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Este blog foi criado para tirar dos cabides pensamentos que devem ser experimentados. Não tenha receio de entrar neste ProvadoR que se propõe a ser amplo e livre de preconceitos. Entre. Prove. E fique à vontade para Levar o que quiser.
 

Arquivo de Abril, 2007

25 de Abril de 2007 - 17:13

É Brincadeira!


Mentira. É sério:

- O bom humor é uma qualidade que indica a boa saúde do espírito.

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Sorria!
(* as fotos são do face hunter)
Antes de ler esta peça dê um passeio pelo Face Hunter, o blog que é o barato do francês ultra blasé* Yvan Rodic, que passeia fotografando pessoas pelas ruas mundo a fora.
Repare na desorganização estética das pessoas clicadas ( http://facehunter.blogspot.com/ )– Experimente enxergar arte.

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Se a arte pode ser definida como a capacidade humana de por em prática uma idéia ‘valendo-se da possibilidade de dominar a matéria’, ou seja, de brincar, inventar ou experimentar (com alguma ordem ou desordem em algum sentido), então a ordem na desordem estética é como uma pincelada grosseira proposital.

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Já dizia Chacrinha que ‘Aquilo que não é organizado não se pode desorganizar’ – Ora, foi preciso Dior para surgir Mary Quant! Mas a pós-modernidade nos deixou sem muitas regras a serem desobedecidas e, por esta razão, instaurou-se uma espécie de estética experimental deliciosa, muito brincalhona e abusada.

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Exercício de olhar - A gente, que adora brincar, se diverte com a invenção diária da própria estética (e com a do outro também!) - Estudantes (da arte de experimentar as possibilidades) que não se preocupam em errar ou acertar, fazer feio ou bonito, porque, no fundo, já sabem que serão sempre ambos ao mesmo tempo.

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- Ah, vem brincar! E se por acaso alguém rir, sorria de volta, afinal, é tudo de brincadeira!

.Maria.



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17 de Abril de 2007 - 8:14

um tipO


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A russa Eugênia Kuzmina - backstage Sta. Ephigênia.

. . .
mistério
. . .

Foi lendo uma crônica de Danuza Leão sobre uma das qualidades imprescindíveis num homem que cheguei até o pensamento que venho agora lhes propor.

Segundo Danuza o tipo de homem apaixonante é aquele que carrega consigo algum mistério. Não, ela não dizia sobre o sentido obscuro que pode ter esta palavra, mas de sua face impenetrável (ou incompreensível). A bela crônica, que começava dizendo ‘Um homem alegre é muito bom (…) mas, para gostar mesmo, é preciso um certo mistério’, era sobre relacionamentos amorosos, mas, aqui noProvadoR, vou tentar passar uma demão do verniz da moda.

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Fotos minhas do misterioso desfile da Mara Mac no ultimo fashion Rio.

Todos nós guardamos um universo próprio e exclusivo, onde habitam nossas histórias, memórias, sonhos e desejos. À maior parte deste fabuloso mundo o acesso é absolutamente restrito - Somente uma pessoa, uma única testemunha, poderá adentrar e percorrer com destreza todos os seus caminhos (Sim, só você, é claro, tem a chave de acesso às histórias que compõe sua identidade) - E este é o tal ‘mistério’ de cada um de nós.

Se traduzir – Na realidade, mesmo inconscientemente, nossas atitudes cotidianas estão impregnadas de identidade. Mas há, contudo, uma forma consciente de Se comunicar, sem a necessidade de palavras ou de abrir mão do mistério, que só é possível para aqueles que se conhecem bem a ponto de escolher como (transportar uma parte dessa ‘exclusividade’ para a própria aparência) - Aliás, saber aparentar o sofisticado conhecimento de si próprio, é ter estilo.

O estilo é um tipo de mistério que para existir não pede que se esconda a marca da roupa, nem onde ela foi comprada; não é preciso que seja secreto o nome do perfume, nem o do cabeleireiro. O encantamento do mistério certamente não advém deste tipo de segredo (ok, algum charme desta natureza também não é de todo mal). O mistério ao qual me refiro é o contido em sua própria identidade. Não é a roupa, mas o porquê dela - A história que existe por trás daquela escolha. Não é o nome do perfume, mas o sentido que ele tem. Não é cor, é o critério.

Na próxima vez que se deparar com uma pessoa que considere cheia de estilo, pare e repare. Pense se o que ela te provoca não é qualquer sentimento próximo da curiosidade. Talvez sua vontade seja entender ou saber qualquer coisa a mais sobre ela. Pessoas interessantes sabem tirar proveito do autoconhecimento e dosá-lo: simultaneamente revelam (satisfazem) e guardam seus mistérios (estimulam)!

