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Arquivo de Fevereiro, 2007

27 de Fevereiro de 2007 - 12:40

.OSCAR Couture.


Ah, o Oscar…Esta fábrica de sonhos, expectativas e fantasias que envolvem e mexem tanto com os ‘artistas’ quanto conosco. Eleger o melhor entre os demais é uma idéia mundana que busca, na teoria, incentivar a excelência. Mas, infelizmente, desde muito, eleger e ser eleito passou a ser tão importante, que muitas vezes esquecem-se de simplesmente ser.

Um Crivo - É bastante comum enxergar pessoas se moldando para atravessarem a peneira de arame do julgamento alheio. Mas isso, sinceramente, me incomoda na medida em que pasteuriza. - A única coisa realmente valiosa e cara que possuímos é nossa própria identidade, e portanto, vê-la subjugada em favor de uma ‘boa colocação no ranking’ me desencanta.

Em época de Oscar aparecem julgadores por toda parte. Nas revistas, nos sites e programas de tv estão apontando os ‘certo e errado’ deste ano no red carpet. Passar pelo crivo destes julgadores de plantão não é moleza. Eles, que parecem ter nas mãos o Vademecum da moda, aplaudem de pé os ‘corretos’ e usam impiedosamente o apito da critica para condenarem os ‘errados’.

::chato3.jpg - Acho isso muito chato ::

Mas, ainda pior que isso, é o fato de que o medo do julgamento assustou a personalidade das artistas para debaixo de vestidos mega-grifados, transformando o tapete vermelho numa passarela de moda.

Elegância (?) - As grandes divas do cinema agora desfilam no Oscar anunciando a grife de seus vestidos, explicando a origem das jóias e o designer dos sapatos.
Como já bem disse Glória Kalil: ‘Saudades das aparições de Cher, da camisa branca do marido de Sharon Stone, da roupa de cisne da Björk.’

Peneira particular - Em meio a falta de originalidade das divas de Hollywood, algumas brilharam aos meus olhos pelo cheiro da presença de suas personalidades.

Uma delas foi Diaz. Lindamente vestida,  num ‘tomara-que-caia’ branco e estruturado de Valentino, com os cabelos castanhos engenhosamente ‘moldados pelo vento’ e brincos compridos com pedra esmeralda -Estava simplesmente cheia de graça.

diaz2.jpg79th_diazc_01.jpg

A vencedora do Oscar de melhor atriz, Helen Mirren, usando Lacroix, também me transmitiu aquela serenidade estilo ‘eu sou assim e sou feliz’. De decote ‘v’ e saia rodada, seu vestido champagne da cor de seus cabelos a transformou novamente em rainha, desta vez, da noite.

79thhelen_mirrenh_02_christianlacroix.jpg 79th_cruzp_02versace.jpg

Outra diva que me encantou foi a madame Penélope vestida de Versace – Gosto de ver a vontade de fantasiar em quem gasta seu direito de ser feminina e exuberante. Adoro meninas corajosas!

Quem, em contrapartida, me pareceu diria…Não aparecer, foi a querida Kirsten Dunst. Ela que foi usada por um Chanel Haute Couture Collection S/S 2007 ficou sem cor e sem emoção.

79th_dunstk_02chanelhautecouture_ss2007.jpg patrcia.jpg

Por falar em cores e tons, Patrícia Field também me confundiu…

Ok. Já chega.
Como disse, elejo  sempre a identidade e a emoção
E apontar ‘certo-e-errado’ não é minha vocação
Mas como registrar sensações é meu vício e meu prazer
com muito respeito…disse o que queria dizer.

.maria sanz martins.



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23 de Fevereiro de 2007 - 18:47

ParaBénS estilo!


Ser produtora e stylist do Caderno ‘estilo!’ do Jornal A Gazeta é motivo de enorme orgulho para mim. E para celebrar seu aniversário, convido os leitores do ProvadoR a conhecerem um pouquinho da história desde delicioso supra-sumo semanal,  oferecendo esta peça, que se fosse de comer seria um bolo de chocolate com nozes da ‘bee’!.

É muito ‘estilo!’ parabens1_cov.jpg

Sete anos atrás nascia a partir de um projeto da então jornalista do jornal A Gazeta, Silvana Holzmeister, o Caderno ‘estilo!’. Naquela época a cobertura de moda era veiculada aos domingos no caderno 2 do jornal, mas com o crescimento do movimento de moda em todo país e no estado, surgiu a necessidade de expandir aquela cobertura.

O desafio era trazer para o Espírito Santo uma nova perspectiva da moda, tratada de maneira mais profunda, com uma linguagem própria e vinculada a beleza e decoração. Na realidade, o ‘estilo!’deu seus primeiros passos sob o formato standard (em páginas grandes, padrão do jornal) e só depois de 6 meses passou a ser um tablóide.

Silvana então passou a ser a editora do caderno e junto a ele cresceu e se especializou. Sim, ela hoje é uma especialista na área. Editora de nada menos que a revista L’Officiel Brasil, continua seu trabalho, agora em São Paulo, dividindo com todo o país sua sofisticada perspectiva da moda.

Há um ano e meio, enquanto Silvana ainda estava na editoria do caderno, entrei para a equipe como produtora de moda - Naquela época nossa fotógrafa ainda era a super-querida Sandra Martins e, enquanto nosso trabalho fluía, eu saboreava a oportunidade de aprender muitas lições valiosas com aquelas duas veteranas.

