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Arquivo de Julho, 2007

18 de Julho de 2007 - 11:36

Respiro


Quem neste mundo pode resistir à ordem expressa de Madonna cantando:

‘Everybody, come on Dance and Sing
Everybody, get up and do your thing!
veja o (clip)
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.

- Dançar é de longe meu ardil de escape preferido.

Ah sim, escapar, em sua mais pura acepção, pode ser encontrar uma saída, livrar-se de alguma coisa, soltar-se, fugir ou, mesmo, sobreviver… Donde se deduz que Escapar é preciso!
A questão é que: Se até as maquinas se utilizam de escape (ou respiro) para funcionar, imagine nossa mente caótica, sempre cheia de pensamentos (literalmente) de sobra, que precisam ser escoados.
No inicio até parecem inocentes…era só uma idéia, uma pequena magoa, um arrependimento qualquer, uma ansiedade mansa, um sonho mirim e muitos medos disfarçados – Mas quando armazenados por muito tempo transformam-se em nitroglicerina de potencial altamente ofensivo.
Sim, é verdade, pensamentos e sentimentos abafados pela falta de escape podem causar curto circuito no comando central afetando o funcionamento de toda a máquina.

‘Let´s get Physical (physical) veja o (clip)

Let me hear your body talk - O corpo fala por si, mas seu bom funcionamento depende primordialmente de boa lubrificação, abastecimento e ventilação da mente – Portanto atenção: Deixar a mente escapar é tão saudável quanto estudar, trabalhar, pensar e elaborar (!).

Talvez por isso, ao mesmo tempo (e na mesma medida) em que se desenvolveram as teorias, ciências, tecnologias e filosofias, surgiram as artes, a música, a literatura, o vinho, o kamasutra, o ópio, e mais tarde a moda, o cinema, as novelas etc…
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Mas e a dança? O que a diferencia como ventilação elementar?

- Meu argumento pró shake you body é natural:

Todos nós nascemos com o instinto da dança.
Ora, ninguém precisa ensinar um bebê o que fazer quando a musica toca, é espontâneo - o corpo sabe.

Dançar é um movimento quase involuntário, uma reação muitas vezes tão controlável quanto um espirro.

A música tem o poder de assumir o controle do corpo e de esvaziar a mente – é só você deixar.
E o melhor, não existem regras para dançar, nem certo ou errado. Você pode inventar a moda que quiser, cada um tem seu ‘your thing’ – uma maneira própria de balançar o corpo que só você tem. (Adoro!)

Ok… Depois de crescidos, aqueles lindos bebês dançantes passam a tentar dominar a própria natureza e vão, aos poucos, se deixando censurar.
Uns menos - como eu, que sempre amei dançar e fui incentivada pela ginga free style do meu pai (meu parceiro de dança preferido) e pela musicalidade da minha mãe, que desde muito nova me aplicou em boas sonoridadesOutros mais - como aqueles que vão se contendo até atingem o trágico ponto em que param de dançar – e ninguém merece não dançar nessa vida.
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Enfim, lembra da última peça, em que mencionava o casamento da Bibi? Pois então, na festa, a noiva apanhou o microfone para dizer uma única frase:
- Quero ver to-do mundo dançando!

Foi sua forma de pedir que todos ficassem à vontade para se soltar, escapar, e expressar a alegria da maneira mais natural que existe. (eu me acabei)

Seja lá qual for sua forma de escape, DANCE sempre que tiver oportunidade !

mariaSanZmartins.



comentários (11)  
11 de Julho de 2007 - 10:53

. minha versão .


Pode ser que sim, mas também pode ser que não – Eu acredito na veemência da imaginação.

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Sou uma romântica confessa.
Não experimento roupa de véspera. Não sou adepta de previsões do tempo, não gosto de ensaios, nem de coreografias, não leio sinopses, nem uso pré-conceitos. Não gosto de absolutismos. Não sou fã de unanimidades e, ainda, desconfio de alguns dogmas.

Gosto das possibilidades do improviso e da tentativa. Prefiro o inesperado à chatice, transparente e insossa, de algumas certezas.

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Sim, românticos podem ser subversivos.
Confiamos demais em nossos sentimentos. Costumamos acreditar que ‘a verdade’ não está na razão, mas no coração - de onde eles brotam e na mente, onde vive a imaginação.

é sério…Um romântico não é feito de certezas. Ele pondera suas emoções a partir do ‘equilíbrio’ dos opostos: certezas e incertezas, satisfação e insatisfação, medo e esperança…
O romântico é o tipo que programa um piquenique, mas não consulta a previsão do tempo (prefere a fantasia da dúvida à certeza de um bom (ou mau) tempo que lhe incorra em expectativa (ou em desesperança).

