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Este blog foi criado para tirar dos cabides pensamentos que devem ser experimentados. Não tenha receio de entrar neste ProvadoR que se propõe a ser amplo e livre de preconceitos. Entre. Prove. E fique à vontade para Levar o que quiser.
 

Arquivo de Outubro, 2009

25 de Outubro de 2009 - 0:37

Dia de chuva


Domingo
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“A chuva me irritava. Até que um dia descobri que Maria é que chovia.”

[Nem sei se sou assim
tão Maria
Quanto essa chuvisíssima criatura das frases
de Carlos Drummond de Andrade

Sei que gosto de ser d’água
Que adoro a métrica
(E invejo a poética)
desta muito torrencial Maria]

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Além disso, ora veja,
dia desses encontrei um pequeno conto inspirado também numa outra chuvosa Maria
e no pluvioso caso de Carlos:

“Vivi meses por conta de maria. Do trabalho rotineiro e de maria. Chegava e já ligava para ela, recebia ordens, ia visitá-la, jantava - raramente ia ao cinema ou ao teatro. Uma pessoa difícil. Suave e carinhosa por vezes, cruel e sanguinária por outras. Os versos de Carlos a ribombar: “A chuva me irritava. Até que um dia, descobri que maria é que chovia”. Sento-me defronte à calçada, aguardo amigos que chegarão. Há tempos não chegava ninguém. E maria respinga, mas não chove mais.”

(— extraído de “Ruídos Urbanos”, de Moacyr Godoy Moreira)

E me peguei pensando:
Entre essa última, cruel e passageira, e a original, catarata mortal
depende do gosto
do rítmo e,
claro, da Maria.
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(A original por escrito)
Caso Pluvioso

“A chuva me irritava. Até que um dia descobri que Maria é que chovia.
A chuva era Maria. E cada pingo de Maria ensopava o meu domingo.
E meus ossos molhando, me deixava como terra que a chuva lavra e lava.
Eu era todo barro, sem verdura… Maria, chuvosíssima criatura!
Ela chovia em mim, em cada gesto, pensamento, desejo, sono, e o resto.
Era chuva fininha e chuva grossa, matinal e noturna, ativa…Nossa!
Não me chovas, maria, mais que o justo chuvisco de um momento, apenas susto.
Não me inundes de teu líquido plasma, não sejas tão aquático fantasma!
Eu lhe dizia em vão - pois que Maria quanto mais eu rogava, mais chovia.
E chuveirando atroz em meu caminho o deixava banhado em triste vinho, que não aquece, pois água de chuva mosto é de cinza, não de boa uva.
Chuvadeira Maria, chuvadonha, chuvinhenta, chuvil, pluvimedonha!
Eu lhe gritava: Pára! E ela chovendo, poças dágua gelada ia tecendo.
Choveu tanto Maria em minha casa que a correnteza forte criou asa e um rio se formou, ou mar, não sei, sei apenas que nele me afundei.
E quanto mais as ondas me levavam, as fontes de Maria mais chuvavam, de sorte que com pouco, e sem recurso, as coisas se lançaram no seu curso, e eis o mundo molhado e sovertido sob aquele sinistro e atro chuvido.
Os seres mais estranhos se juntando na mesma aquosa pasta iam clamando contra essa chuva estúpida e mortal catarata (jamais houve outra igual).
Anti-petendam cânticos se ouviram.
Que nada! As cordas d’água mais deliram,
E Maria, torneira desatada, mais se dilata em sua chuvarada.
Os navios soçobram. Continentes já submergem com todos os viventes.
E maria chovendo. Eis que a essa altura, delida e fluida a humana enfibratura, e a terra não sofrendo tal chuvência, comoveu-se a Divina Providência,
E Deus, piedoso e enérgico, bradou:
Não chove mais, Maria! - e ela parou”.

(Carlos Drummond de Andrade)

Mas,
de todo modo,
Complementam-se as poesias
Por que,
(de fato)
depois do domingo
vem a segunda
E Maria pára.
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Mas sempre respinga
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15 de Outubro de 2009 - 10:46

yet in LovE


(now, with aquarela).

Pasme – só dia desses eu descobri a tinta guache (!).
Mas, antes tarde - (eu gostei tanto e fiz tantas experiências, que detonei a mesa de casa).
A verdade é que estou apaixonada… (como é delicioso brincar com tinta e água).

*A idéia era só pegar a manha da coisa para resolver um catálogo de moda praia que vai misturar fotos e desenhos aquarelados. Mas, aí, já sabe, fui me empolgando e taí o resultado:

- 10 cartões apaixonados!

(Fiz um por um de coração, então, se você gostou de algum, fique muito à vontade - copie, cole e mande para o seu amado, marido, paquera, namorado…)

Com todo amor,
para os leitores do noProvadoR.

mariasanz-love-aquarela (amor efusivo)

mariasanz-love-aquarela (amor comparativo)

mariasanz-love-aquarela (amor de sair do chão)

mariasanz-love-aquarela (amor solidário)

mariasanz-love-aquarela (meu amor)

mariasanz-love-aquarela (amor de saudade)

mariasanz-love-aquarela (amor fashionable)

mariasanz-love-aquarela (amor de enrolação)

mariasanz-love-aquarela (amor embaçado)

maria,
de coração.



