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Arquivo de Novembro, 2006

30 de Novembro de 2006 - 19:25

. MoDA Praia .


Sábado, sol - torpedinho pras meninas:

Vamos a la playa - Oh o-o-o-oh!
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Todo mundo já sabe que em 1946 o estilista francês Louis Réard batizou sua invenção com o nome de um pequeno atol localizado no pacífico, onde os americanos haviam realizado uma série de testes nucleares. A idéia era que o lançamento da invenção de uma veste formada por apenas dois pequenos pedaços de tecido fosse bombástico! Contudo, foi só a partir dos anos 50 que, através das atrizes de cinema e das pin-ups, a invenção daquele francês passou a ser realmente divulgada e blá, blá, blá…

De lá pra cá, o resultado da evolução daqueles dois pedaços de pano você já sabe: o mundo inteiro usa e ama nosso artigo número um em exportação de moda: O Biquíni!
Sim, hoje nós brasileiros mandamos no pedaço e somos os lançadores mundiais de tendências neste segmento!
* Nesta semana produzimos para o Caderno Estilo um editorial de “moda praia” com nossos biquínis tipo exportação. Eu, a modelo Fabiana Testa e o fotógrafo Lucas Aboudib encaramos a estrada e o sol e nos molhamos no mar (com refletor e tudo, para desespero do Lucas) tudo para realizar este editorial que, nossa modéstia a parte, ficou lindo! (Não deixe de conferir no Caderno Estilo do dia 09-12)

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Bastidores do Editorial

- Apanhar a produção para este ensaio me fez pensar numa porção de complexidades ligadas ao supostamente simples ato de ir à praia.

:. Não basta o biquíni, tem que enfeitar! .:
Para nós mulheres, ir à praia não é tão simples como dar o laço no biquíni…
- São itens básicos: a bolsa de praia, a canga, óculos de sol, chinelos, cadeira, protetor solar, protetor labial, bronzeador, barraca, pente, creme para os cabelos, viseira…
- São firúlas básicas: o brinco, o bracelete, a tornozeleira, aquele seu chapéu, a saia ou o vestidinho (vestidinho? como assim? É querida, a saída e a chegada na praia são tão ou mais interessantes que a estadia na areia!).
Graças aos itens básicos e às suas firúlas é que existe a tal moda praia! – Indústria que lucra sobre o desejo comum de se enfeitar só para ficar sobre uma porção de areia banhada pelo mar.

Na verdade, não sou destas que investe pesado nestes aparatos….Para ser sincera, raramente levo um protetor (mas passo em casa, tá!), não tenho cadeira, não levo pente, acabo pedindo um bronzeador emprestado aqui, outro ali….Nunca fui muito oraganizada…e minhas ‘bolsas de praia’ se acabavam antes da metade do verão…

Quando era adolescente, me lembro perfeitamente de um grupo das lindas ‘garotas mais velhas’: ‘as’ amigas da Na, irmã da minha amiga Ba, (que hoje são minhas também). - Quando o fim de ano se aproximava estas meninas preparavam um verdadeiro arsenal de praia:
A bolsa de cada uma delas era um deleite, uma mais bonita que a outra, e onde se encontrava de tudo:
O pente de dentes largos especiais para desembaraçar embiras, o protetor importado com cheirinho doce, o gloss com fator de proteção e brilho, o bronzeador em spray ma-ra-vilhoso, daqueles que só de passar já bronzeava, e o mais fabuloso: O Chá de Camomila Importado…Ah, o chá…Era quase um contrabando – Aquela que era a irmã da minha amiga trazia de viagem da Itália (da Itália!) um chá Italiano, italiano tá! Que clareava os cabelos e era ideal para a praia. E só, só aquelas meninas, todas loiras, é claro, é que tinham o tal chá. …Era mesmo uma delícia poder ficar em torno delas ouvindo histórias, filando um pouquinho do chá aqui, de um bronzeador ali….(Que saudade daquela época).

Enfim, apesar de nunca ter tido uma bolsa de praia de fazer inveja – assim como meu estojo de escola, ou qualquer coisa que requeira organização, nunca fez inveja em ninguém – sei bem o que é ser apaixonada por areia + mar e, assim como qualquer menina louca por praia, adoro misturar as partes dos biquínis, descobrir um protetor novo, ficar horas batendo papo debaixo do sol e conferindo se a marca do biquíni já ficou mais forte, sentir o gosto de sal na pele, queimar os cabelos, chupar picolé, tomar cervejinha, passar bronzeador e jogar frescoball!

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Há quem aproveite a praia para se abençoar! (Casório de Dani e Gonça em Marataízes).

