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Arquivo de Julho, 2008

27 de Julho de 2008 - 23:21

à FanTaSia


Ou, Coisa de Menina.

Ágil, como a Mulher Maravilha diante do perigo, à primeira notícia de uma festa, a mente feminina prepara a artilharia e põe todos os neurônios combatentes em alerta para resolver ‘Com que roupa eu vou?’.
Tão logo abrimos o armário para analisar nossas fantasias de seda e cetim, descobrimos que nenhuma daquelas peças ainda guarda o mágico-poder de nos encantar - concluindo que a saída é mesmo sair em busca de uma roupa nova.

De fato: O Novo tem super-poderes (encantadores)… Ele guarda qualquer centelha mágica, como o cheiro da emoção que fica suspenso no ar durante uma estréia. O brilho da primeira vez de um vestido, por exemplo, é único, e resultado do poder da novidade, que de tão excitante pode ser perigosa. Sim, o Novo reproduz sensação de segurança e, por isso, pode tornar-se um vício.

É comum que nós mulheres sejamos atraídas para essa armadilha da moda. Não se pode negar: Vez por outra compramos autoconfiança em forma de roupa nova. Tentando preencher o vazio de nossas inseguranças, entupimos o armário - e detonamos nossos salários.

memina luiza

::(pra mim) Toda festa é à fantasia (!) ::

- A cada carnaval Amália, mãe de Luiza, costurava para a filha uma nova fantasia: Coelhinha, cigana, palhaço, baiana…Até que este ano, sem tempo que estava, Amália sugeriu que a menina repetisse a baiana:
- Ah, filha, não fique triste assim… A gente prepara outro colar, com outras frutas…Garanto que ninguém vai lembrar que você foi baiana no ano que passou.

Mas Luiza lembrava.
Não queria ser o mesmo personagem, havia esperado um ano inteiro para usufruir o direito de se fantasiar de novo.
Diante da decepção da filha, a mãe não fraquejou e tentou ensinar sobre a magia que impregna a roupa, mas que vem do coração. E assim, ensinou Luiza a ser o que quisesse com sua saia rodada e seu bustiê branco.

Com flores importadas do jardim de sua avó e colares herdados da festa de casamento de sua prima, a menina se transformou numa havaiana e foi sucesso no baile do condomínio onde morava.


Ainda que o infalível tempo mude nossas feições e também as da menina, ele não será capaz de mudar o fato de sermos mulheres – donde se conclui que, independente da idade, nós, as fêmeas, não perderemos jamais o desejo de usufruir dos super-poderes das novas fantasias novas.

Mas, mesmo reconhecendo esta peculiar (e natural) condição feminina, é fundamental, para a mente e, principalmente, para o bolso, desenvolver o delicioso hábito de reinventar as velhas roupas - *O truque é salpicar o pó mágico da emoção aquele produzido exclusivamente pelo coração.

*E como a Mulher Maravilha, acredite também nos super-poderes dos Acessórios - eles são ágeis e mentolados, capazes de refrescar completamente uma produção.

ww

Aproveite. Invente. Invista num encontro criativo entre você e seu armário. Façam já as pazes.
- Acredite!
E sobretudo, lembre-se do que disse a sábia dona Amália: Você pode ser o que quiser.

“Vontade de roupa nova” é coisa natural. É que nem sunday de caramelo, (ah!) de vez em quando não faz mal (!).

Maria Sanz Martins.



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21 de Julho de 2008 - 11:00

Lugar da Cintura


Como se sabe, a cintura é, sempre foi e sempre será, a parte média do tronco.

O termo “cintura-alta” só existe porque por um longo período, nas roupas, a cintura andou muito, mas muito baixa. Portanto, foi preciso subi-la de vez - tanto na estética, quanto na nomenclatura - para marcar categoricamente essa transição.

Na década de 50, em pleno pós-guerra, a moda passou a refletir o desejo de reconstrução. Naquele período, a família voltou a ser o principal valor. A mulher ganhou status de esteio social e a feminilidade passou a ser exaltada como símbolo revolucionário (!).

50’s50’s

Para moda, aquela foi uma revolução um tanto quanto conservadora, seja dito de passagem, já que a proposta do New Look de Dior ressuscitou o corpete, abolido por Paul Poiret na década de 20, remarcou a cintura e impôs a ditadura do bom gosto, “BCBG” ou Lady Like.

Dior - medida exataNew Look

A bem da verdade, Dior tornou-se mito por ter propiciado às mulheres a forma ideal de materializar a elegância, a feminilidade e o poder.

Mais tarde, na década de 60, os baby boomers, ou seja, os filhos da geração de 50, com a rebeldia típica da juventude, dizem basta à ditadura do New Look e subvertem a moda. Primeiro com a mini-saia, contestando os 40 centímetros acima dos joelhos indicados por Dior, e mais tarde, rompendo todas as tradições e desconstruindo todas as outras medidas.