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1 de Outubro de 2009 - 0:10

Amo-os


Eu amo óculos escuros.

amooo.jpg

- Seja por absoluta influência da minha mãe, que desde que eu me entendo por gente usa óculos, às vezes, até em casa; seja por que pessoalmente (confesso) adoro uma máscara.

Acho delicioso poder mudar todos os dias de cara…

Mas, quem me conhece sabe que sou apegada - mas, quando me apaixono um óculos, não me importo de não variar, e uso, uso, e uso mesmo (até acabar).

Aliás, esses meus preferidos, mesmo capengas, com as pernas tortas e as lentes arranhadas, eu não troco por nada.

E, como alguns estão mesmo à beira da morte; e outros se desmantelando e precisando urgentemente de reparos, resolvi providenciar esta ‘blogomenagem‘:
- Com amor, aos meus óculos preferido. Pelos tempos que passamos juntos, pelas viagens, pelo enfeite, pelo disfarce e, sobretudo, pela utilidade. - Uma peça auto-retrato (para posteridade).

Apresento meus amores (por ordem de chegada…)

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Essa foto foi feita em julho desse ano, no The Rocks, aqui em Sydney. Mas, esses óculos foram comprados em junho de 2006, no meu primeiro dia de aula no Marangoni, na Italia. Eu tinha acabado de conhecer a Karin e a gente foi dar uma volta, e logo na primeira loja que a gente entrou pra peruar, que foi a Gucci do lado da escola, ela me mostrou esses óculos (que estavam numa bandeja de liquidação) e eu fiquei apaixonada. Voltei na loja pra namorar umas 3 vezes, até tomar coragem e (pimba) comprar. Ele já viajou comigo pra todo lugar, mas está prestes a se aposentar… as pernas estão frágeis, a armação torta… tsc, ih, não gosto nem de falar…

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Essa foto foi em San Diego, em…2007 - mas estes óculos são antigos… É um Adidas, que até hoje (da família dos óculos) é o meu melhor amigo! Ele ainda parece saudável, apresar de ser rebelde, e já ter se desmontado várias vezes (sozinho). Tsc, mas ele é uma alegria! Saímos juntos, eu e ele, para todo lugar, quase todos os dias.

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Essa também foi em SD em 2007. Eu adoro esses óculos, mas ele não vai muito comigo… Ele mora aqui na Austrália agora por que, como disse, está entre os preferidos, mas é um mal criado, (apesar de lindo) - (depois da primeira hora de uso ele começa a me apertar atrás da orelha). Por isso, só de raiva, ele foi substituído* por um outro, lindo, gostoso e bem parecido.

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Ah, esse foi meu primeiro Von Zipper… Amei, usei, e como usei esses óculos. Mas ele já é falecido. A lente se acabou. Ficou tão, mas tão arranhada, que mesmo quando eu insistia e usada ainda assim o coitado, enxergava tudo embaçado.
Ele agora jaz na gaveta branca lá de casa.

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Essa foto foi feita aqui em Manly, logo que eu cheguei na Austrália. Esse é outro Adidas irmão gêmeo daquele meu melhor amigo, só que a armação é branca - (sem comentários, a-mo, mesmo sendo um ‘repetido’!)

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Essa foto foi em Fiji (no dia do meu aniversário), mas esse Elmore foi comprado muito antes, com Pontalti e Miltinho, no último Fashion Week em que eu trabalhei, em São Paulo.
- Adoro! (apesar de ele já estar meio caminho andado para ficar todo danado..)

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Esse é outro Von Zipper. Ele é relativamente novo. (outro!?) Calma, - é que eu estava muito precisada de um turtle shell.. E além do mais, ele tem lente esverdeada e a haste dourada… (também é um companheirão também, tá!)

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Essa foto foi no Hugos aqui de Manly, em março, no dia da comemoração do meu aniversário.
- Sobre os óculos… Tsc, esse aí é aquela história… desde que o vi na campanha da marca enlouqueci.. Adorei o shape asa de borboleta, a lente degradè, e tudo, mas achava muito caro - (pô, comprar Prada no Brasil não faz sentido, é um absurdo).
Aíí… na semana do meu aniversário dei uma entrada boba na Sun Glass Hut aqui do Warringah - (pra quê!!)
Lá estava o raio do Prada como eu sempre quis… Roxo, em dólar e na promoção!!!!
Pronto, entrou pra familía e também mora no meu coração.

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Esse último é o tal substituto*. É um Elmore vermelho - gêmeo daquele branco..
Fazer o quê, se não resisto a vontade de repetir o que eu amo!

Ah… Era essa então, minha blogomenagem (para posteridade) da família de óculos escuros que eu não tiro da cara, nem do coração.

maria, com saudade.



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