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Arquivo de Janeiro, 2007

29 de Janeiro de 2007 - 16:56

…bLasé.


.O lado B da moda.

Acabo de voltar das semanas de moda. Depois de assistir e fotografar tantos desfiles, novidades e pessoas, a cabeça fica cheia de idéias mirabolantes, teorias fugazes e pensamentos insistentes.

Um destes pensamentos bate-e-volta é o de que nestas semanas, a moda é apresentada e oferecida como um Feitiço-maravilhoso preparado minuciosamente para nos encantar. Contudo, no caldeirão ao lado, prepara-se também uma outra fórmula cristalizada (mas irritante), que não passa de um truque - ou como diria meu amigo Miltinho, um cover. É a fórmula Blasé: Uma espécie de blefe da moda.

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É preciso esclarecer que num festival de moda como o SPFW a verdadeira magia não está somente sobre as passarelas, mas em todo lugar: desde as paredes adesivadas, passando pelos corredores e lounges decorados, na cenografia, trilha e iluminação dos desfiles, na água (acredite, a água desta edição era ultra-fashion na embalagem e no sabor), e principalmente nas pessoas que trabalham e passeiam pela bienal. É delicioso e natural: Tudo e todos ali querem oferecer encantamento.

- Dito isso, voltemos ao lado B:
A cada novo episódio da moda é possível identificar nas pessoas que se utilizam da outra fórmula o esforço em esclarecer que fazem parte da suposta elite fashion. Comportam-se como se pairassem e exibem o famoso ar “Não me Toque”.

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Conversa! É truque. Ora, cada um de nós está ali por que precisa conhecer as novidades da moda sim, por que participar deste festival é fundamental para estar em dia com o fenômeno moda. - Mas então, me pergunto: Por que tanta afetação? E o pior, por que o blefe muitas vezes funciona?
- A moda parece previlegiar a distância, o mistério e a austeridade.
Mas a exaltação do esnobismo na moda tem sua explicação histórica: Voltemos no tempo para lembrar que só deixamos de ser uma colônia européia em 1822, o que nos fez desenvolver uma espécie de baixa auto-estima. Fomos culturalmente levados a acreditar que tudo que vinha ‘de fora’ era melhor e mais importante que o nativo.

As tendências de fora eram tanto impostas quanto obedecidas pela própria elite por aqui. Na época do império, por exemplo, os cariocas andavam pelas ruas como se estivessem de fato na Europa. Beem blasé - Indiferentes ao calor - Faziam seu melhor ar austero para exibir suas cartolas, casacos de pele e casacas, mesmo em pleno verão. – (Sim, sim, evoluímos e muito, mas uma parte desta herança cultural ainda é inegável).

files37.jpg Importado - Este é o suiço Yvan Rodic, que assina o famoso blog Face Hunter - Afetado e très blasé, ele é um bom exemplo do lado B.
O tal ar blasé, distante ou afetado, ainda usado por alguns partícipes da suposta elite da moda, pode causar para alguns uma impressão quase mítica.
Contudo, muitas vezes o truque pode sair pela culatra: A atitude literalmente ‘distante’ do desfile da Neon, imposta em função da disposição da platéia que, a não ser por uma fileira especial e exclusiva (devia ser importada, não sei), ficou toda afastada e impossibilitada de assistir ao desfile - Foi esnobe e sem sentido, ficou parecendo uma daquelas madames passeando num casaco de pele sob o sol escaldante…Queria ser chic, mas ficou blasé.
Enfim, nenhum de nós que trabalhamos como moda está livre de em algum momento passar esta idéia afetada…Ora, moda é fantasia, mas é preciso estar atento e reconhecer que na vida tudo é moda, mas a moda não é tudo.
De toute façon, viva a moda (!), que como tudo na vida, também tem seu lado B.

no ProvadoR_da.maria



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24 de Janeiro de 2007 - 13:24

. FashionFestival .


Um ponto de vista.
Esta peça se presta a esclarecer meu ponto de vista sobre a moda. A quem isso irá interessar? Sinceramente, não sei. Mas com sorte pode ser que alcance uns e outros “antifashion” que andam por aí criticando a moda sem saber do que estão falando.

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A capa da revista “Megazine” do Jornal O Globo de hoje (terça-feira, 23 de janeiro de 2007) traz a palavra fashion sob um x vermelho dizendo: “No mês das semanas de moda, o povo antifashion proclama seu ódio às passarelas na internet e diz que se veste como bem entende.”

Antes de qualquer coisa, te pergunto: Você conhece alguém antimúsica, anticinema ou antiarte? É bem provável que não. Certo? Afinal, não há razão para desdenhar aquilo que nos alimenta a alma e nos fortalece a identidade (A não ser que o discurso adotado seja aquele: não conheço, logo odeio - que pode muito bem ser substituído por: quem desdenha quer comprar).

Honestamente, acredito que a moda existe pelas exatas mesmas razões que a música, por exemplo. Ambas as expressões existem para lubrificar nossa própria existência. Para deixar a vida um pouco melhor, para ser um veículo de expressão de idéias. Para que possamos nos comunicar uns com os outros e, principalmente, com nós mesmos.