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Tenho outro exemplo - esse é particular e prático :

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- Minha ‘subversão’ romântica é nunca querer ter certeza de que roupa usar até a chegada ‘da ocasião’.
Costumo deixar para resolver ‘em cima da hora’, como se diz. Acredito que munida do ‘sentimento do momento’ saberei fazer a melhor escolha.
E pode até parecer mania ou loucura, como teria me dito uma amiga, mas o fato é que sinto prazer em improvisar a produção.

Como disse, acho que experimentar roupa de véspera é uma forma de desperdiçar o momento e a emoção -

Levo isso tão a sério que nas últimas provas do meu vestido de noiva fiquei de costas para o espelho - verdade, a Ná é prova.

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O resultado dessa ‘mania’ é que acabei desenvolvendo algumas dificuldades. Fazer roupa na costureira é uma delas: Ter de prová-la e vê-la inacabada, do avesso e tantas vezes, costuma estragar a magia do encontro final.

E arrumar malas… Sempre ficava irritada ao ter que programar tudo que iria usar numa viagem e, assim, tive que aprender a preparar uma mala-fórmula que me desse liberdade – (qualquer hora podemos falar disso aqui).

E existe ainda uma outra questão que tive de resolver em função desta minha ‘subversão’:

Desde cedo comecei a aprender a me maquiar sozinha porque em dia de festa, via minha tia, que se maquiava no salão, passando a tarde de sábado em casa vendo tevê de chinelo to-da maquiada. Achava aquilo um desperdício. (Na boa, sempre achei que ficar pronta muito antes da hora é uma verdadeira tortura – Como estar fantasiada de odalisca num baile de carnaval vazio).

- Mas enfim, acabo de me pegar pensando por que afinal estou falando neste assunto?
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- E me lembrei de que tudo começou com a pergunta de uma amiga sobre o que vou usar neste sábado?
(quando ambas seremos madrinhas no casamento da Bibi).
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Sua exclamação, ao ouvir minha resposta incerta, fez nascer uma ponta de angústia, e como escrever me alivia, eis esta peça que seria uma justificativa se não fosse subversiva a ponto de questionar:

- Se Imaginação é a capacidade que Deus deu exclusivamente ao homem para criar e inventar mediante a combinação de idéias e fatos, por que não aproveitar esta faculdade ao menos para as frivolidades?

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mariaSanz.



comentários (14)  
4 de Julho de 2007 - 10:32

. rimando .


da cabeça aos pés.

:: Ah, minha tia Ruti
Se veste rimando
Como um poema gentil
De ritmo cadente e quase infantil ::
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Paradoxal - Rimar a roupa num ritmo único que exprima um conceito singular e forte, prendendo a atenção do ‘espectador’ como um espetáculo, pode ser uma atitude potente com aroma naif.
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Nos anos 60, revolucionários por sua natureza jovem, a feminilidade requintada imposta pelo new look de Dior foi quebrada por uma moda lúdica com formas, estampas e volumes sem qualquer compromisso com aquela antiga elegância.

A ‘combinação’ de peças de mesma padronagem estava na ordem do dia e a novidade eram os comprimentos e as estampas. Com uma porção do mesmo tecido criava-se um look uníssono, que podia ir do chapéu, passando pela bolsa, até a saia e blusa.

Naquele período entraram em voga estampas geométricas, floridas e de cores vivas (vale dizer que as flores, especialmente a margarida, eram símbolo da juventude e da naturalidade).

A atitude não era sexy, mas de menina-lolita e descontraída (é tanto que em fotos de moda dos anos 60 as modelos passam a fazer poses irregulares, ‘sem postura’, absolutamente diferente de tudo que fora feito no período de Dior).
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Outra prova do potencial lúdico da roupa, experimentado na década de 60, como forma expressão de liberdade, foi a ‘Op art’, que a partir de 65 entra em cena dando inicio a um momento de sensações na moda. A combinação de estampas de efeitos visuais criados a partir de desenhos bidimensionais dava vida e movimento à roupa.

Nesta temporada de Alta Costura/fall2007 em Paris, os desfiles de Givenchy, por Riccardo Tisci, e Chanel, por Karl Lagerfeld, me chamaram atenção com os looks ‘Matching from head to toe’.

Devo dizer que, apesar de toda licença poetica resguardada à Haut Couture, sinto que a idéia de ‘coordenação’ lembra uma ‘purificação’. Como se esta evocação pudesse ser sinal de um chamado à velha e boa ordem estética, uma forma de recomeço.

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Desfiles de Givenchy e Chanel (veja mais em style.com).

- Como diria minha tia, a poesia clássica nunca será substituída pelo fluxo caótico do rap, por exemplo, por que a rima simples será sempre o melhor recomeço.

Ah, vamos Combinar! Apesar fantasiosa, esta harmonia quase óbvia não se curva ao tempo - É uma verdadeira, e clássica, jovem senhora.

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mariaSanz.



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