SaLTo aLTo

Dia desses, conversando com uma amiga, ouvi aquela frase antiga: “Tsc, ah, prefiro ficar sozinha que ter um namorado que não seja assim, assim, assim, assado”.
Sim, amiga, então esteja mesmo preparada para a primeira alternativa.
Esse homem ideal, ou o príncipe encantado com tu-do que você queria, é pura fantasia. Poxa, não adianta ficar pensando só no que o outro pode fazer pela sua felicidade – (eu + eu + eu é equação da primeira infância; relacionamento + reciprocidade é a matemática na maturidade).
Nossas avós certamente desejaram (mas com certeza não esperavam) que seus maridos fossem cem por cento compreensivos; dedicados, atenciosos, delicados, divertidos, sensuais e o mais bonito, entre todos do baile. Elas já sabiam, porque foram preparadas para a fatídica realidade: casamento, ou relacionamento, envolve problemas de saúde, envelhecimento, tédio, manias, crises, problemas financeiros, problemas com as crianças, com a sogra e por aí afora. Mas essa nossa geração não quer, ou não se dispõe, a aceitar nada menos que perfeição.
Mulheres jovens, independentes, bem nascidas e bem criadas, que moram sozinhas, viajam o mundo, trabalham, fazem academia, massagem, ioga, terapia, são cheias de amigas, estudam francês (ufa) - e, de quebra, ainda arrebentam na cozinha, têm a secreta certeza de que estão por cima da carne seca; que são a última empada da padaria; ou a rainha da cocada preta – e não se dão conta de que esta postura de “Mulher Maravilha’ é uma bela de uma fria.
De que adianta seguir procurando um “Super Homem” que se encaixe em seus planos, se na vida real isso equivale literalmente a estar sonhando. Essa história de se achar ultra-especial, mega-espetacular é embarcar numa ego-trip para beeem longe da possibilidade de uma felicidade romântica.
Eu sei, nossa geração já nasceu com o verniz do feminismo, com o desejo de ser independente e com a auto-estima super fortalecida, mas quanto mais a gente se coloca “acima”, mais nos tornamos críticas, exigentes e chatinhas.
Como juízas olímpicas, somos mestres em deduzir pontos. Não sabe quem foi Jackson Pollack?! (menos um ponto); gosta de pagode?! (menos dois pontos); mistura uísque com Guaraná?! (menos quatro pontos).
- Insuportáveis! (É isso que somos).
Ah, por que ao invés de subtrair não somamos pontos? Um para cada vez que ele nos fizer sorrir, três para cada gentileza e cinco para cada elogio a nossa inebriante beleza?
É fato: o excesso de exigência deixa tudo embaçado. Ora, enquanto estamos checando atentamente os itens da lista, perdemos de vista o brilho veloz da rara purpurina do encanto. - Ou até mesmo a possibilidade de perceber um Clark Kent bem na nossa frente! Como se sabe, amiga, até o “Super Homem” anda disfarçado.
Paixão, amor de verdade, namoro, casamento, família, final feliz… – nada disso dá em galho, ao contrário, requer paciência, doação e cuidado.
Geralmente é preciso descer do salto alto, abaixar a guarda, abrir o espírito e o sorriso.
(Tsc, aí o resto é com o destino).
Maria Sanz Martins