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:: fotos de Sandra Martins para o nosso primeiro editorial de noivas ::

Mas o tempo passou e as coisas mudaram, como disse, Silvana foi para São Paulo e Sandra também ampliou seus horizontes: saiu do jornal e passou a fotografar para outras grandes empresas do país.

Quem então assumiu de forma corajosa e brilhante a editoria do caderno foi a espirituosa, cheia de cultura e muita garra, Thaiz Sabbagh. Ela, que já havia passado pelo tablóide em outros tempos, tomou de vez as rédeas da moda e guia o caderno com muito estilo próprio.

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:: fotos de Lucas Aboudib para o editorial de natal 2006 ::

Outra figura, componente essencial do caderno, é o meu parceiro de trabalho Lucas Aboudib. O menino-fotógrafo sabe o que faz. Vê-lo especializar-se cada dia mais na fotografia de moda e desenvolver seu olhar particular é, além de motivo de alegria para mim, a garantia de que seu futuro será cintilante (ah, eu rasgo a seda a mesmo – Hoje é dia de festa, ora!).

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:: outras foto do Lucas para o nosso editorial de carnaval feito na quadra da escola de samba Unidos do Jucutuquara::
Há quem diga que o jornalismo de moda é a Imprensa Rosa. Particularmente, mesmo sem ser jornalista e não ter a pretensão de sê-lo, adoro fazer parte desta porção cor-de-rosa da imprensa.
Para mim o universo feminino é pura fascinação e para o jornal um respiro criativo.

Adoramos um papo! Não duvide: Nós mulheres encontramos alívio na expressão. Trocar, dizer e ver novos pontos de vista é, e sempre será, da natureza feminina. E foi por esta autêntica e simples razão que a partir da década de 50, nós mulheres ganhamos (ou conquistamos?) espaço próprio para ‘tricotar’ (don’t take it bad honey..) na mídia. Desde então, fomos, habilidosamente, tomando este espaço pink, que é hoje, além de sólido, muy especial!

Ao ‘estilo!’ Muitos e muitos anos de vida!!!

.maria sanz martins.



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21 de Fevereiro de 2007 - 17:21

Método ou Loucura?


Adestrando nossa força motriz.

anni.jpg

Dia desses, prestes a vivenciar uma despedida difícil para mim, me peguei tentando explicar para uma criança de 3 anos o significado da palavra emoção.
- Léo, você sabe o que é emoção?
Apertando os olhinhos, balançou a cabeça e levantou os ombros…
Quem então apertou os olhos e ficou confusa fui eu. Com que palavras iria explicar este sentimento tão presente quanto abstrato àquela criança ?
- Léo, a emoção mora dentro do coração. É ela quem manda na gente, mas a gente passa a vida inteira tentando aprender a mandar nela… Por exemplo, hoje a tia Bárbara vai viajar e mesmo sem querer, a gente tá triste né?

A saudade era uma palavra muito familiar para ele, que apesar de não ter entendido quase nada do que eu disse, viu algum sentido no exemplo da tia Bárbara.

emocao1.jpg

Sim, desde muito pequena procuro entender o significado de minhas emoções, que impiedosas, sempre me fizeram refém e me atiraram para todo lado como um estilingue para a vida – Eu ainda era moleca quando descobri que a emoção e a paixão eram minha força motriz.
É…Mas aprendi também que dominar a técnica de tirar proveito da própria emoção e usá-la como munição é tão raro que a isto deram o nome de Arte.

O titulo desta peça é também o de uma transcrição das gravações em fita de oito palestras sobre o sistema de Stanislavski realizadas por Robert Lewis para profissionais de teatro. Convém ainda dizer que este título, por mim subtraído do palestrante, foi por ele subtraído da fala de Polonius no Hamlet, em que diz que ‘há método na loucura’.
O método Stanislavski é basicamente uma maneira sistematizada (tal qual um esquema técnico) de demonstrar o que está fazendo um bom ator quando faz uma boa interpretação (O método é um passo-a-passo que trata de como fazer uso e tirar proveito da emoção nas artes cênicas).

Loucura - Aurélio Buarque de Holanda descreve a emoção como um ‘Abalo Moral’ - Convenhamos, em sendo a moral tida como um conjunto de regras de conduta ou hábitos julgados válidos, a emoção figura então como uma grande vilã. Até mesmo a Filosofia analisa negativamente a emoção e a paixão – Para a filosofia o equilíbrio, ou a normalidade, está muito distante das paixões…

Na moda, especialmente, vivemos racionalmente em busca de emoções sob medida.
emocao3.jpg Queremos nada menos que magia – Por isso a moda é preparada num caldeirão com a mistura dos sumos peneirados por criadores e estilistas capazes de aproveitar suas emoções até o caroço.
Acredite: Há de haver qualquer loucura própria contida em seu estilo pessoal para que ele seja uma mistura que de tão híbrida se torne única.

- Confuso? Tudo bem, esta peça com cara de maluca só estava mesmo tentando dizer que:
Em toda criação, seja de arte ou mesmo a do seu próprio look, não existirá jamais um método criativo sem emoção, nem emoção proveitosa sem método.

Maria.



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