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Arquivo de Dezembro, 2007

24 de Dezembro de 2007 - 13:12

:: Fuku ::


Em japonês, roupa ou felicidade.

É verdade, no idioma japonês a palavra roupa possui três significados distintos: yofuku = roupa ocidental; wafuku = veste japonesa; e fuku = roupa ou felicidade.

fotografia Richard Avedon

Não, a felicidade não está naquele seu vestido incrível - mas nas deliciosas sensações (de ser admirada, querida ou simplesmente protegida) que ele pode proporcionar.
Dizem os especialistas, e acredito eu, que a principal fonte de felicidade e também de infelicidade está nos relacionamentos; no modo como escolhemos no relacionar com os outros, com as coisas e com a própria vida.

cultural - Em razão de uma educação muito rígida e uma economia muito próspera, os japoneses desenvolveram um relacionamento único com o vestir-se.
São apaixonados pela moda e atribuem à roupa uma significação prazerosa - (eles vivem rindo, gostam de se enfeitar e consomem roupas e acessórios com uma voracidade peculiar).

Mas moda e roupa são coisas diferentes. Como já foi dito neste ProvadoR, a moda só existe em tempos de prosperidade e alegria – ora, não existe moda na guerra, ou no luto, por exemplo. Contudo e apesar disso, seja aqui no Brasil, no Japão ou em qualquer outro lugar, a roupa em si jamais será uma frivolidade.

fotografia Richard Avedon

A roupa é elementar; com ela vivemos um relacionamento essencialmente diário, que independe do gosto ou apego que se tenha pela moda.
A roupa é reflexa; sempre será uma continuação do próprio corpo e, assim sendo, será também uma maneira de existir.
A roupa é alento, alegria, é fantasia.

Para quem não tem opção, o acaso é soberano e o vestir-se acontece de forma rizomática -, ou seja, como uma raiz, que buscando sobrevivência crescerá desordenadamente em busca de espaço, atravessando o concreto se preciso for-, a roupa agirá como alento. - Seja vinda de caridade ou de um mercado de rua, a roupa será sempre reforço que traz além de proteção, ânimo e até mesmo inspiração.

Para as crianças roupa também é alegria, é brincadeira. Crianças querem ter o quanto antes poder de decidir o que usar, e mesmo, para a tristeza das mães, fazendo as combinações mais descombinadas possíveis, sentem-se bem felizes em ostentar as próprias escolhas.

- Para mim (e para os japoneses!) roupa é puro entretenimento. Um jogo delicioso que quanto menos se leva a sério, mais sorte se tem. – verdade, poucas coisas são para mim mais divertidas que elaborar um look – …é…vendo por esse lado, até parece que meus olhos apertados têm alguma explicação..

fotografia Richard Avedon

Enfim, fuku é um dos principais ingredientes desse blog, que cada vez mais me aperta os olhos de alegria:

- Essa é a peça de número 100 (!) noProvadoR, que nos últimos dos 365 dias de 2007 ultrapassou a marca dos 100.000 acessos (!) – e espera que os próximos 365 dias sejam de muita disposição e energia para todos nós!

olhos apertados de alegria!

:: Fuku e Feliiiiiiz Ano Novo!!! ::

Maria Sanz Martins.



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17 de Dezembro de 2007 - 10:39

..saudade de agora mesmo


Mas pode chamar de melancolia, romantismo ou pressa.

agora

O ideal seria poder guardar como jóia este momento, esta hora. Não, não me refiro a álbum de fotografia, nem caixinha de lembranças, estou falando do que sobra da irreversível passagem do tempo e que crava no peito a marca do agora.

Eu sei, todo mundo já falou das dores do tempo, mas não venho falar do passado – A dor que incomoda e quer vir para fora é o apego que sinto pelo momento presente, aqui e agora.

De quase tudo sinto saudade agora, menos da moda. Mas explicação para essa história pode ser coisa que demora…

aqui

Queria poder prender para sempre o momento que vivo, este aqui, aqui ó, agora. – Não, não é por considerá-lo melhor que ontem ou anteontem, não, ao contrário, o que já passou é pílula dourada na memória. Minha saudade é patrocinada pela simples consciência de que hoje é só hoje mesmo, e que amanhã é coisa para outra hora.

Ora veja, mesmo para mim, que ainda não tenho filhos - e enquanto isso babo os dos outros – dá saudade dos atuais 2 anos e meio do Felipe, e de todo seu lindo esforço em falar a letra ‘l’. Como se sabe, em breve ele já terá aprendido a falar baLde no lugar de baRde, e um correto tia maria, no lugar do adorável támaria. – Acho que no fundo, toda mãe tem essa birra com o tempo…E é também por isso que mesmo antes de sê-la, sinto saudade de agora.

Outra saudade que sinto agora é dos meus avós – com mais de 40 vezes a idade do Felipe, os 3 que estão muito vivos, são muito lúcidos, cheios de energia e histórias para contar. Enquanto eu sigo culpada e sugada pela vida de todo dia, mal conseguindo aproveitar o contato com essas pessoas incríveis, que tanto sabem da vida, sinto apego pelo momento presente, em que cada um deles está pleno de saúde e repleto planos – mas, de novo, essa é só mais uma forma de matar a saudade de agora.

