.: Pática :.
O título desta peça vem de Pathos, palavra grega que pode designar tanto paixão, emoção e excesso, quanto sofrimento.
A paixão deriva do grego paschein: algo que acontece à pessoa independente de sua vontade ou mesmo contra ela. De paschein deriva pathos e patologia.

Foto de Philippe Halsman, ‘Bailarina‘.
Nossos sentimentos e emoções não estão, como poderiam desejar alguns antigos filósofos, num compartimento isolado da mente, apto a ser habilitado ou desabilitado de acordo com a vontade.
A verdade, que é filha do tempo e não da autoridade (como teria dito Galileu), demonstrou que a compreensão da realidade não pode ser feita só de racionalidade e lógica, sem envolver o elemento afetivo ou emocional.
Nota: Nietzche e Shopenhauer, entre outros, foram filósofos ‘modernos’ que incluíram o pathos, ou seja, o componente afetivo, como essencialidade para compreender e acessar o mundo.
Ok. Somos seres racionais, mas também (e essencialmente) emotivos. Alguns menos, outros mais e outros (muito) mais ainda (como eu). Ser emotiva demais, sensível demais, apaixonada demais, é o meu caso (demais!).
Sou mesmo dada aos excessos. Esta é minha natureza, que por mais que tente domar, me domina. Portanto, convivendo com minha realidade feérica, tive que aprender a tirar algum proveito deste pathos, antes que ele o tirasse de mim e, como previam os antigos filósofos, se transformasse em pathologia.

Foto de mamãe, ‘maria bailarina’.
Fantasiosa e exagerada, fui aos poucos descobrindo que enxergar poesia em tudo que vejo não é de todo mal - Mesmo quando ela se perde na minha tentativa de tradução (como pode estar acontecendo neste momento).
Assim, comecei também a perceber que a criatividade poderia se tornar uma matéria-prima de trabalho e passei a exercitá-la estudando, pesquisando e trabalhando. Já trabalhei com criação publicitária, gráfica, artística e por aí vai… Gosto de pensar que cada etapa foi essencial para chegar até esta (que como as outras, também é só mais uma etapa fundamental).
Oficialmente, meu trabalho, como produtora e styling, é criar imagens de moda. Mas eu enxergo o que faço como criação de personagens (com a ambição de que sejam corajosos o suficiente para inspirar outras pessoas). Aliás, mesmo informalmente, gosto de fazer (e encarnar) personagens de curta duração, e mais ainda, (adoro) estimular o personagem que existe dentro das pessoas – minhas amigas que o digam!

Fotografia de Horst P. ‘around the clock‘.
Bem, se você leu até aqui, merece saber que esta peça, com cara de confissão, também tem o objetivo secreto de estimular o seu pathos.
Tire proveito de suas emoções para criar ou reforçar seu estilo ou sua história. Ah, e não tenha medo do excesso.
“Um excesso de vez em quando é ótimo. Impede que a moderação se torne um hábito” (W. Somerset Maugham).
mariasan