Fenomenal
(Começa com M termina com A - Guess Who?)

Ela é um poderoso fenômeno da natureza (social).
Que com um simples rolar de idéia, da pessoa certa, na hora exata causa um terremoto na indústria cultural.
Que não importa se vem gotejando fininha de cima para baixo, ou borbulhando em erupção de baixo para cima, o fato é que quando ela vem, já sabe: quem não dança segura criança..
Ó, e não adianta torcer nariz, desdenhá-la ou espinafrá-la, por que, como disse, ela é da natureza, e como as tempestades e ventanias, quando chega é chegando: causa febre na mídia, lançamentos nas lojas, ansiedade nos nervos, encantamento nas retinas, desejo no coração, esvaziamento de bolsos, estouro em cartões de crédito e longos devaneios sobre sedução.
Sim, mas ela também é temporal, e assim como chega, de supetão se vai deixando saldos quebrados, armários revirados, alívio para uns e para outros, desolação…
Veja você o caso da menina que, na temporada passada, comprou três saias balonê; desenvolveu com Léa, a costureira de sua tia, a custo de muitas provas, uma técnica para fazer um vestido longo balonê; vasculhou brechós em busca de balonês originais da década retrasada, e enfim, depois de todo auê, abriu na sala de espera do consultório do Dr. Euclides, uma revista que dizia a maldita frase:
“Alô fashionistas, (…) nada é mais last year que uma saia balonê, guarde já a sua”.
(- QuÊ?!) Seu choque foi interrompido pelo som de seu próprio nome dito com preguiça pela secretária (..) - e a menina passou duas horas de boca aberta na cadeira do dentista – odiando aquela revista.
(Sorry, darling…Mas é papel da mídia divulgar os interesses comerciais de quem, como ela, lucra com o fenômeno.)
Aliás, tentar prevê-la, domá-la e domesticá-la é a ambiciosa tarefa da mídia, do comércio, da indústria e dos grandes estilistas, mas ela, rebelde por natureza, tem ritmo próprio – E é por isso que vai, vem, vira e mexe, dá um S em todo mundo e segue na contramão requebrando faceira (de saia balonê outra vez).
Maria Sanz Martins.