Bem vindo ao noProvadoR.com

Este blog foi criado para tirar dos cabides pensamentos que devem ser experimentados. Não tenha receio de entrar neste ProvadoR que se propõe a ser amplo e livre de preconceitos. Entre. Prove. E fique à vontade para Levar o que quiser.
 

Arquivo de Janeiro, 2008

29 de Janeiro de 2008 - 21:03

Vale Tudo!


Fazer o que, se é da natureza do ser humano a atração pelo proibido?
- E se justo nesses 4 dias, autorizados pelo calendário, o estranho é ordinário..?!

Quando chega o carnaval, quem não tem o quê, inventa razão para comemorar.
- Pra começar: é ou não é demais termos um feriado inteirinho para sermos todos iguais? Cada qual com seu apito numa grande tribo-sem-chefe, onde tomar banho de cerveja, pode; homem se vestir de mulher, pode; pagar mico, pode; chorar de alegria, pode; se fantasiar, pode; beijar na boca e sambar até cair, deve!

O carnaval é um vale-tudo do bem. Ganha quem souber brincar mais e melhor. - Sim, por que a Dona Ressaca é uma senhora rabugenta. Ela fica na espreita e pega pesado com qualquer deslize Joselito – Joselito não sabia brincar.

Na bagunça sobra purpurina, ziriguidum e alegria, só falta mesmo a eira e a beira – mas delas ninguém sente falta..
E foi inspirado nesses deliciosos excessos de carnaval que noProvadoR convidou 4 amadas peças raras para encarnarem os 4 dias de folia que nos esperam.

Inspire-se nelas para se jogar!

- Enjoy!

SÁBaDo: vai começar com Fernandinha De Prá!

DominGoo - luxo de feriado com Carol Machado..

A segunda de Carnaval é de Regina Leal!!

Chegou terça-feira, mas não vale chorar.. Pense na Pilar!

*(Veja mais no link ‘Fotos’)

*Styling e Maquiagem MariaSanz
*Fotos Lucas Aboudib
*Studio noProvadoR

- Valeu memináás!!!

Maria Sanz Martins

- ei, ouça a rádio noProvadoR!



comentários (15)  
22 de Janeiro de 2008 - 18:58

Inverno 2008


::PodeR::

- Sempre fui fascinada por títulos… Acho incrível o potencial que têm as palavras para representar por si só uma história, uma década, uma novela ou uma temporada de moda..

Durante essa temporada do SPFW, a cada desfile eu percebia uma mesma palavra sendo soprada lentamente em meus ouvidos. Como uma espécie de dialeto silencioso emanado pelo fogo-gelado de Tufi Duek; pelo fetiche-glam de Fause-Haten; pelos couros sintéticos (ou não); pelas franjas espaçosas que balançaram em quase todas as passarelas; pelo western-chic de Reinaldo Lourenço; pela imponência dos volumes, especialmente nos ombros; pelas trilhas dos desfiles da Cori e da Neon; pela agressividade inteligente de Alexandre Herchcovitch; pela coragem da mulher de André Lima; e por tantos outros detalhes, que no final de tudo, me levaram a escolher a palavra ‘Poder’ para traduzir aquela porção de sussurros.

Se ‘Poder’ significa ‘deter o direito de agir pela posse de algum tipo de força’, temos que a mulher proposta para o inverno, é no mínimo vigorosa e guarda consigo a força das heroínas que, tal qual as personagens de Hitchcock, são lindas e sofisticadas, mas também podem ser perigosas.

Drama - Com um tipo de atitude forte o bastante para impor distancia, a moda deu um chega pra lá no açúcar e no afeto, convocando um exército de modelos gélidas vestidas em couro preto, pantalonas de cintura alta, ombros largos, tachas, xadrezes, maxi-coats, maxi-cintos, maxi-bolsas, coletes, franjas, tricôs – sim, maxi-tudo; teve também muita modelagem sarouel, quimonos de couro, saia-lápis, cintura marcada e muito drama, enfim.

Vale lembrar que dramático é o estilo que está além da elegância; imagine uma elegância quase excêntrica, com vontade de exagero, de contraste e, sobretudo, de sofisticação.

Drama-queen - Por falar em drama, me lembrei da visita da Drama-Queen mor, Vivienne Westwood.
Além dar uma coletiva de imprensa e abrir sua exposição de sapatos intitulada ‘Shoes’, a estilista mais excêntrica de todos os tempos fez uma leitura-performance de seu Manifesto Pró-Cultura e Anti-Propaganda (active resistance to propaganda).
Para um pequeno e seletíssimo grupo de pessoas, a leitura aconteceu no anfiteatro do MAM e contou com vários artistas, que se revezavam nos papeis do texto – eu, que tive a sorte de ser convidada por uma amiga querida, que tive a soorte de conhecer estudando no Marangoni de Milão e que hoje comanda a cena(!), fiquei extasiada, agradecida e emocionada com a experiência.

*Prometo que muito em breve escreverei aqui uma peça sobre a leitura do incrível manifesto de Vivienne Westwood;

Pois bem, voltando ao título da cena fashion em questão, devo dizer que fiquei satisfeita com a moda apresentada na temporada. Primeiro por que, como dito na peça anterior, estava sentindo falta de uma moda que deixasse a mulher com cara de mulherão mesmo - e nesse quesito foram destaques os desfiles de Tufi Duek; Reinaldo Lourenço; André Lima e Lino Villaventura.

