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Este blog foi criado para tirar dos cabides pensamentos que devem ser experimentados. Não tenha receio de entrar neste ProvadoR que se propõe a ser amplo e livre de preconceitos. Entre. Prove. E fique à vontade para Levar o que quiser.
 

Arquivo de Abril, 2008

27 de Abril de 2008 - 2:19

Avoid the Cliché


Não, não é o nome de um perfume - (mas poderia ser).

- Essa peça é um convite à imaginação.

Feche os olhos e cheire seus punhos.
Agora abra os olhos, a mente e o coração para ver e sentir gotas em fotos e notas em cores. Deixe-se transportar e please, remember to avoid the cliché.

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Quando criança, me lembro com clareza dos momentos em que corria para cama de meus pais nas manhãs de sábado só para chafurdar a cara nos travesseiros da minha mãe. É que nas noites de sexta feira eles sempre saíam e ela, sempre linda, deixava pela casa um rastro forte que logo se esvaía - eram as notas de saídaos ingredientes mais leves e voláteis do perfume.
Na manhã seguinte, restavam para meu deleite, no lençol e travesseiros, as notas de fundo – ou seja, o último acorde, as notas mais densas do perfume.

Que delícia o restinho daquele cheiro que, para mim, era o cheiro da minha mãe, mas que na realidade, era o inconfundível Calandre.

Calandre, de Paco Rabanne, foi uma fragrância revolucionária na época em que foi lançada - mais precisamente, 1969.
Suas notas de saída são bergamota e aldeído e as de fundo, são um blend poderoso: vetiver, sândalo, cedro, musgo de carvalho, âmbar, civete e musk. Sofisticado e genioso, Calandre tornou-se um clássico da perfumaria feminina e certamente, como fez na minha, marcou a vida de muitas mulheres mundo afora.

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Pois bem, inspirada na imagem da fêmea loira, vestida de seda, batom rosa, sorrindo e me mandando beijos de despedida, que aquele cheiro deixou para mim, noProvadoR convidou 4 mulheres lin-das de tipos e tribos completamente diferentes para encarnarem a imagem de seus próprios perfumes.

Como forma de registrar imageticamente a magia que um cheiro pode ter ao marcar nossas vidas, cada uma delas se submeteu aos meus pincéis, às lentes de Marina Vivacqua e, é claro, a uma viagem pelos sentidos, que por aqui tornam-se, invariávelmente, féericos.

Enjoy (!): Ralph Cool de Ralph Lauren; Black Orchid de Tom Ford; Cheirinho de Bebê e Presence d’Une Femme de Montblanc.

- Respire profundamente, sinta as imagens, imagine e escolha a sua.

*Fotos Marina Vivacqua; Make up e Styling Maria Sanz Martins; Studio noProvadoR*

Silvia - Ralph Cool

Silvinha, Ralph Cool

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Berê - Black Orchid

Berê, Black Orchid

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Carlinha - Cheirinho de Bebê

Carlinha, Cheirinho de Bebê

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Carol - Presence d’Une Femme

Carol, Presence d’Une Femme

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- então? imaginou?

(um bj e um cheiro!)

Maria Sanz Martins.



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19 de Abril de 2008 - 11:44

ViTamina!


Pequenas, grandes, conquistadas, merecidas ou não, a vitória é sempre a doce recompensa do desafio, que é, por sua vez, estimulo e motivação para a superação, prova de valor e, sobretudo, para o desejo de sentir-se importante.

Foi Freud quem disse que uma das maiores forças motrizes do homem é, depois da sexual, o desejo de ser grande. A ânsia pela admiração ou importância seria, segundo psicanalista mais controverso de todos os tempos, uma das ignições do ser humano. Ainda segundo ele, com a sobrevivência garantida, o homem segue em busca de destaque, mérito, glória ou simplesmente vitória.

- Donde se deduz que, na vida, nada mais estimulante que uma boa competição.

disputa

Semanas atrás fui à palestra do admirável Nelson Motta, de quem sou fã e faminta, e tive o privilégio de ouvir de sua boca toda a história no nascimento e evolução da bossa nova e música popular brasileira - (aliás, a mesma contada, com mais detalhes e menos empolgação, em seu clássico “Noites Tropicais”). E desde então tenho pensando bastante sobre o fomento criativo que uma competição pode ser.

Ora, boa parte do fabuloso repertório popular nacional que conhecemos pelas vozes de Elis, Caetano, Jorge Bem, Erasmo, Simonal e tantos outros, nasceu graças aos famosos Festivais de música que, nas décadas de 60 e 70, geravam disputas entre compositores e interpretes, que debulhavam as melhores sementes de suas criatividades para competir, fugir das vaias, ser premiado e, com sorte, vencer.

Naquela época, a tevê Record era uma espécie de Hollywood tupiniquim: Detinha um imenso elenco de artistas contratados, se esbaldava com audiência acelerada pelas competições e tirava proveito das confusões e atritos criados entre vencedores e vencidos separados por pouco - já que naquele período todos eram, ou muito em breve seriam, grandessíssimos.

Também há poucas semanas, fui convidada para compor o júri de uma feira de moda onde competiam pelo primeiro lugar os alunos do curso de moda da faculdade Faesa. A disputa foi boa e deu para sentir a gana de cada um dos alunos-criadores, que deram o máximo de criatividade para construir pequenas coleções-de-verão que encantassem os jurados.