Moda é Praia - Nasci e cresci na Ilha de Vitória, vizinha da Praia da Costa, de Maguinhos, Nova Almeida, Guarapari…Vivo na praia….(É, sério! O prédio onde moro foi construído sobre uma paria aterrada). Tanta intimidade com ela talvez seja a razão para minha falta de cerimônia….

É claro que a moda praia não impõe regras, sugere no máximo algumas tendências… Ficou apaixonada pelos biquínis da nova coleção? Compre seu preferido e peça outro de amigo x, misture com os antigos, use com velhas camisas brancas de botão, enrole o vestido, compre uma chita bem bonita e faça uma saia, corte a camiseta, invente sua moda praia e fique à vontade, não há com o que se preocupar, afinal, você vai sentar na areia!

Maria Sanz Martins.



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27 de Novembro de 2006 - 7:41

.: Bom dia Diversidade :.


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imagem da festa Infected Mushroom.

.: Sábado, 25.11.06, Skazi by Soul Vibes na Fazenda Camping - Barra do Jucú :.

É noite, e noite, como se sabe, todos os gatos são pardos – é, no escuro somos todos iguais, nem mais nem menos.
É festa de música (?), diria trance, se tivesse certeza sobre a classificação daquele som – mas acredito que nome é coisa abstrata.
É uma grande reunião de pessoas de todos os tipos e idades com o propósito único de divertimento.
É dança, não há longos papos, cumprimentos ou ti-ti-ti - nesta festa de regozijo somos todos igualmente únicos e individuais.
É batida forte que cresce e evolui, depois retrocede para evoluir novamente, e se transformar numa cavalgada para carregar a multidão que pula e bate o pé no chão
É impossível não se contagiar.
É delicioso.

Na escuridão de brilhos néon e luz negra não enxergamos com detalhes, além do psicodélico telão, os meninos e meninas de óculos escuros, sorrisos, bonés, chapéus e pirulitos, a única visão possível é a de um espetáculo individual de ritmo exclusivo.

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Estudiosos diriam que este é um movimento múltiplo, próprio da pós-modernidade. Seguindo - (com a enorme possibilidade de estar espancando a teoria) - o pensamento de Marshall McLuhan, que no livro “Os meios de comunicação como extensões do homem” explica a valsa como um “meio quente”, por que sua dança é repetitiva, intensa e mecânica; e o Jazz como “meio frio”, justamente por seu diálogo ser informal e sua dança nada mecânica; Poderíamos dizer que o (psy?) trance, ou o que o valha, é experiência dupla, por que, se por um lado inclui todas as sensações externas, e gera nas pessoas o início de um furioso processo de preenchimento, como no jazz, é também uma experiência que “aquece” os sentidos, e se torna mecânica, como a valsa, por isso pode produzir hipnose. ** (O estudo dos meios quentes e frios é absolutamente interessante e recomendável, mas aqui peço licença para me abster de sua profundidade).
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Voltemos a festa - (Deus me livre - Quem me dera) - ainda era noite escura e sob o efeito aquecido das batidas, portanto hipnotizados, dançávamos pardos até que o sol deu sua primeira espreguiçada anunciando seu despertar, e o céu passou de negro a marinho. E suavemente, como num bocejar preguiçoso, rostos foram surgindo na multidão, de pardos fomos ganhando cores, os cabelos ganharam tons, para mim, pessoas ganharam nomes, outras apenas fisionomias, algumas ganharam estilo, outros a falta dele, mas enfim os gatos deixaram o anonimato.

Quando pôs os dois pés no horizonte e azulou de vez o céu, nosso astro rei veio nervoso, foi mais radical que Skazi (formado pelos israelenses ASHER e B-BASS), o astro da festa. Contudo, para mim, o que o sol trouxe, além de muito calor, foi a Diversidade.
Este tipo de festa é mesmo um convite a liberdade de expressão, razão pela qual cada um se veste e usa aquilo que bem entende - quando entende, é claro. Sim, por que, quem não sabia do que se tratava caiu na esparrela de ir usando salto alto fino, por exemplo. Mas o mais curioso a ser descrito eram as tribos nitidamente distinguíveis pelo vestuário: a tribo de short + bota (pata de …não sei, algum bicho grande); a tribo dos meninos boné para o lado + óculos oakley - sem camisa; a tribo sandália rasteira de couro + jeans + camiseta; a tribo dos divertidos (de chapéus, perucas e afins); a tribo fashion de óculos aviador espelhados e camiseta justa; ah, eram tantas lindas curiosidades que formavam o verdadeiro mar da diversidade colorida.