No quesito ‘sob nova direção’ os destaques são Zoomp, que agora tem Alexandre Herchcovitch à frente da criação; e a Cori, que agora está sob a batuta da dupla Dudu Bertolini e Rita Comparato;

No quesito ‘revolução’ aplausos para a Osklen, que apresentou uma moda hi-tech muito fina e descolada; e para a estreante Amapô, que simplesmente arrasou com nos franjões e na trilha RPM– pre-ciso de uma pochete de franjas douradas!

Ah, e no quesito ‘desfile-show’, por favor uma ôla para a roqueira Fábia Berscek, que cantou um rock’n roll ao vivo durante seu desfile; para a Neon, cuja trilha sonora e imagens ainda não saíram da minha cabeça; e para Gisele Nasser que, mascarada, assistiu da boca de cena ao seu próprio e muito bem feito desfile.

No mais, o que fica dessa temporada é o desejo de que no inverno as mulheres entrem no clima do título desta peça; fica também o desejo de que o manifesto de Vivienne caia nas mãos e ouvidos de todos os interessados num futuro melhor; e é claro, fica a saudade dos colegas de temporada… Até a próxima pessoal!

Maria Sanz Martins.



comentários (11)  
15 de Janeiro de 2008 - 11:34

genial, sensorial e cultural


Marina da Glória, RJ – Escuro. Um segundo de silêncio e começa um som pesado, guitarras e bateria - uma depois a outra. Ascendem-se as luzes, adentra a passarela uma modelo loira com um casquete eqüestre preto traçado por um tecido pregueado xadrez, que desenha na cabeça um moicano. O vestido lápis é tomara-que-caia também no xadrez preto com fundo rosa. As pernas são opacas e os brincos dourados e enormes. A roupa é elegante, tem uma certa austeridade, mas não perdeu o deboche. Prende a atenção, me faz lembrar Londres, me faz pensar em rock e desejar a saia lápis rosa de pregas horizontais..

O desfile era a estréia da jovem estilista capixaba Giulia Borges, que abriu o primeiro dia do Fashion Rio na Marina da Glória. Como ele, tantos outros me emocionaram, me trouxeram lembranças, aguçaram idéias e criaram desejos.

Como se sabe, um desfile pode acontecer num museu, como fez a Tessuti, num galpão no cais do porto, como fez a Redley, no Copacabana Palace, como fez Victor Dzenk, ou numa das tendas armadas na Marina da Glória – bons ou ruins, grandiosos ou não, o resultado comum é sempre um rastro de sensações.

Me emocionei com o deleite visual dos bordados da Apoena; com a voz de Elis e com rendas pretas de Graça Ottoni; com as cores e a chuva de papel de Mara Mac; com as divas e seus cabelos a la Veronica Lake da Sta. Ephigênia; e com o a sofisticação bem resolvida da Têca.
E, mesmo sem lembrar de maiores detalhes de cada um deles, como disse, o que fica guardado são imagens e sensações.

Assim como eu, mais cedo ou mais tarde você também verá as fotos ou o resultado final desses desfiles. E, seja na internet, na tv ou ao vivo, o contato com a ‘nova’ moda será uma refrescante experiência sensorial - que em breve estará disponível nas melhores magazines da cidade, é claro.

(moda x arte x cultura)

- Para você, moda é arte?pergunta do UseFashion Journal ao ‘artista da moda’ Maurício Ianês.

- Não. Isso é uma concepção errada do que é moda e do que é arte.resposta do stylist.

Ok. Mas, apesar da teórica distancia imposta por seus conceitos, moda e arte relacionam-se intimamente num território que tanto as alimenta quanto as devora: é a chamada ‘indústria cultural’.

Seja entretendo, educando, moldando hábitos ou aumentando o consumo, tanto a promiscua moda quanto a aristocrática arte fazem parte do rol de peças fundamentais de uma cultura.

* Até o final do século XVIII, o termo germânico Kultur era utilizado para simbolizar os aspectos espirituais de uma comunidade; já a palavra francesa Civilization referia-se às realizações materiais de um povo; E a partir da síntese desses dois conceitos, Edward Taylor cunhou o vocábulo inglês Culture.

Como complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costume, ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem enquanto membro de uma sociedade, a cultura pode ser simploriamente determinada como uma lente através da qual o homem vê e experimenta o mundo.

“Indústria” cultural seria, portanto, o conjunto de empresas e instituições cuja principal atividade econômica é a produção de cultura com fins lucrativos e mercantis.

No sistema de produção cultural encaixam-se a tv, o rádio, jornais, revistas e entretenimento de modo geral; que sejam elaborados de forma a aumentar o consumo, moldar hábitos, educar ou informar.

**A moda é um produto impregnado de valores que sintetizam emoções; capaz de modelar hábitos, gerar consumo e, conseqüentemente, lucro.

Em todo o mundo, as semanas de moda acontecem para informar ‘o que será usado’ na temporada seguinte aos lojistas e revendedores da ‘roupa-pronta’ , e para provocar o desejo do consumidor final.

Desse modo, através de experiências e sensações (como as por mim descritas e experimentadas) as novas ‘tendências’ têm tempo para se massificar e instigar o mercado, minimizando assim os riscos do alto investimento feito pelas marcas e estilistas na matéria-prima e na produção.

- É genial!
Usável, inteligente, comunicadora, estética e sensorial - a moda é ou não é um dos melhores produtos da nossa Indústria cultural?

Maria Sanz Martins



comentários (7)