MiMetisMos
Já faz tempo que venho observando uma curiosidade: Pessoas se mimetizam (!).
Sim, pode ser um tanto estranho ouvir esta frase, mas é fato que as pessoas que andam juntas por muito tempo, sejam elas casais, irmãos ou amigos, com o tempo, e incoscientemente, passam a se mimetizar.
Ok, se eu fosse uma pesquisadora, estivesse fazendo um mestrado ou coisa parecida, este certamente seria o tema da minha pesquisa – por que, sinceramente sou louca para entender a explicação para este fenômeno - mas, como não passo de uma curiosa (eventualmente com uma câmera nas mãos), a única coisa que posso dizer é: Repare!
Procure enxergar as semelhanças entre algumas pessoas que caminham juntas pelas ruas. Lentamente você vai começar a perceber o que estou falando. Na verdade, algumas pessoas que convivem comigo sabem desta minha obcessão em reparar Par de Jarros pelas ruas, e algumas delas até já enxergam essas tais semelhanças.. Mas, como para você isso tudo poderá parecer uma grande bobagem, ou loucura, vou postar algumas das fotos que fiz nas viagens para Milão, San Diego, Londres e agora aqui em Sydney.
*Ah, vou postar também algumas definições sobre mimetismo, quem sabe alguém não tem uma boa idéia sobre toda essa história e me conta!

(bolsa, regata, topete!)



(bota, regata, bolsa, coque!)





(…) 


(Ciência) - **Trechos do artigo sobre mimetismo da revista Superinteressante.
“A mímica é a arte da imitação. Mas, embora seja uma palavra derivada de mímica, o mimetismo é na verdade um curioso mecanismo genético colocado em funcionamento por um processo de seleção natural.
Em outras palavras: É natural - nenhum animal chega a se parecer com outro movido por uma intenção (ainda que essa semelhança Ihe confira vantagem na luta pela sobrevivência).
A natureza está cheia de exemplos de animais miméticos. Existem moscas inofensivas que se parecem com vespas, serpentes não peçonhentas com o colorido das perigosas corais, e borboletas com desenhos de assustadores olhos de coruja sobre as asas”.

(Para pensar) - **Trechos do artigo “O desejo mimético”, publicado por Roberto Mallet.
“O “desejo mimético” é específico do homem. A imitação tem um papel decisivo no desenvolvimento de todos animais (como o próprio Aristóteles já reconhecia).”
(…)
“O sujeito espera que o outro lhe diga o que deve ser desejado a fim de adquirir esse ser [que lhe falta]”.
“Retornamos a uma idéia antiga, cujas implicações são talvez desconhecidas; o desejo é essencialmente mimético, ele se calca sobre um desejo modelo; ele elege o mesmo objeto que esse modelo.”
“Isto é evidente na criança. Um brinquedo que era apenas um dentre muitos outros torna-se desejável (e logo objeto de disputa) pelo simples fato de outra criança apanhá-lo”. (…) “O desejo adulto não difere em nada dele, salvo que o adulto, em particular em nosso contexto cultural, normalmente tem vergonha de se modelar sobre outro; ele tem medo de revelar sua falta de ser. O adulto declara-se altamente satisfeito consigo mesmo; apresenta-se como modelo para os outros; cada um vai repetindo: “Imitai-me”, a fim de dissimular sua própria imitação.”
“Se o desejo é mimético, o sujeito deseja o mesmo objeto que seu modelo, o que resulta em uma de duas situações: ou o sujeito encontra-se no mesmo mundo que o modelo, ou pertence a outro mundo.”
“Toda aprendizagem baseia-se na imitação“. (…) “À medida que esse mecanismo se desenvolve, os dois indivíduos vão se tornando mais e mais semelhantes, mais e mais indiferenciados (…).”

- E então, alguma idéia?
Maria Sanz Martins.