, mas muito SeXy.
ou, Quando me desencantei (por ela).
Segundo o rabino Nilton Bonder, a verdadeira intimidade (que é a expressão da possibilidade de ser honesto e espontâneo com o outro) é designo de satisfação, mas não é coisa concreta. - Intimidade é condição que se reconstrói a cada novo instante.
(..)

Era uma vez uma mulher igualzinha a todas as outras. Só que, além de inteligente, atrapalhada e ansiosa, como nós, fêmeas mortais, essa está sempre incrivelmente linda e muito, mas muito sexy - Exatamente como seria uma mulher de filme, se no caso, não o fosse de fato.
Tinha 3 intimas e boas amigas com as quais trocava segredos e desfiava os rosários de suas intrépidas aventuras amorosas. Encontravam-se sempre que podiam para almoçar, dividir o brunch de domingo ou simplesmente para um drink. - Cada uma delas vivia sozinha na ilha de pedras, mas sabiam que o que tinham de especial em suas vidas eram umas às outras.
Numa bela tarde de sol, ela, a protagonista, linda e muito, muito sexy, tomava um sorvete sentada num banco de praça e lambia os dedos enquanto ouvia o drama de uma de suas amigas, que decepcionada, lhe contava em sofridos detalhes seu infortúnio episódio da noite anterior - (quando no exato momento em que, com a obstinada decisão dos tímidos, confessaria ao pai de seu filho que o desejava novamente, descobriu que ele, enfim, estava feliz e já namorava outra pessoa).
A dramática história mal havia chegado ao fim quando, mais que de repente, a protagonista avista do outro lado da rua, à uma considerável distância, um rapaz que falava com despretensão ao telefone e simplesmente sur-ta.
Apavorada, ela se esconde entre os dedos melados explicando que a roupa que ela usava não era a planejada, e que ele não podia vê-la daquele jeito (não se engane, ela está sempre linda e muito, muito sexy). Ela então levanta e corre como quem corre da fome, deixando para trás a amiga boquiaberta, que agora contabilizava uma segunda decepção.
- Fugiu da impossibilidade de surpreender um amante em potencial e da elegância de espírito (moral, ou de intimidade, como queria).
Dali a duas quadras, ainda ofegante, ela se escora num telefone público para recobrar o fôlego e se depara com o letreiro do filme que mais tarde assistiria com o moço.
Dando-se conta do próprio vitupério, decide de pronto telefonar para ele e, fingindo-se desentendida, pergunta se por acaso ele não estaria nas redondezas?
(..E enfim, como numa feliz coincidência, os dois foram ao cinema no meio da tarde. - É o fim do episodio).
- Quanto a amiga com cara de domingo no banco da praça?
- eu não sei, não se sabe..

Essa história não é minha, isso é coisa de filme, novela, já disse.
Mas sei que foi exatamente naquele momento, ou episodio, que me dei conta de que, apesar das tantas mini-desejáveis-coincidências entre nós mortais e essa mulher ideal, não ter limites na busca de estar sempre incrivelmente linda e muito, mas muito sexy é sinal de muita, mas muita insegurança.
- Insegurança, aliás, é o que na vida real, todas nós, fêmeas mortais, lutamos para controlar, e que somente umas poucas (e piores) trocariam em favor da verdadeira intimidade.
Maria Sanz Martins.