..saudade de agora mesmo
Mas pode chamar de melancolia, romantismo ou pressa.

O ideal seria poder guardar como jóia este momento, esta hora. Não, não me refiro a álbum de fotografia, nem caixinha de lembranças, estou falando do que sobra da irreversÃvel passagem do tempo e que crava no peito a marca do agora.
Eu sei, todo mundo já falou das dores do tempo, mas não venho falar do passado – A dor que incomoda e quer vir para fora é o apego que sinto pelo momento presente, aqui e agora.
De quase tudo sinto saudade agora, menos da moda. Mas explicação para essa história pode ser coisa que demora…

Queria poder prender para sempre o momento que vivo, este aqui, aqui ó, agora. – Não, não é por considerá-lo melhor que ontem ou anteontem, não, ao contrário, o que já passou é pÃlula dourada na memória. Minha saudade é patrocinada pela simples consciência de que hoje é só hoje mesmo, e que amanhã é coisa para outra hora.
Ora veja, mesmo para mim, que ainda não tenho filhos - e enquanto isso babo os dos outros – dá saudade dos atuais 2 anos e meio do Felipe, e de todo seu lindo esforço em falar a letra ‘l’. Como se sabe, em breve ele já terá aprendido a falar baLde no lugar de baRde, e um correto tia maria, no lugar do adorável támaria. – Acho que no fundo, toda mãe tem essa birra com o tempo…E é também por isso que mesmo antes de sê-la, sinto saudade de agora.
Outra saudade que sinto agora é dos meus avós – com mais de 40 vezes a idade do Felipe, os 3 que estão muito vivos, são muito lúcidos, cheios de energia e histórias para contar. Enquanto eu sigo culpada e sugada pela vida de todo dia, mal conseguindo aproveitar o contato com essas pessoas incrÃveis, que tanto sabem da vida, sinto apego pelo momento presente, em que cada um deles está pleno de saúde e repleto planos – mas, de novo, essa é só mais uma forma de matar a saudade de agora.
Ah, também sinto saudade das amizades - pronto falei(!). Há mais de 10 anos convivo de perto com um grupo de meminas que encho a boca para chamar de minhas amigas, e a elas sou apegada - como se nota. Mas talvez isso também se deva ao fato de dizerem por aà que quando a gente fica mais velha não tem jeito, vai cada uma para um lado e acabou. Por medo do dia em que essa predição se realize, me agarro esfomeada a este momento, e sou capaz de, em plena noite de amigo x, me pegar morrendo de saudade de agora mesmo.
Ok…sinto saudade de muitas coisas incrÃveis que estão vivas e muito presentes na minha vida…(tenho essa saudade do meu pai, da minha mãe, do meu irmão, do meu amor…) –
- Mas, para falar de uma não-saudade, ou de uma saudade impossivel, e aproveitando o fato de estarmos em pleno ProvadoR, quero dizer que a moda é coisa genial.
Diferente de quase tudo que adoramos, ela, por princÃpio, não sofre com o tempo, mas ao contrario, ele só a fortalece. (A verdade é que a moda é sagaz, e o tempo não é páreo para ela).
- No tempo a moda dá baile!
Ela é coisa incrÃvel: vai, volta, se finge de morta, renasce, cresce e se reinventa toda nova a cada dia.
Ok, você pode estar pensando que sente saudade da moda elegante, ou da moda de outros tempos, mas, lembre-se de que ela é, entre tantas outras coisas, imprevisÃvel…Quem sabe não está quase voltando, e nem demora.

Para todas as outras coisas que, diferentes da moda, não voltam mais e só acontecem uma vez, aqui e agora, deixo registrada a minha saudade – e a esperança de que amanhã, ou no próximo natal, esteja sentindo uma saudade nova, mas que só vou conhecer na hora.
Maria Sanz Martins.