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Arquivo de Março, 2008

27 de Março de 2008 - 22:59

it’s a kind of MAgiC!


magic - uma impostora de verdade

No clássico ‘Bonequinha de Luxo’, meu romance preferido de Truman Capote, a personagem principal, Holly, que representa a própria encarnação do charme e do estilo, é uma mulher fascinante com habilidade de atrair para si todos os olhares e especulações.

Num trecho do romance, O.J Berman, um velho amigo de Holly, pergunta à Fred, o novo, e já encantado, vizinho da moça:
- “Então, o que você me diz: ela é ou não é?
- É o que? – retruca Fred.
- Uma impostora.
- Eu não diria isso.
- Você está enganado. É uma impostora. Mas você também está certo. Holly não é uma impostora porque é impostora de verdade”.

Ser apaixonado por suas próprias verdades é uma das condicionais do charme e do estilo. Ter a ousadia e a coragem de acreditar em si próprio garante a confiança necessária para se fazer mágica.

Sim, estilo é uma magia sem explicação que só acontece mediante a capacidade de ser fiel a si próprio – característica daqueles que, ou se conhecem bem, ou são apaixonados por si.
A bonequinha de luxo de Capote é, sem dúvida, verdadeiramente apaixonada pelos próprios desejos e ambições, e é exatamente esse interesse e confiança em si que fez deste personagem um magneto poderoso.

- ‘Style is a way of saying complicated things’. Jean Cocteau.

Como dito, o mistério é acreditar em si mesmo, mas nem sempre aquilo que pensamos ou em que acreditamos faz sentido.

Por isso, outro elemento que deve estar presente na química do charme e do estilo é a vulnerabilidade - A habilidade para flertar com o incerto é absolutamente necessária para a mistura dar certo. Ora, pessoas interessantes certamente não cultivam o medo de errar; elas sabem que esta erva-daninha é veneno para o autodesenvolvimento.

(- Lembre-se, nada pode ser mais chato e óbvio que viver (ou se vestir) para acertar.

Bare in mind: Só você, only yoou, detém a sua originalidade.-
isso é pura magia-.
Portanto, não se acovarde (faça mágica).

Maria Sanz Martins.



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19 de Março de 2008 - 19:35

vinte8


19dotrêsde2mile8.

Tissssssssss…

Sabe aquele chiado que sonrisal faz na água?
Então, é esse o som do dia de hoje. Não, não é ressaca de ontem, é que hoje acordei jogando uma pastilha efervescente de sabão na banheira pelando pra começar o dia e ouvindo esse barulho pensava que, como água pra pastilha, o tempo tá pra vida..

8:16

Tinha um livro nas mãos e tentava me concentrar na leitura, esquecer que era meu aniversário, mas só conseguia pensar em como sou fantasiosa e em como desde pequena transformo meus dias de aniversário em festas de 24 horas.
Aliás, minha carência de senso prático e meu excesso de idealismo teimam em fantasiar confetes e purpurina para cada singular minuto desses dias (19demarço é ‘tonificante’– disse isso na peça de aniversário do ano passado).

Pois bem, este ano, atolada em trabalho e envolvida em mil tarefas, fosse pelo cansaço ou pela falta de tempo, resolvi serenar: Tomar um tranqüilo banho e no lugar de fantasiar o dia, deixar que ele mesmo se pinte e me apresente sua fantasia.

Vinte8 anos é uma idade de substâncias
De certezas amadoras;
De projetos concluídos e inacabados;
De sonhos esquecidos, e muitos ainda sonhados
(pensava só..)

Vasculho com os olhos o banheiro enfumaçado. Vejo na pia um vidro vermelho e me dou conta do fato de que há 8 anos uso o mesmo perfume.
Não, não é por monotonia ou falta de vontade de experimentar coisas novas. É pela certeza no vínculo que estabeleci com esse cheiro (que acho que é meu!) e pela incrível sensação de conforto com uma simples borrifada dessa substância me dá (tisss..).

Agora reparo nos shampoos (são para cabelos normais); nas toalhas (brancas); no roupão (mania, que adotei da mamãe); na cor das unhas do meu pé (pink); na música que toca (um reggae) e na capa do livro que estou lendo (“Você já pensou em escrever um livro?”).

E nesse banho de espuma, ou minha festa particular, entendi que os vinte8 anos me trouxeram até esta manhã melancólica, morna e cheirosa, de certezas vaidosas, devaneios como constante e planos mirabolantes.
E que o dia - e a vida - ainda estão só começando, que tenho sonhos pra realizar; que o celular está tocando e eu preciso ir trabalhar.

Maria Sanz Martins.



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15 de Março de 2008 - 11:44

Fenomenal


(Começa com M termina com A - Guess Who?)

Fenomenal

Ela é um poderoso fenômeno da natureza (social).

Que com um simples rolar de idéia, da pessoa certa, na hora exata causa um terremoto na indústria cultural.

Que não importa se vem gotejando fininha de cima para baixo, ou borbulhando em erupção de baixo para cima, o fato é que quando ela vem, já sabe: quem não dança segura criança..

Ó, e não adianta torcer nariz, desdenhá-la ou espinafrá-la, por que, como disse, ela é da natureza, e como as tempestades e ventanias, quando chega é chegando: causa febre na mídia, lançamentos nas lojas, ansiedade nos nervos, encantamento nas retinas, desejo no coração, esvaziamento de bolsos, estouro em cartões de crédito e longos devaneios sobre sedução.

Sim, mas ela também é temporal, e assim como chega, de supetão se vai deixando saldos quebrados, armários revirados, alívio para uns e para outros, desolação…

Veja você o caso da menina que, na temporada passada, comprou três saias balonê; desenvolveu com Léa, a costureira de sua tia, a custo de muitas provas, uma técnica para fazer um vestido longo balonê; vasculhou brechós em busca de balonês originais da década retrasada, e enfim, depois de todo auê, abriu na sala de espera do consultório do Dr. Euclides, uma revista que dizia a maldita frase:

Alô fashionistas, (…) nada é mais last year que uma saia balonê, guarde já a sua”.

(- QuÊ?!) Seu choque foi interrompido pelo som de seu próprio nome dito com preguiça pela secretária (..) - e a menina passou duas horas de boca aberta na cadeira do dentista – odiando aquela revista.

(Sorry, darling…Mas é papel da mídia divulgar os interesses comerciais de quem, como ela, lucra com o fenômeno.)

Aliás, tentar prevê-la, domá-la e domesticá-la é a ambiciosa tarefa da mídia, do comércio, da indústria e dos grandes estilistas, mas ela, rebelde por natureza, tem ritmo próprio – E é por isso que vai, vem, vira e mexe, dá um S em todo mundo e segue na contramão requebrando faceira (de saia balonê outra vez).

Maria Sanz Martins.



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