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Arquivo de Fevereiro, 2008

28 de Fevereiro de 2008 - 8:02

vestida pra matar


(debaixo do copo)

No fim da tarde e no começo da vida
Correndo nas veias
E a cada vinte e um dias
Em você, mais ainda

É dos infernos e do coração.
Para o carro
O transito
A festa
E minha atenção.

É do prejuízo e da pimenta
É chinesa, oriental
E nessa noite, a principal

Há quem ame o poder de vestir-se da vivíssima cor
E há também quem considere completa falta de pudor.

Há as que encarnam pelo lado de fora a mesma vitalidade que as cora
E há também as que o fazem pela conveniência da hora.

É da viva brasa
Do ódio e do amor
É nada mais que uma cor
Que justo em você, me matou.

Pedro 9887453

red_Heidi Klum

Bang Bang

Me apresento: Sou Pedro Henrique, um típico garçom-charmoso. Não que seja pretensioso, digo isso por que costumo ouvir mulheres cochichando – e, não que seja um enxerido, mas por alguma razão oculta mulheres acreditam que nós garçons somos surdos.

Sou um universitário metido a poeta, mas ainda trabalho no balcão de Carrara do bar de um restaurante bacana, desses onde se toca piano; e tenho a convicção de que a linda mulher que acaba de se sentar não é nada típica – ou, muito pelo menos, não deseja sê-lo.

São 11:15 p.m., olho o relógio e para ela de novo. Estou certo. Ela é escan-dalosa-mente linda. Não consigo ver seus pés, mas tenho a certeza de que ela tem pernas longas – reparei seus dedos compridos. Olhos puxados e cabelo curto. Toma de canudo o coquetel que eu mesmo preparei, enquanto fala ao celular e ri um riso de-li-cioso - que está me desconcentrando. Hum..acabo de verificar que coloquei licor de pêssego na piña colada do Dr. Davi…

Já faz mais de um ano que trabalho nesse bar e estou bem acostumado a ver modelos e gente famosa, mas nunca aquela garota, que chegou chegando vestida de vermelho e se sentou no balcão me pedindo que sugerisse um drink:

- Nossos mojitos são famosos.
- Hum… fresco demais.
- Sex on the beach.
- Doce.
- Manhatan, minha especialidade.
- Fechado. – Disse enquanto ajeitava decididamente o decote tomara-que-caia.

Apanhou o celular e gastou uma conversa intima, mas sem ambição – na certa uma amiga – (essa é outra coisa que aprendi: mulher gosta de parecer ocupada enquanto espera alguém).

Quando um homem baixo e de óculos chegou, ela despediu-se da conversa e guardou na bolsa o telefone.
Beijaram-se no rosto. Ele quis saber o que ela estava tomando, acenou com a mão e pediu uma coca-cola litgh, com pouco gelo e sem limão.
Conversaram seriamente por alguns minutos. Depois, ele calmamente passou uma das mãos pelos cabelos grisalhos e com a outra enxugou a primeira lágrima que escorria dos olhos dela. Então, levantou-se dizendo um burocrático ‘boa sorte’, deixou no balcão uma nota de dez reais e saiu do bar.

Com os cotovelos apoiados e mãos sobre as orelhas, ela cabisbaixa, sugou ululante os restos de drink misturados aos restos de gelo no copo longo de cristal.

Era minha deixa para uma manobra. Preparei mais um Manhatan, desta vez com menos angostura.

- Nem fresco, nem doce – disse colocando o drink diante dela.

Esboçando um sorriso e balançando a cabeça num gesto agradecido, foi se confessando:
- É exatamente o que eu preciso… tsc, acabo de saber que fui recusada para a campanha de uma marca internacional.

Que vida louca - pensei vendo a mais linda mulher sentir-se a última delas. E fiquei imaginando toda sua secreta audácia na hora exata em que escolheu cuidadosamente a perfeita cor para ouvir a resposta ideal.
Sim, sim, vestida para matar, como quem se veste para uma noite de Oscar – a garota estava certa, mas não preparada.

12:47 p.m. - Ela Me olhou agora. Olhos borrados e vestido vermelho. Essa garota tá me matando.

(..)

Acabei.
Escrevi num guardanapo um poeminha qualquer, coloquei debaixo do último copo de manhatan que servi pra ela e sai de cena. Estou quase morrendo. O bar está fechando.
Estou do lado de fora. Ansioso. Esperando.
Esperando.
Ela chegou.
Tumulto no meu peito -
De súbito - encostou a ponta do nariz no meu rosto e foi sussurrando:
- bang. bang – ela me beijou

e, enfim, me matou.

Maria Sanz Martins



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20 de Fevereiro de 2008 - 20:49

Apaixonados


ou, Questão de Interpretação.

“Ele não sabia que era impossível. Foi lá e fez.”

Esta frase, uma das mais celebres do cineasta francês Jean Cocteau, é, para mim, a melhor sinonímia da paixão.

Não duvide: É preciso muita paixão para criar além das possibilidades.
Ora, é o entusiasmo do tipo escandaloso, vivaz e corajoso que nos habilita a experimentar o improvável, impossível ou inimaginável.

