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Arquivo de Maio, 2007

24 de Maio de 2007 - 18:34

.: Pática :.


O título desta peça vem de Pathos, palavra grega que pode designar tanto paixão, emoção e excesso, quanto sofrimento.

A paixão deriva do grego paschein: algo que acontece à pessoa independente de sua vontade ou mesmo contra ela. De paschein deriva pathos e patologia.

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Foto de Philippe Halsman, ‘Bailarina‘.

Nossos sentimentos e emoções não estão, como poderiam desejar alguns antigos filósofos, num compartimento isolado da mente, apto a ser habilitado ou desabilitado de acordo com a vontade.

A verdade, que é filha do tempo e não da autoridade (como teria dito Galileu), demonstrou que a compreensão da realidade não pode ser feita só de racionalidade e lógica, sem envolver o elemento afetivo ou emocional.
Nota: Nietzche e Shopenhauer, entre outros, foram filósofos ‘modernos’ que incluíram o pathos, ou seja, o componente afetivo, como essencialidade para compreender e acessar o mundo.

Ok. Somos seres racionais, mas também (e essencialmente) emotivos. Alguns menos, outros mais e outros (muito) mais ainda (como eu). Ser emotiva demais, sensível demais, apaixonada demais, é o meu caso (demais!).

Sou mesmo dada aos excessos. Esta é minha natureza, que por mais que tente domar, me domina. Portanto, convivendo com minha realidade feérica, tive que aprender a tirar algum proveito deste pathos, antes que ele o tirasse de mim e, como previam os antigos filósofos, se transformasse em pathologia.

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Foto de mamãe, ‘maria bailarina’.

 

Fantasiosa e exagerada, fui aos poucos descobrindo que enxergar poesia em tudo que vejo não é de todo mal - Mesmo quando ela se perde na minha tentativa de tradução (como pode estar acontecendo neste momento).

 

Assim, comecei também a perceber que a criatividade poderia se tornar uma matéria-prima de trabalho e passei a exercitá-la estudando, pesquisando e trabalhando. Já trabalhei com criação publicitária, gráfica, artística e por aí vai… Gosto de pensar que cada etapa foi essencial para chegar até esta (que como as outras, também é só mais uma etapa fundamental).

 

Oficialmente, meu trabalho, como produtora e styling, é criar imagens de moda. Mas eu enxergo o que faço como criação de personagens (com a ambição de que sejam corajosos o suficiente para inspirar outras pessoas). Aliás, mesmo informalmente, gosto de fazer (e encarnar) personagens de curta duração, e mais ainda, (adoro) estimular o personagem que existe dentro das pessoas – minhas amigas que o digam!

 

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Fotografia de Horst P. ‘around the clock‘.

 

Bem, se você leu até aqui, merece saber que esta peça, com cara de confissão, também tem o objetivo secreto de estimular o seu pathos.

Tire proveito de suas emoções para criar ou reforçar seu estilo ou sua história. Ah, e não tenha medo do excesso.

“Um excesso de vez em quando é ótimo. Impede que a moderação se torne um hábito” (W. Somerset Maugham).

 

mariasan



comentários (12)  
9 de Maio de 2007 - 23:22

:: é cOr de rOsa chOque ::


:: TREND ::

Nota: Dia desses reencontrei um diário de infância que havia sido guardado por um velho amigo. Logo na segunda página, há duas ou três marcas de beijos de batom cor de rosa com uma anotação (típica de adolescente) ao lado: - Arg! Odeio Batom.

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A nova Moda velha

Eu ainda era muito pequena quando percebi que a cor do batom oficial de mamãe era cor de rosa. Ok, hoje em dia nem é mais, mas naquela época não foi dificil perceber que todas as mulheres da minha vida usavam batom rosa choque.

Imagine uma criança vaidosa crescendo em meio a explosão de cores e loucura estética que foram os anos 80:
Meus dias começavam com Xuxa que, linda e loira, dominava minhas manhãs - ‘Bom dia amiguinhos já estou aqui‘ era a frase de abertura do programa cantada, no microfone com chiquinhas, pela boca rosa choque de Xuxa.

