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Arquivo de Maio, 2008

25 de Maio de 2008 - 15:15

Z de Vitória


Todo ser é eixo.
(Eixo de memórias, medos e desejos).
A mente incessante que gira impetuosa dentro do corpo refém e o mundo vertiginoso que gira gigante ao meu redor.
Pulsa e Pulsa. Inspira e Expira. Dia e Noite. Noite e Dia. Pergunta e Responde. Dilata e Contrai. Abre e Fecha. Levanta e Cai. Lembra e Esquece. Pinga e Seca. Pulsa e Pulsa e Pulsa. Incessantemente.

Grupo Z de Teatro - por noProvadoR

Depois de ter assistido “Quatro Intérpretes para Cinco Peças” e “O Grande Circo Ínfimo”, ontem foi a vez de me encantar com “Incessantemente” do Grupo Z de Teatro. Sim, sou arrebate novo na platéia dessa trupe que dança, representa e, sobretudo, acelera meu pulsar.

Incessantemente é um sopro forte com cheiro doce, que bagunça os cabelos e ataca os sentidos. Chama a consciência pra brincar com poesia que salta, cai, levanta e pula fazendo a memória girar.

Não esse não é um espetáculo de dança, nem é teatro. Incessantemente é um blend de linguagens que o grupo Z tem a ousadia de oferecer. E a nós, cabe beber, secar o copo, lamber os lábios, gritar “Bravo” e agradecer.

Sinceramente, sinto profundo orgulho de ter em Vitória um grupo de teatro corajoso que não se escora nas dificuldades e trabalha com paixão na construção de sua própria identidade, que, inevitavelmente, rebocará planeta afora, também, a de nossa cidade.

Este espetáculo já recebeu o prêmio Funarte e patrocínio da Lei Rubem Braga, mas de todos os suportes, prêmios e críticas elogiosas, o melhor fruto deste trabalho é o que nascerá lentamente: De delicada flor perfumada, que atrai atenção, vai se transformar em eixo, ponto principal - fruto maciço, cujo caldo maduro vai contaminar esse solo e fazer germinar outros pequenos e novos.

- Parabéns ao Grupo Z! Que a jornada do florescimento seja incessante - Para o Alto e Avante!!

Se você mora em Vitória, não deixe de assistir hoje (domingo, 25 de maio), às 20:00hs, no Teatro Galpão (que fica na Reta da Penha, em frente ao Wall Mart), à peça INCESSANTEMENTE.
* (Os ingressos custam R$20,00 inteira e R$10,00 meia. – Outras 5 apresentações acontecerão nos dias 29, 30, 31 de maio e 1º de junho).

Maria Sanz Martins.



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19 de Maio de 2008 - 4:33

VAi!


(montada).

Em Londres, fala BoomBox; em NY, MisShapes; em Vitória, Cabaret; e em São Paulo, Vai!

No ano passado, em pleno domingo, absolutamente montada, ia “eu” no metrô rumo à Hoxton Square para, enfim, conhecer a BoomBox. Há tempos queria ver de perto a força da montação londrina e participar desse movimento que é um misto de música, moda e brincadeira.

As festas pró-montação são uma espécie de mega-BIS do movimento clubber do final da década de 80, e o melhor: são absolutamente incríveis porque chamam a cigana fashion que existe em nós pra brincar.
- E você já sabe: quando a gente chama, ela vem (e vem com força, ai).

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Desde março, com o lançamento da festa Vai! do Freak Style, em SP; com a Cabaret da AntiMofo, em Vitória, (que neste último sábado trouxe o dj Bezzi); e com tantas outras Brasil afora, me parece que vamos, enfim, começar a curtir um pouco de montação-para-todos por aqui também.

- Então a ordem é aproveitar. Brinque, se pinte, se monte e se alguém perguntar por que tanta afetação? Não tente explicar, diga: vão!

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*Ela Foi!*

Apontador, corretivo, base, pó, sombra, rímel, delineador, curvex, lápis, cotonetes, blush, pincel. Tudo misturado dentro da pia de louça azul que gotejava. - Ela odiava aquele banheiro sem bancada, de espelho pequeno, luz fraca, azulejo ordinário e parede descascada.

Morava de favor na casa da tia e era agradecida, mas sonhava um dia viver em casa clara, sem gatos, sem carpete marrom e sem cheiro de gordura guardada.

Viera do interior da Bahia fazer faculdade e se apaixonou pela grande cidade.

De manhã, rio manso, estudante de geologia. À noite, pé de vento, festeira, uma farrista. Aprendeu a fumar, a beber e a dançar até a noite virar dia.
Miss-Simpatia, tinha sotaque dengoso e era bonita de dar gosto - seu nome chegava às listas e ela entrava linda nas festas, sem nenhum esforço.