60’s

A cintura, então vedete da elegância, caiu e não parou até chegar aos limites do quadril.

De lá pra cá, você já sabe, alturas e modelagens aumentaram, diminuíram, subiram e desceram. O que a moda nos oferece agora é uma nova forma de leitura da elegância.

Luciana Galeão verão 2009Animale verão 2009

Como se refletisse o desejo feminino de uma nova reconstrução, a cintura marcada retorna para dar um chega pra lá no “look grávida”, que há muito vem sendo propiciado pelo conforto das folgadíssimas batas.

É hora de experimentar.
(Enxergue a moda como ela é: nada além de uma sugestão).
:: A liberdade é uma conquista e o passado inspiração::

Encontre uma forma própria de modelar sua elegância, e lembre-se de que marcar a cintura pode ser uma boa opção!

Maria Sanz Martins.



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14 de Julho de 2008 - 1:22

Rei do Charme


Sabe aquela música que diz que toda menina baiana tem um jeito que Deus dá?

Pois é, existe um encanto, uma magia e um santo, que só Deus pode dar..

Ter ou não ter - são essas as únicas opções quando o assunto é charme. Verdade! Charme não se aprende na escola, não se compra na farmácia, não se manda manipular, nem dá na horta… (ou você ganhou de presente, e ele correr em suas veias, ou não).

É o tipo de coisa que em si mesmo pode ser difícil reconhecer. Mas, na música, na dança, nos timbres e ritmos, aí fica fácil perceber:
Todo charme é magnético. Atrai, movimenta, desconcerta, inspira, estimula e faz mexer.

black is beautiful

Sei que hoje (domingo, 13 de julho) é o dia mundial do Rock, o corajoso cinquentão que queria mudar o mundo. Mas, como sugeriu nosso roqueiro Cazuza, só para exercitar, vou nadar contra a corrente e lembrar de um outro gênero musical: O mais malicioso do mundo
- (hum..só entende quem namora…).

- É que ele é muito quente e dono de um charme latente.
- É rei da alegria, da mandinga e da sensualidade.
- Nasceu nos guetos e senzalas, passeia pelo morro, desfila no carnaval, é rei do baile e imbatível no quesito namoro, seja na cama, no carro, ou no cafofo.

Aqui no Brasil, como bem disse Gilberto Gil, ele nasceu na Bahia, que é dona de muitas primazias e feita de uma gente mesclada, oriunda de lindos negros e mulatas.
- Uma gente, aliás, muito bem presenteada como bem entendeu Nosso Deus.
E foi dos grandes o presente dado: ficou no timbre da voz, no jeito de dançar, na maneira deliciosamente bem resolvida de se olhar e se expressar.

Ficou na cor da pele, na sensualidade, no jeito fácil de lidar com a vontade simples de, por exemplo, beijar. (..se eu pedir você me dá moreninha, um beijo na boca? Dá, dá, dá ô neguinha.. - adoro essa música da capoeira)
- Todo dito é cantado. E o som é morno e nasalado.

Da cultura negra sou grande fã e, com sorte, força da admiração ou pela convivência, sou também descendente.

Minha eterna babá, a que ajudou a me criar e que até hoje faz parte da minha vida, é uma negra baiana, que se chama Aleluia (!). Ela é porreta! Faladeira, arretada, ciumenta e verdadeira.

Sim, conheço as razões para minha tamanha atração e apego ao jeito e às criações originais dos negros: Foi com Aleluia que aprendi a gostar da maneira de falar e do tempero; e minha mãe quem me ensinou a amar o que essa raça presenteada faz com a melhor da melhores pegadas: a música.
*(Se é black é bom - desde pequena aprendi essa máxima).

Bob Nina Simone

Amo uma batucada.
Samba, soul, blues, funk, reggae, hip hop e *charme. Amo, sobretudo, a genialidade de Bob Marley; a voz de trovão de Tina Tuner; a melancolia de Nina Simone; a sensualidade de Marvin Gaye; a malícia de Barry White; a sensibilidade de Ben Harper..

(Na roda da capoeira, canto e gingo fascinada; se a festa é black, danço com gosto, até alta madrugada; ouço reggae todo dia; e para namorar, o *charme sempre me deixa mais animada. - na verdade, não há tipo de batuque que me deixe parada).

black is beautifulblack is beautiful

* Ah sim, charme também é o nome de um estilo musical. Um ritmo melódico levado, batido, marcado, gostoso, sensual e balançado. É para dançar macio, swingado, sozinho ou abraçado.
É uma veia da black music, que como disse, é o gênero musical que pessoalmente considero o Rei (mais genial).

Maria Sanz Martins.



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