Apaixonados são intensos, egocêntricos, ansiosos, inconscientes, destemidos, instintivos, vorazes, e, sobretudo, estilosos.

Sim, sim, um apaixonado de verdade não se envergonha de seus sentimentos e desejos, mas ao contrario, tem o atrevimento de viver cada um deles,- que de tão expansivos, transbordam para o corpo e impregnam a pele, os pelos, as roupas e os cabelos.

Um apaixonado de verdade se veste pelo exótico gosto de revelar cada um de seus, habitualmente confusos, sentimentos.

“O estilo é uma maneira muito simples de dizer coisas complicadas.”
(mais uma frase que atesta o brilhantismo do apaixonado Cocteau).

Pois bem, compreendendo que é através do estilo que algumas pessoas simplificam suas mentes ‘apaixonadas’, durante o último SPFW, noProvadoR foi até algumas delas para saber quais são as características e os personagens, reais e fictícios, cujos estilos lhes são inspiradores.

A estilista da Mona Thais Mol; a editora de moda Thaiz Sabbagh; a jornalista Patrícia Pontalti; a produtora musical Julia Pettit;o stylist Mauricio Ianês; o Dj Jonny Luxo; a dupla Neon Dudu Bertolini e Rita Comparato; o trendsetter da Box1824 Roni e o roqueiro Supla responderam:

- Qual o personagem de desenho mais estiloso de todos os tempos?
- E da vida real?
- Em que estilista/criador você reconhece estilo?
- E qual o traço comum e mais admirável na personalidade todos eles?

>>Thais Mol
A Valentina, do cartunista italiano Guido Crepax.
Luisa, vocalista do CSS (Cansei de Ser Sexy)
Olivier Theyskens, Nina Ricci designer
A multiplicidade

>>Thaiz Sabbagh
A Mulher Maravilha
Você! (ã..waleu gatona)
Ronaldo Fraga
A alegria

>>Patrícia Pontalti
O detetive Constantini
Petula Silveira, uma amiga incrível
Dudu Bertolini
Acho que a habilidade de customizar a própria identidade
;

>>Julia Pettit
Fantasma
Meu amigo Dudu Bertolini
Ah, o Dudu!
A característica de não se levar a sério

>>Maurício Ianês
Smurfete
Bjork
Rei Kawakubo
Sem dúvida, a honestidade

>>Jonny Luxo
Olívia Palito
Patrícia Field
Alexandre (Herchcovith), é claro!
A Liberdade!

>>Dudu Bertolini
Sheyla, da Caverna do Dragão e Carmem San Diego
Christine Yufon
Yves Saint Laurent
Autenticidade

>>Rita Comparato
Pica-Pau
Chiara Gadaleta
Kenzo
Coragem e Personalidade

>>Roni
Gato Felix
Tristan Berá
Hedi Slimane
Bom gosto

>>Supla
Batman
Eu, depois do meu pai
Vivienne Westwood
Honestidade

- E os seus? Quais são?
(..lembre-se, é só uma Questão de Interpretação)

- Cultive a paixão e desconheça as impossibilidades.
Mas conheça a fonte de sua inspiração - apaixone-se por si e diga, sem nada dizer, seu mundo inexplicável..

Maria Sanz Martins



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14 de Fevereiro de 2008 - 12:20

Dream a little Dream


a little dream

Querida,

Recebi seu enredo, obrigada. Não quis responder em cena porque sei que você vive envolvida nas infindas tarefas que cria e se submete. Optei por escrever-lhe também, assim, com calma.

Quero repetir o que há muito insinuava com cuidado e que agora afirmo com decisão: a escolha é sua – no caso, foi. – mas o papel ainda é meu.

Este não é um texto de ‘belas letras’, não tem beletrística, nem possuirá lógica literária. Aliás, seu pobre caráter não é fictício. Não é poético, nem foi romanceado. Acredite, ele é tão somente um vulgar desabafo.

Quando a história começou, e me propus a viver a seu favor, não podia sequer imaginar esse desfecho, mas como se sabe, isso é mesmo da vida literária. Ora, se até Macabéa se acabou..

Inefável, como és, me criaste em esquema, e como personagem que sou, vivo presa em seu enredo. Condenada a encarnar cada ordinária angústia tua, vagando a espera de quem sabe uma hora de estrela.

Eu sei, é papel meu viver cada coisa que é cada palavra. Então, espero, lavo o cabelo, choro, sorrio, passo batom, bato um bolo, sento, telefono, e faço tudo mais que saia como relâmpago de sua mente e chegue em choque às pontas de seus dedos cheios de unhas compridas e coloridas que fazem barulho no teclado branco e mole.

Como é mesmo o nome que se dá ao que está para acontecer… não me lembro. Tsc, queria saber dizer as coisas como você, mas não sei, então direi assim mesmo: Estou prestes a te trair.
É, não gostei do roteiro, cheio de idéias repetidas e roubadas. Não gostei do meu nome, nem da sua charada. Não quero mais ser história sua. Não sou mais sua personagem.

Eu que de sua vida nada sei, e que tantas vezes me recriei só para as surpresas que você me apronta, agora cansei. Por favor, me guarde num canto fresco e macio de sua memória e só me chame para enredos de festas, ou dias de glória.

Com carinho,
Sua Personagem.



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