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(Foto Pepê)

O vestuário-imagem, contudo, interessa na medida em que explica imediatamente um tipo comportamento e gera uma identificação (ou não). Eu vi as imagens, você está lendo uma descrição, a imagem é plena: um sistema saturado que propicia a compreensão e o fascínio, enquanto a palavra é fragmentária e pode propiciar o engano - Isso para dizer, que minha descrição não pretende a crítica, mas ao contrário, um elogio a multiplicidade pós-moderna.

Bom dia diferenças!
* Veja mais imagens no site do fotógrafo Pepê.

maria.



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22 de Novembro de 2006 - 10:44

.QI.


ou Quem Indica.

Os indicados ao Oscar; os estilistas apontados pela revista L’Officiel; o sapato usado pela vizinha cafona; o livro indicado pelo seu chefe; o restaurante recomendado por sua amiga gourmet…. Cada um destes elementos é notado por indícios – Características deduzidas por associação.

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Indicar, opinar ou apontar são atitudes que atribuem valores cujo peso é determinado por quem o faz. – (Estes valores irão se organizar sob a forma de linguagem, verbal ou não, para mais tarde formarem um significado).

Quando o namorado da menina lhe disse não ter gostado de seu novo corte de cabelo, ela pouco ligou. – Ela sabe que ele não entende lá grandes coisas sobre corte de cabelo. – Já quando sua prima ultra-fashion comentou que talvez tenha ficado curto demais, a menina caiu no choro.
Mas se ela namora o menino e não sua prima, por que a frustração?

Ser confiável pressupõe crédito, que por sua vez, pressupõe ‘boa’ intenção - Ou seja, a opinião ou o comentário será um índice confiável ou não em função do interesse de quem o profere.

A opinião do namorado sobre o corte de cabelo da menina era interessada em que ela deixasse de “inventar modas”, uma maneira masculina de dizer “você já é bonita” – E ela sabia que no fundo, para ele, ela continuava sendo.
Já a sincera opinião de sua prima era interessada em demonstrar conhecimento, o que a fez perceber que o cabeleireiro havia mesmo errado a mão.

Nossas mães, maridos, irmãos nos amam, o que nos faz deduzir que suas intenções são sempre as melhores.
Seria isso um índice de que todas as suas opiniões são confiáveis? Vejamos!

Para sair, você coloca um look da moda: branco total – E ainda diante do espelho, enquanto se decide sobre sua infinidade de brincos, eis que seu marido abre a porta do quarto e “opina”:
- Ué, mas hoje é reveillon? Não sabia…

Você se maquiou to-da e está pronta para sair
- tchau mãe.
- Mas você vai sair assim? Com essa cara lavada? Ah, passa um batom pelo menos.

Contente com o novo corte repicado, saindo do salão encontra sua irmã:
- O que você fez no cabelo? Ficou doida? Tá parecendo a prima da cuca!

Isso acontece por que existe uma intenção em forma de linguagem ‘não-verbal’ por trás destes comentários - Para perceber e lidar com seu significado é preciso conhecer o interesse de “Quem Indicou”.

Vamos voltar ao caso da moça do look branco-total:
A opinião do marido, marginal da moda, é interessada em saber se ela tem mesmo certeza de que não irá “pagar mico” saindo desse jeito…
Procurando a tal certeza, ela lembrou-se de outras opiniões, ou índices, positivos:
- A da vendedora da loja, que recomendou e vendeu o tal look – (Interessada na comissão da venda? Ou na boa vontade de transmitir uma tendência de moda?).
- A revista Vogue, que ela acabara de comprar – (Interessada em que ela compre e gaste com moda? Ou que ela conheça as novas tendências?).
…E existiam ainda outras coisas que a faziam ter certeza…Mas ela não lembrava ao certo.

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Anos 50 e 60 - Vogue; Bazaar e� The Observer; - Índices de moda.
A teoria geral dos signos - A Semiótica – que define o signo como toda e qualquer coisa que represente outra, em certa medida e para certos efeitos – Diria que não há necessidade de ‘traduzir’ o significado de sua vontade, por que ela também é uma linguagem não-verbal.

Humildemente, concordando com a semiótica, eu diria que sua decisão será tomada em função do QI – ou ‘quem indicou’ a formação daquele significado.
(Índices penetraram seu inconsciente de inúmeras formas: ela viu uma moça elegante toda de branco na joalheria, viu a atriz de branco na cena da novela, leu na revista, viu na loja…)
Foi a união destes índices que atribuiu uma significação para a moça, e agora, mesmo que seu marido duvide do bom gosto de sua escolha, ela terá razões “inexplicáveis” para acreditar em sua escolha.

Achou tudo isso uma loucura?
Então, olhe agora mesmo para seus pés e procure encontrar o QI do seu sapato - Tenho certeza que de algum índice você irá se lembrar!

Maria.



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