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Arquivo de Fevereiro, 2010

28 de Fevereiro de 2010 - 17:51

Antes e Depois


Seu Golias vende discos de vinil no centro de Vitória. Vive de música e aprendeu a gostar dela quando o rádio era ainda novidade. André Paste é vestibulando e quase já nasceu brincando de jogar com as músicas na internet. Pega daqui, junta dali e André ganhou o mundo com os seus mashups sem sair de casa. Erildo é veterano do jornalismo diário. Fez história no primeiro jornal de Vitória e trabalhou com máquinas do tamanho de um fogão à gás. Do outro lado do mundo, Maria escreve colunas semanais para o jornal local e sem as novas tecnologias sua carreira estaria longe do sucesso que tem. Dona Cacilda e seu Máximo deram o primeiro beijo depois de dois anos de namoro. Raphael e Rafaela se conheceram em uma sala de bate-papo online e são casados há 6 anos. O que essas pessoas têm em comum?

Seis histórias. Dez anos. Seis encontros com a mudança e com a inovação. O que VOCÊ tem a contar 10 anos depois?

Esta é a sinopse de ‘Antes e Depois’, um documentário sobre alguns aspectos da evolução da comunicação no Espírito Santo nos últimos dez anos. Honestamente, ainda não vi o resultado final, mas estou pra lá de ansiosa!

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Primeiro porque (mui orgulhosamente) faço parte do documentário (!) – fui o ‘depois’ do jornalista veterano Erildo, que viu de pertinho o nascimento do jornalismo impresso em nosso estado.

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Além de ter participado, virei fã do conceito da e-brand. A agência foi criada e é administrada por jovens antenados ‘que fazem’!
A rapaziada que trabalha por lá coloca as boas idéias em pratica com coragem e criatividade.

- Bato palma!

Fiquei feliz de verdade em conhecer o trabalho das cabeças que certamente, em pouco tempo, vão bom-bar o mercado!

*(mete bronca daí pessoal, que eu vou daqui!
rolando a bola a gente chega na área!)

É isso…
O lançamento do documentário vai ser no dia 16 de março, no Cine Jardins.

** Sinceramente, queria já estar autorizada a divulgar o site da ’segunda etapa’ da campanha do documentário, com link para o convite para a estréia e tudo mais - mas me vetaram!
Então, logo mais eu volto aqui e atualizo o endereço com outras novidades.

(www.assistaantesedepois.com.br)

- BOa SeMaNA!!!!

Maria Sanz



comentários (11)  
17 de Fevereiro de 2010 - 21:44

exercícios


maria sanz

maria sanz

maria sanz

maria sanz

maria sanz

maria sanz

maria sanz

maria sanz

maria sanz

de maria
- (aprendendo fotografia).



comentários (10)  
2 de Fevereiro de 2010 - 20:32

Famintas


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Sentia necessidade de poder tirar das coisas uma espécie de proveito próprio, e repelir como inútil tudo que não contribuísse para a alegria imediata do coração, porque tinha um temperamento mais sentimental que artístico, procurando emoções e não paisagens”.

Acho lindo esse trechinho da descrição de Flaubert sobre a personalidade ainda jovial de Madame Bovary. Na verdade, aprecio, sobretudo porque me identifico. Também sou assim, de tipo que procura emoções em tudo - inclusive nos livros. Ah, tiro proveito mesmo! Do sol morno de manhã cedo; da música no rádio; do cheiro do café preto; do molhado da fruta, do abraço e do beijo.

Venero tudo que me traz alegria! Quanto ao que me deixa triste, ou é inútil às cordas do meu coração, repudio. Como Ema, sou movida pelo coração, procuro menos a paisagem e mais a emoção.

Talvez isso explique porque meus romances preferidos têm sempre a ver comigo. Não adianta ter beletrística, ser clássica ou famosíssima. Pra mim, literatura boa é aquela que tanto engorda quanto mata a pessoa. Ora, se não me roçarem na pele os personagens; se não me fizerem vestir-lhes os sapatos e os trajes; se eu não sentir a vaga certeza de que aquelas idéias me foram roubadas, deixo o livro de lado.
É como disse, preciso ser tomada, porque, na verdade, estou sempre em busca disso – (de sentir por dentro um reboliço).

Me espremo como posso, me encaixo. Deixo cair a seta, depois pinto um alvo em torno dela. Me encontro nas letras das músicas mais absurdas. Nos romances, nos filmes, nos contos, quadros e peças de teatro. Experimento sem pudor o esplendor dos céus poéticos e das paixões maravilhosas, dessas enormes, “de plumagem cor de rosa“.

Tenho o coração inquieto. Talvez seja afinal uma caçadora de emoção, como aqueles rapazes do filme de ação. Desejo secretamente uma vida de lua de mel, num país de nome aberto, onde o solo perfumado seja fértil para a felicidade. Ah, e também no trabalho, não suporto o marasmo, por isso talvez use palavras e imagens para distorcer como posso a calmaria das verdades.

Tsc, porque na vida real, vira e mexe me sinto deslocada. Como quando encontro por acaso a alegria, e preciso me controlar para não correr, atropelar, pular em cima. Claro, ser equilibrada é mais conveniente às pessoas da minha idade. Mas para mim é dificílimo sustentar o ar de enfado, quando por dentro estou sentindo alegria aos espasmos.

Tipo ontem, quando cheguei à exposição de arte e me serviram um champanhe gelado. Fiquei deslumbrada com as telas nas paredes e feliz com aquela simples, mas borbulhante, frialdade - deu vontade de rir, esticar os braços preguiçosamente para o alto, depois dar um abraço em quem estivesse do meu lado. Mas fazer a louca ali, não era o caso.

Também quando recebo um elogio sobre algum texto de domingo, sinto vontade de pular no pescoço do outro, fazer amizade, dar gargalhada, mas me comporto e digo sorrindo, com carinho, “muito obrigada”. Tsc, se me controlando já deixo muita gente assustada, imagine se eu relaxasse e agisse como costumo estar quase sempre – assim, emocionada.

Gulosa, sonhadora, desastrada, exagerada, parto para cima da vida como a menina que não sabe esperar a hora do ‘parabéns’, e vê na mesa de docinhos um bom motivo para acreditar que uma alegria (ou um brigadeiro) fora de hora, não faz mal a ninguém.

Sim, já não sou mais menina. Mas aos quase trinta, sinto ainda um alvoroço que vem não sei de onde, e como Ema na adolescência, ou Adélia Prado aos quarenta – sigo dizendo:

- Não quero a faca nem o queijo. Quero a fome.

Maria Sanz Martins

*NOta: esta crônica foi publicada domingo passado na Revista.AG do Jornal A Gazeta de Vitória, ES.



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