:. A Parte do Olho.:
Era a avó da Bá e da Ná que dizia: ‘O olho quer sua parte’.
Como se reivindicasse um direito, nossos olhos buscam beleza nas coisas.
Verdade. Assim como os ouvidos perseguem a melodia nos sons, e o paladar a harmonia nos sabores, o olhar tende a perseguir o belo.
Olhando por esse ângulo fica mais fácil compreender por que afinal a beleza, ou harmonia da imagem, ocupa um posto tão significativo em nossas vidas.

Ah, a beleza…
- É um negócio danado… (assim diz meu pai quando quer se referir a algo muito curioso, ou sem explicação).
É mesmo incrÃvel o poder de persuasão da beleza, estética, harmonia ou ‘visual’ das coisas - e pessoas.

.
No inicio da adolescência, quando era fã do Roxette, me esforçava para compreender a letra da musica ‘She’s got the look’.
Cheia de metáforas mirabolantes, a música compara ‘Ela’ (who’s got the look) à coisas fabulosas, como ao sabor de uma gota de chuva (!); e à força de um martelo - num esforço para descrever a potencia do visual.
.
- Assim como se tentou na música, o enigma da atração pela beleza tende a se esclarecer quando o atrelamos ao fenômeno dos sentidos:
Fica mais simples se pensarmos que cada um de nossos sentidos irá sempre ‘reinvindicar’ sua parte…como forma de exercitar seu potencial.
(É como se diante da beleza os olhos dessem uma festa, dizendo é isso que eu mereço!)
Me diga:
É ou não é comum nos encantarmos pela melodia de uma música, mesmo sem saber bulhufas do que diz a letra?
(É que o ouvido quer saber da sua parte).
E vai entender a gente (aà me incluo) que é louca por bucho - Troço feio e mal cheiroso, mas vamos concordar, delicioso…
(O paladar também quer saber da sua parte).
.

.
Falando sobre ‘a parte do olho’, percebi que nos últimos dias, ou desde que abri o escritório, boa parte da minha atenção, devo confessar, foi para o visual.
Não posso negar: meu olho é festeiro e muito exigente.
Ele quer ’sua parte’Â sempre grande, e satisfaze-lo (sem gastar a mais) requer habilidade.
É… Pessoas sensÃveis (e festeiras), como yo, tendem a ’sofrer’ daquela história do Pequeno PrÃncipe que diz que nos tornamos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos – ou, em se tratando de sentidos, estimulamos.
.
Enfim, dependendo do quão estimulados são ou foram seus sentidos, mais exigentes eles serão na busca involuntária da própria satisfação.
Compreenda e tire proveito disso que é um negócio danado da natureza!
.

.
* (Não deixe de ler na Revista Veja desta semana (26/09/07) a matéria sobre A nova ciência do cérebro - A Neuroestética. Além de super interessante, a matéria confirma que ao reconhcer o Belo, o cortex orbitofrontal medial processa estÃmulos que representam uma recompensa; e confirma também a tese sobre a importância do estimulo).
Nota: Achei ainda mais incrivel a matéria por que esta peça foi publicada aqui noProvadoR na sexta-feira dia 21/09, logo depois do almoço em que a Ná me contou sobre a sábia frase de sua avó, e a Revista, que chegou aqui ontem, trouxe o mesmo tema sob a ótica cientifica da coisa… negócio danado…
.
.
mariaSanz.