*Era noite de Vai!
No banheiro úmido, a pia pingava e ela lambia a ponta do cotonete pra acertar o traço do delineador. Se olhava nos olhos bem dentro do espelho e se perdia. Voltava logo, vaidosa e muito detalhista, não sossegava sem a perfeita simetria.
Passava a sombra com dedo e colava com tenaz os cílios postiços. Ouriçada com a pintura, era caleidoscópio em movimento, que transforma a fisionomia. - (Do lado de fora, vagarosa pelo corredor escuro, tsc, tsc, fazia a tia).

Bi-Bi buzinava a turma toda dentro do carro espremida. Punha a cara na janela a menina:

- Shiiiii, não buzina.

Calça a sandália. Bate mais blush, mais laquê, mais pó e mais perfume. Levanta o vestido, ajeita a calcinha, calça as luvas, apanha a bolsa, apaga a luz.

- Abença minha tia.

- Você VAi ASSIM minha filha???

(A velha tia não entendia..)

vai3

Maria Sanz Martins.



comentários (11)  
5 de Maio de 2008 - 10:46

, mas muito SeXy.


ou, Quando me desencantei (por ela).

Segundo o rabino Nilton Bonder, a verdadeira intimidade (que é a expressão da possibilidade de ser honesto e espontâneo com o outro) é designo de satisfação, mas não é coisa concreta. - Intimidade é condição que se reconstrói a cada novo instante.

(..)

sex and intimacy

Era uma vez uma mulher igualzinha a todas as outras. Só que, além de inteligente, atrapalhada e ansiosa, como nós, fêmeas mortais, essa está sempre incrivelmente linda e muito, mas muito sexy - Exatamente como seria uma mulher de filme, se no caso, não o fosse de fato.

Tinha 3 intimas e boas amigas com as quais trocava segredos e desfiava os rosários de suas intrépidas aventuras amorosas. Encontravam-se sempre que podiam para almoçar, dividir o brunch de domingo ou simplesmente para um drink. - Cada uma delas vivia sozinha na ilha de pedras, mas sabiam que o que tinham de especial em suas vidas eram umas às outras.

Numa bela tarde de sol, ela, a protagonista, linda e muito, muito sexy, tomava um sorvete sentada num banco de praça e lambia os dedos enquanto ouvia o drama de uma de suas amigas, que decepcionada, lhe contava em sofridos detalhes seu infortúnio episódio da noite anterior - (quando no exato momento em que, com a obstinada decisão dos tímidos, confessaria ao pai de seu filho que o desejava novamente, descobriu que ele, enfim, estava feliz e já namorava outra pessoa).

A dramática história mal havia chegado ao fim quando, mais que de repente, a protagonista avista do outro lado da rua, à uma considerável distância, um rapaz que falava com despretensão ao telefone e simplesmente sur-ta.

Apavorada, ela se esconde entre os dedos melados explicando que a roupa que ela usava não era a planejada, e que ele não podia vê-la daquele jeito (não se engane, ela está sempre linda e muito, muito sexy). Ela então levanta e corre como quem corre da fome, deixando para trás a amiga boquiaberta, que agora contabilizava uma segunda decepção.

- Fugiu da impossibilidade de surpreender um amante em potencial e da elegância de espírito (moral, ou de intimidade, como queria).

Dali a duas quadras, ainda ofegante, ela se escora num telefone público para recobrar o fôlego e se depara com o letreiro do filme que mais tarde assistiria com o moço.
Dando-se conta do próprio vitupério, decide de pronto telefonar para ele e, fingindo-se desentendida, pergunta se por acaso ele não estaria nas redondezas?

(..E enfim, como numa feliz coincidência, os dois foram ao cinema no meio da tarde. - É o fim do episodio).

- Quanto a amiga com cara de domingo no banco da praça?
- eu não sei, não se sabe..

sex and intimacy

Essa história não é minha, isso é coisa de filme, novela, já disse.

Mas sei que foi exatamente naquele momento, ou episodio, que me dei conta de que, apesar das tantas mini-desejáveis-coincidências entre nós mortais e essa mulher ideal, não ter limites na busca de estar sempre incrivelmente linda e muito, mas muito sexy é sinal de muita, mas muita insegurança.

- Insegurança, aliás, é o que na vida real, todas nós, fêmeas mortais, lutamos para controlar, e que somente umas poucas (e piores) trocariam em favor da verdadeira intimidade.

Maria Sanz Martins.



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