Assim como na música, um bom exemplo comparativo, a moda possui inúmeros estilos e histórias, envolve ídolos e astros, propaga idéias e influencia comportamentos. A moda não surgiu do nada, ou de uma cabeça fútil sem coisa melhor para pensar. Ela é a própria história, um reflexo dos tempos que foi sendo organizado e costurado por pessoas sensíveis ou geniais o bastante para captar as sutilezas das transformações e traduzi-las em tendências, sob a forma da moda.
De tempos em tempos, especialistas ou apreciadores de todo tipo de criação reúnem-se em festivais ou convenções para analisarem, ou simplesmente celebrarem, o que os criadores e produtores trazem de novidades. Assim é com o vinho, com a polenta, com a literatura, com o cinema, com a música, com a arte e, é claro, com a moda.
O fashion Rio e o SPFW são grandes festivais onde serão apresentadas as novas sugestões da moda, e de onde sairão bem cotadas, pela mídia especializada, as melhores idéias. Um festival de cinema irá apontar os melhores filmes; um festival de música, as bandas; de vinho, as melhores vinícolas e safras; de literatura, os melhores livros e escritores; e de moda, os melhores estilistas e tendências. É simples - Não há por que odiar a idéia de apontar os melhores. Lembre-se a moda não é uma imposição, mas um conjunto de idéias propostas.

Quantos best-sellers você já detestou? Quantos vencedores do ‘Oscar’ não foram chatos pra você? E nem por isso você passou a odiar o cinema ou a literatura, certo? Pois então, as tendências da moda são, teoricamente, boas sugestões de uso, nada além disso. E, portanto, apreciá-las ou não, é algo que só diz respeito a você.

Estar na moda é estar em dia consigo mesmo. Saber do que gosta e do que não gosta. É ter certeza que ama rock e odeia o sertanejo, que adora Nelson Motta e Clarice Lispector, mas não gosta de Stephen King; que ama jujuba, mas não gosta de chocolate (!).

Assim como a arte, a moda não impõe nem condena. Não quer ensinar ou explicar nada. Seu papel é somente inquietar e sugerir.

Aproveite a moda, ora bolas!

*Ah, e lembre-se que a antimoda é a própria matéria-prima fundamental da moda.

maria.



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16 de Janeiro de 2007 - 19:07

:: Correntezas ::…..


Lançamentos, chegadas e partidas trazem correntezas que variam com as marés.

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Mudanças podem ser planejadas, batalhadas ou inesperadas, não importa, o fato é que toda e qualquer mudança, por menor que seja, movimenta a água, balança o barco e nos tira da inércia.

Existem balanços que, na teoria, não estariam ligados ao seu barquinho, mas que na prática provocam marolas que chacoalham tudo, outros se transformam em ondas que chegam sem aviso e mareiam até os mais sagazes marujos… Vai dizer que nunca tomou um caldo do mar?

É fato que tanto a minha quanto a sua vida são cíclicas como as marés - O que, contudo, não é garantia de que, mesmo na maré cheia, não vá de repente chegar um vento atravessado, ou um clima rabugento mudando tudo. Sim, algumas mudanças no rumo das águas da vida não têm explicação, mas isso não é razão suficiente para que deixemos de remar.

Melhor saber como aproveitar os balanços para não perder boas ondas nem se afogar nas mais pesadas. Peço licença romântica para dizer que este início de ano tem sido balançado pra mim.

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Por exemplo, a simples chegada de um ano novo muda o calendário e minha disposição, já que me sinto impulsionada pelo desejo de recomeçar, e volto a dar braçadas mais empolgadas rumo aos novos e antigos planos e projetos.

Uma semana de lançamentos nacionais de moda faz muita onda grande, afoga antigas tendências e enche a maré de novidades; Muda alguns gostos, pensamentos e atitudes, ainda bem! Afinal, para mim, é pra isso que serve a moda: remexer nos desejos e mudar a brincadeira – Ah, todo mundo enjoa de ficar brincando da mesma coisa… Mudar a brincadeira é uma delícia, certo?!

A partida de uma amiga que foi viver em outro país balança meu barco e meu coração. Faz subir a maré da saudade, onde desemboca o rio da alegria, que logo mais há de se encher de novo - - Sim, logo mais ela volta.
Mas nem sempre a maré é mansa e, como bem sabemos, as águas da vida podem se tornar muito violentas, e sem avisos, arruínam fulminantemente toda uma estrutura. - Nesta semana, infelizmente, vi de perto um tsunami devastador, que arrasou muitos corações embarcados e arrancou do solo as mais firmes ancoras. Vi partir um tio amado por mim e por muitos, que como as águas de um rio que por aqui passaram, não vai mais voltar.

É da vida, minha filha. – diria meu pai.
Navegar é preciso – concluo eu.
Então, se a vida é assim tão fluida, melhor sentir o que cair do céu, deixar rolar o que brotar nos olhos, enxugar o que escorrer da testa, dropar o que virar onda e navegar as correntezas.

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maria



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