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Interessante - Bicicletas, carros e modelos misturaram-se às criações que se revelaram num ritmo próprio.

Talvez por esta razão Danuza tenha escrito que um homem apaixonante ‘não deve estar na sua, sim na dele. Pessoas interessantes nos estimulam e nos prendem a atenção por que têm a segurança dos que se conhecem bem e não estão de plantão para serem aprovados ou para nos agradar. Eles são o que são mesmo que a razão não explique – este é o mistério.

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A moda é senhora.

Sabe bem como tirar proveito deste tipo de charme. Ela é o que é, tem vontade própria e nunca age de acordo com o esperado. Confunde, inverte e subverte. Tem um universo só dela, mas sabe transitar por muitos outros. Não há razão que a explique….É muito misteriosa…

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Agora me diga, a moda faz ou não faz o tipo apaixonante?

maria.



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9 de Abril de 2007 - 22:43

Fashion Queen


Para quem se interessa por história, moda, costume ou estilo, a dica é o novo, e imperdível, filme de Sofia Coppola, Marie Antoinette.

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visite o site e leia esta peça ao som da deliciosa trilha do filme (clique em ‘enter the site’ e volte para cá!)

http://www.sonypictures.com/homevideo/marieantoinette/index.html

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Da riqueza da história, todo mundo já sabe. Mas o absolutamente rico é na verdade, como ela foi ilustrada pela diretora. Meio deboche, meio poesia, mas completamente detalhista em termos de boa fotografia e figurino (foi vencedor do Oscar 2007 nesta categoria, por sinal), o filme te leva por uma viagem através da história e da moda, remexe com sua curiosidade e faz sonhar.

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Maria Antonieta, ou ‘A rainha da moda’ (título do livro da pesquisadora americana Caroline Weber, especializada em cultura francesa do séc. 18), tinha uma percepção sofisticada e moderna do poder da imagem para alterar a realidade, e indubitavelmente, soube tirar bastante proveito disso. Segundo a pesquisadora:

“ Ela soube usar a moda como instrumento político, como forma de aumentar ou sustentar sua autoridade em momentos em que ela parecia estar sob risco, como nos 7 anos que se passaram sem que tivesse um filho (…) Por meio de novas roupas, sapatos e penteados a rainha se impôs, colocando-se acima de qualquer mulher francesa”.

Frívola e festeira, freqüentou óperas e teatros, agitou o Palácio de Versalhes e participou da agitada noite parisiense, bebia champanhe, jogava cartas, amava roupas, sapatos, penteados…Atitudes inéditas para uma rainha.

…Desde o começo dos tempos as mulheres carregavam a função de ‘aparecer’ (aparentar e se mostrar) para assim, revelar a posição, classe ou situação social de seu marido (tudo isso, além de parir, é claro). As soberanas deveriam, portanto, projetar uma imagem dócil e discreta. As que usavam roupas exóticas e luxuosas eram, comumente, as amantes do rei.

.: anton2.jpg :.

Muita graça!

Independentemente de serem soberanas, nobres ou burguesas, eram todas condenadas a se espremerem dentro do corset: Respirar fundo e suspender a respiração para que lhe apertassem bem a cintura.

Mas ainda pior que andarem espremidas, era o fato de não estarem aptas a se vestirem sozinhas! É possível imaginar que era preciso ajuda para colocar e tirar a própria roupa? (é…para nos vestirmos sozinhas foi preciso esperar a chegada de *Poiret).

Foi só na virada do século XX, por volta de 1908, que *Paul Poiret consuma o divórcio entre a alta costura e a alta sociedade. Nascido em Paris, viveu entre o final da Belle Époque e os loucos anos 20. Filho de um comerciante de tecidos, Poiret foi aos poucos se consagrando como um dos maiores visionários estilistas franceses. Após abrir consecutivos negócios bem sucedidos, Poiret lança o vestido que de tão simples, foi revolucionário. Esta série de vestidos tinha seus modelos soltos, eliminando o uso do (maldito) corset.

.: annix.jpg :.

Outra graça!

Era enfim, uma transição radical na moda. A feminilidade deixa enfim de ser representada por lindas bonecas para dar lugar a mulheres sedutoras e literalmente, mais livres.

Bem, na realidade, esta história é ainda bem mais longa, complexa e interessante…Contudo, pelo que foi dito até aqui, fica claro que a evolução da moda arrasta consigo muitas outras histórias. Por isso, não deixe de conhecer mais esta.
Assista ao filme!
- Ah, e não deixe de reparar na quantidade de lindos laços (a-doro, e é por acaso uma fashion trend super atual!) usados em praticamente todos os vestidos da rainha!

.Maria.



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