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Depois do almoço, na despedida para o colégio, ganhava um beijo da boca rosa da minha mãe, e lá chegando encontrava Tia Rita, minha professora da terceira série, que não só usava, como retocava a cada meia hora, seu batom rosa choque.
Depois da escola era clássico o ritual de descer com o arsenal Barbie para brincar de arrumar, sim, por que depois de pronta, a brincadeira perdia a graça (só quem já brincou de Barbie sabe do que estou falando). Me lembro bem que minhas duas bonecas Barbies eram ‘maquiadas de fabrica’ e usavam, é claro, batom rosa choque.

Com tantos apelos ao uso de batom (rosa), acontecia que, quando minha mãe saía para trabalhar, me enfiava em seu nécessaire de maquiagem em busca de diria, experiências. … Mas, de todas as coisas coloridas e cheirosas que lá encontrava, a que menos gostava era sempre o batom. - A verdade é que nunca fui de batom. Sempre achei estranho sentir o gosto da maquiagem e, além disso, estava convencida de que não ficava bem com aquilo.

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- Enfim, desde essa história, 20 anos se passaram e advinha quem voltou?!

- Os 80’s e, portanto, Ele - o velho e bom batom rosa choque.

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so Fresh! Christina Ricci compareceu ontem a noite (07.05) à uma das festas mais badaladas do mundo da moda: a noite de gala do Costume Institute, no Metropolitan Museum of Art de Nova York em vestido Calvin Klein, e ‘rosa choque’ nos labios.

- Ele voltou, ele voltou!

- Siiim, mas a boa noticia (pelo menos para mim) é que agora, talvez em razão de uma certa nostalgia, apesar de continuar sem gostar muito de batom, tenho simpatizado e até me aventurado vez ou outra de pink nos lábios. - Para alegria da minha mãe que vive me dizendo: ‘Meu bem passa um batonzinho…’ e reclamando: ‘Mas vai sair assim sem nem um batonzinho?’… viu, não se pode dizer que não experimentei!

Então, é isso pessoal! A boca pink é tendência que já pintou no verão europeu e em todo o hemisfério norte, das passarelas às ruas.

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desf. Diane Von Furstenberg e Nanette Lepore

- Aproveite esse trend choque!

Enjoy it!

mariasanz.



comentários (11)  
3 de Maio de 2007 - 10:09

. osProvadoRes .


Vou começar esta peça pedindo para que você se lembre qual é, ou foi, seu provador preferido.

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O que ele tinha de especial? Por que raios quando dentro daquele espaço, que só refletia você mesma, despida ou vestida de possibilidades, o tempo parava?
O que afinal os bons provadores têm que nos encantam?

- Arriscando um palpite, diria que se trata do velho e bom poder de sedução.
Sim, o momento provador tem cara de paquera. - Tudo pelo encantamento (de si mesma).

- Quando não tive pudores para pedir e receber o que quis provar, me encantei. Quando ouvi uma ou outra crítica ou elogio, coerentes, e principalmente, quando experimentei o silêncio desejado, fui seduzida. Ah, um bom e grande espelho, de preferência emoldurado pela luz precisa, que só ilumina os adjetivos, também pode ser bastante eficaz… Na verdade, se for generoso, cheiroso, tiver cortinas honestas, uma poltrona de personalidade e um salto de plantão, pronto - É tiro e queda (!).

*Nesta relação há de haver também espaço para odiar secretamente o jeans (cuja numeração nega qualquer regra da lógica), ou a pessoa do lado de fora (que insiste em vê-la ‘deixa eu ver tá’), ou mesmo a etiqueta (que revela o preço da brincadeira e assassina o sonho).

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Certamente você, que já passou por muitos deles (dos clássicos aos ordinários), se apaixonou, podendo ter cometido uma loucura sem saber porque…Pois fique então sabendo: o momento no provador é decisivo. O bote acontece alí - esteja preparada ou relaxe e se deixe levar.

Na próxima vez que estiver num deles lembre-se disso, e (se ele for mesmo convincente) divida comigo. Este ProvadoR que vos fala ainda tem muito a aprender!

maria sanz.



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