Rei do Charme
Sabe aquela música que diz que toda menina baiana tem um jeito que Deus dá?
Pois é, existe um encanto, uma magia e um santo, que só Deus pode dar..
Ter ou não ter - são essas as únicas opções quando o assunto é charme. Verdade! Charme não se aprende na escola, não se compra na farmácia, não se manda manipular, nem dá na horta… (ou você ganhou de presente, e ele correr em suas veias, ou não).
É o tipo de coisa que em si mesmo pode ser difícil reconhecer. Mas, na música, na dança, nos timbres e ritmos, aí fica fácil perceber:
Todo charme é magnético. Atrai, movimenta, desconcerta, inspira, estimula e faz mexer.

Sei que hoje (domingo, 13 de julho) é o dia mundial do Rock, o corajoso cinquentão que queria mudar o mundo. Mas, como sugeriu nosso roqueiro Cazuza, só para exercitar, vou nadar contra a corrente e lembrar de um outro gênero musical: O mais malicioso do mundo
- (hum..só entende quem namora…).
- É que ele é muito quente e dono de um charme latente.
- É rei da alegria, da mandinga e da sensualidade.
- Nasceu nos guetos e senzalas, passeia pelo morro, desfila no carnaval, é rei do baile e imbatível no quesito namoro, seja na cama, no carro, ou no cafofo.
Aqui no Brasil, como bem disse Gilberto Gil, ele nasceu na Bahia, que é dona de muitas primazias e feita de uma gente mesclada, oriunda de lindos negros e mulatas.
- Uma gente, aliás, muito bem presenteada como bem entendeu Nosso Deus.
E foi dos grandes o presente dado: ficou no timbre da voz, no jeito de dançar, na maneira deliciosamente bem resolvida de se olhar e se expressar.
Ficou na cor da pele, na sensualidade, no jeito fácil de lidar com a vontade simples de, por exemplo, beijar. (..se eu pedir você me dá moreninha, um beijo na boca? Dá, dá, dá ô neguinha.. - adoro essa música da capoeira)
- Todo dito é cantado. E o som é morno e nasalado.
Da cultura negra sou grande fã e, com sorte, força da admiração ou pela convivência, sou também descendente.
Minha eterna babá, a que ajudou a me criar e que até hoje faz parte da minha vida, é uma negra baiana, que se chama Aleluia (!). Ela é porreta! Faladeira, arretada, ciumenta e verdadeira.
Sim, conheço as razões para minha tamanha atração e apego ao jeito e às criações originais dos negros: Foi com Aleluia que aprendi a gostar da maneira de falar e do tempero; e minha mãe quem me ensinou a amar o que essa raça presenteada faz com a melhor da melhores pegadas: a música.
*(Se é black é bom - desde pequena aprendi essa máxima).

Amo uma batucada.
Samba, soul, blues, funk, reggae, hip hop e *charme. Amo, sobretudo, a genialidade de Bob Marley; a voz de trovão de Tina Tuner; a melancolia de Nina Simone; a sensualidade de Marvin Gaye; a malícia de Barry White; a sensibilidade de Ben Harper..
(Na roda da capoeira, canto e gingo fascinada; se a festa é black, danço com gosto, até alta madrugada; ouço reggae todo dia; e para namorar, o *charme sempre me deixa mais animada. - na verdade, não há tipo de batuque que me deixe parada).


* Ah sim, charme também é o nome de um estilo musical. Um ritmo melódico levado, batido, marcado, gostoso, sensual e balançado. É para dançar macio, swingado, sozinho ou abraçado.
É uma veia da black music, que como disse, é o gênero musical que pessoalmente considero o Rei (mais genial).
Maria Sanz Martins.