Presenciar o concurso reforçou a idéia de que pretender o mesmo objetivo simultaneamente é mesmo um estimulo vigoroso e, sobretudo, proveitoso. Sim, o esforço de cada um dos alunos-competidores no mínimo, e certamente, fortaleceu suas identidades como criadores e, de tabela, a de nossa cidade, que aos poucos começa a acelerar rumo decolagem.

vit

Se competir é mesmo saudável, fortalece e faz crescer, não sou eu quem pode garantir.
Mas diga você: qual a melhor oportunidade para expressão de si mesmo senão quando diante de um desafio? ou de uma competição?

ps- Eu que nunca me considerei boa competidora, dia desses me peguei envolvida num grande desafio e pude perceber que a experiência de lutar é vitamina pura; e que competir não faz mal, ao contrário, dá sustância, energia, coragem, diciplina e levanta a moral.

Maria Sanz Martins.



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12 de Abril de 2008 - 12:52

:: CoceiRa MeNtal ::


Subliminar é o estimulo não muito intenso que não passa do limiar da consciência, mas que, como se sabe, pode fazer toda diferença.

Quarta-feira, 22:00 horas – Começa no 41 o GNT fashion. Quinze minutos mais tarde, estou diante do espelho passando um batom vermelho. Ouço a vinheta do programa que recomeça depois do intervalo comercial e volto correndo para sala. Lá estava eu, sentada diante da tv, de camisola velha, cabelo embaraçado preso num coque e batom vermelho (!). Sem saber muito bem como explicar o pequeno surto, comecei a pensar no incrível poder de persuasão subliminar que tem a moda.

O programa começou com uma série de imagens de Paris, passarelas, desfiles e muita gente bonita ao som de uma batida moderna, que foram aquecendo aos poucos minha imaginação e, é claro, minha vaidade.
Então, ainda no primeiro bloco, entrou no ar uma matéria sobre batom vermelho: aí mais imagens, entrevistas, bocas e bocas, a música e mais e mais gente bonita – (!) - Foi assim que no primeiro intervalo comercial fui até o banheiro fazer um xixi inocente e quando vi já estava passando batom.
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* “A persuasão subliminar é a capacidade que uma mensagem tem de influenciar o receptor. Segundo a hipótese, toda mensagem subliminar tem um determinado grau de persuasão, e pode vir a influenciar tanto as vontades de uma forma imediata (fazendo por exemplo, uma pessoa sentir vontade de beber ou comer algo), como até mesmo a personalidade ou gostos pessoais de alguém a longo prazo (mudando inclusive seu comportamento). (..) A percepção subliminar é de fato comprovada cientificamente, com inúmeros experimentos que apresentaram fortes evidências“.

subliminar

- Quem resiste?

- Quem pode ficar imune aos estímulos e provocações (subliminares) especialmente da moda?

Ela é charmosa, quente, persuasiva e sutilmente vem atentar, criar desejo, impelir e futucar a vaidade.
Seja na revista, na tv, no jornal, na rua ou na sua vizinha, pequenas doses de uma mesma informação são capazes de operar o milagre do nascimento da vontade incontrolável de possuir – ou matar, o que estava nos matando – lembre-se de que a posse é o túmulo do desejo.

Me lembro como se fosse hoje de uma menina parada num ponto de ônibus em Milão, que usava chinelo, cabelo preso e um vestido que era qualquer-coisa uma linda despretensão que chamou com força minha atenção. Pedi para fazer uma foto (na verdade, naquele dia estava fotografando pessoas interessantes pelas ruas), ela parou e sorriu. E eu, que não tive coragem de perguntar nada (só elogiei com entusiasmo o vestido para ver se colava) fiquei morta de vontade de ter um daqueles, mesmo sem saber o que fazer ou por onde começar.

*(nota: e você acredita que dias depois, remexendo nas araras de desconto da H&M eu encontrei um idêntico! (Ahaha) aí pronto, matei com gosto aquela coceira).

.Mas as mensagens subliminares da moda também são combustiveis de criação.
Faça o teste: Antes de se arrumar para sair, dê uma olhada numa revista de moda. Folheie com atenção os ensaios, ou editoriais, e deixe-se levar pela fantasia proposta em cada foto. Depois perceba como sua vela-da-vaidade ficou inflamada, acesa quem sabe, dependendo da força das imagens.

Pois bem, se ela por um lado coça, atiça e tira o sossego, por outro ela inspira e nos faz criar novas possibilidades.
É que o cérebro vai armazenando no inconsciente os resíduos daquilo que vemos, ouvimos ou sentimos e, de repente, uma faísca de nada faz um incêndio enorme e (eureca) nasce uma idéia iluminada.

idéia

Seja um comercial de creme dental que te faz correr para escovar os dentes; ou a história livro que te faz ligar com saudade para alguém; seja o vídeoclipe que te deixa com vontade de sair para dançar; ou Sex and the City que, invariavelmente, me deixa com muita, mas muita vontade de me arrumar, passar perfume e namorar.

- São todos desejos urgentes, uma coceira mental, que é coisa incontrolável, vontade que se quer matar.

Maria Sanz Martins.



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