá o quanto mostrar.

Anyway…Diamond Rocks!

maria.
- Ah, só pra constar aqui: Meus avós comemoram Bodas de Diamantes em março próximo…60 anos juntos é coisa muito sólida e, (especialmente no caso deles), brilhante. (!).



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