Ah, também sinto saudade das amizades - pronto falei(!). Há mais de 10 anos convivo de perto com um grupo de meminas que encho a boca para chamar de minhas amigas, e a elas sou apegada - como se nota. Mas talvez isso também se deva ao fato de dizerem por aí que quando a gente fica mais velha não tem jeito, vai cada uma para um lado e acabou. Por medo do dia em que essa predição se realize, me agarro esfomeada a este momento, e sou capaz de, em plena noite de amigo x, me pegar morrendo de saudade de agora mesmo.

Ok…sinto saudade de muitas coisas incríveis que estão vivas e muito presentes na minha vida…(tenho essa saudade do meu pai, da minha mãe, do meu irmão, do meu amor…)

- Mas, para falar de uma não-saudade, ou de uma saudade impossivel, e aproveitando o fato de estarmos em pleno ProvadoR, quero dizer que a moda é coisa genial.
Diferente de quase tudo que adoramos, ela, por princípio, não sofre com o tempo, mas ao contrario, ele só a fortalece. (A verdade é que a moda é sagaz, e o tempo não é páreo para ela).

- No tempo a moda dá baile!

Ela é coisa incrível: vai, volta, se finge de morta, renasce, cresce e se reinventa toda nova a cada dia.
Ok, você pode estar pensando que sente saudade da moda elegante, ou da moda de outros tempos, mas, lembre-se de que ela é, entre tantas outras coisas, imprevisível…Quem sabe não está quase voltando, e nem demora.

aqui agora

Para todas as outras coisas que, diferentes da moda, não voltam mais e só acontecem uma vez, aqui e agora, deixo registrada a minha saudade – e a esperança de que amanhã, ou no próximo natal, esteja sentindo uma saudade nova, mas que só vou conhecer na hora.

Maria Sanz Martins.



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1 de Dezembro de 2007 - 12:47

*Cool


Para poupar tempo, vou logo dizendo que esta peça interessará somente aqueles que concordam com a idéia de que: quem é cool de verdade, mal sabe o que é ser isso.

Grace Kelly

Sra. cool - Nos anos 60, Clarice Lispector escreveu um desabafo, que certamente figuraria entre as cartas que enviava a suas irmãs durante o período em que viveu no exterior com seu marido diplomata – (cartas essas, aliás, que a editora Rocco acaba de reunir no livro ‘Minhas Queridas’) – se não fosse a literatura seu verdadeiro escape - razão pela qual, fez dele uma crônica.

O texto, que é imperdível, se chama ‘Crônica social’ e denuncia a naturalidade fingida adoatada por algumas mulheres durante um determinado ‘evento’.

Tratava-se de um almoço de garçons mudos e flores exóticas, oferecido por uma senhora a algumas convidadas ilustres. Na mesa, com a ronda silenciosa dos olhares a espreita do momento da gafe, cada uma tinha um pouco de medo de si própria. Mas não a senhora X.
Sempre muito querida e convidada por todos, aquela senhora nem percebia a tensão das demais e reduzira o ‘evento almoço’ a apenas almoçar.

‘Entre gestos delicados e grande tranqüilidade, devorou com prazer o cardápio francês – mergulhava a colher na boca, e depois olhava-a com muita curiosidade, resquícios da infância.’

A gíria cool não era aplicada naquela década, mas o fosse, seria a melhor definição da senhora X.

Sean Penn

Esta palavra gringa, usada por revistas descoladas e sites moderninhos, quer dizer, ao pé da letra: fresco, frio, tranqüilo…mas é, como se sabe, aplicada para se referir à pessoas e coisas admiráveis ou bacanas.

Srta. cool? - Recentemente foi lançado um livro chamado ‘Tão Ontem’, escrito por Scott Westerfeld, cuja personagem é uma cool hunter - ou caçadora de tendências. A menina tida como supercool é basicamente uma jovem metida a rebelde, que mora em NY, tem cabelo raspado, se acha inovadora e é contra tudo que é pop – Sim, mas ser cool não é bem isso.

cool23.jpg

Cool é um admirável jeito de ser e de agir livre de qualquer esforço.

É a mudez agressiva de Kate Moss; É a poesia de Vinicius; É a ousadia de Dudu Bertolini; É a voz de Bob; É o talento da Fernanda Torres; É o rebolado de Mick Jager; É o jeito de falar de Jack Jonhson.

Você e eu somos cool sem saber.
O seu momento mais cool pode ser em casa, cozinhando de camisa e chinelo ao som de um blues; ou no trabalho, enquanto defende com paixão uma idéia; ou solto numa festa, depois da segunda taça, dançando sua música preferida;

- O fato é que só e consegue ser cool quando não se sabe que o é.

Bem, é claro que depois de saber (que o que se faz naturalmente causa encanto) fica mais difícil seguir com a despretensão, já que, de todo modo, o esforço e a intenção aniquilam seu potencial cool.

cool71.jpg

O desejo de impressionar, ou a naturalidade fingida das convidadas do almoço descrito por Clarice, é ruim, é hot.

Quem sabe mesmo das coisas, principalmente de si, e é descolado das pretensões, é como a senhora X, é brisa, é cool.

Maria Sanz Martins.



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