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Arquivo de Agosto, 2010

30 de Agosto de 2010 - 21:51

(C)oração dos moços - por José de Figueiredo


Aí que dia desses recebi um o e-mail do leitor Luecio, que dizia assim:

Prezada Maria Sanz,

Este texto, espetacularmente escrito pelo Jose de Figueiredo Costa, na dácada de 90 (acho), em A Gazeta, é tão bom quanto atual. Deve ter uns 20 anos que eu o tenho guardado. Seria muito bacana se você conseguisse a data em que foi publicado.
Tenho a impressão que o José de Figueiredo já não está entre nós. Caso afirmativo, gostaria que você o republicasse em memória do mesmo e atendendo a meu pedido, pela qualidade da obra. Por sinal, ao relê-lo parece que você o escreveu. Pode crer. Você tem a mesma veia poética que o José.

Abraço de seu fã, Luecio.

*eu, é claro, não poderia ter me sentido mais envaidecida com a comparação, porque o texto é porreta mesmo!
- Aí vai então:

(C)oração dos moços

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Não pretendo ser um desmancha-prazer, mas lamento revelar que a juventude passa com a rapidez de um corisco: acende, risca de luz, eletriza, explode e logo depois se encolhe em silêncio no meio de nuvens cinza. Do surgir da barba a primeira dor no joelho é um pulo. Quando você menos espera está à frente de um médico que lhe decreta carnes magras e exercícios matinais.

Os moços devem, por isso, viver integralmente sua furtiva juventude. Que não percam um raio de verão, não fujam do sol, tórrido que seja, pois em breve lhes dirão que o calor resseca a pele e provoca insolação. E que comam, e comam muito, com sal farto e muita manteiga. Em meu obséquio, por favor, rogo que erijam sanduíches de três ou quatro pavimentos, ovos e bacon, queijo derretido ao longo das bordas da pirâmide. Comam também ao deitar porque, daqui a pouco, se você por acaso perpetrar essa ousadia suicida, caminhará direto à UTI, tangido por um ataque de sonambulismo. E namorem. Não economizem nesse item. Tenham namoradinhas (os) na Faculdade, freqüentem a (o) vizinha (o), alimentem todos os casos possíveis.

Antigamente, as pessoas davam tiros e mais tiros, sopapos e mais sopapos, consumiam toneladas de venenos e morriam de profundos desgostos a mais leve saliência na fronte. Ouvi dizer, mas nem acredito muito, aqui pra nós, que há hoje quem ostente adornos até com alguma galhardia. Quando construírem relações definitivas, aí sim, sejamos sensatos, limpem a própria e preservem a testa do parceiro.

Outra coisa: vão com calma com essas histórias de inimizades. Você, moço, às vezes jura que odeia alguém e depois verá que tudo não passou de uma tola emoção fugaz originada em uma situação do momento. Quantas mágoas cevadas inutilmente!… A propósito, estão vindo à minha memória as indisposições que tão ardorosamente nutrimos, eu e uma senhora hoje entrincheirada, com dignidade por sinal, nos píncaros do oficialismo. Minhas malquerenças se dissiparam, e quando nos defrontamos, nos saudamos com uma efusão tão alegremente liberada que eu até dou uma meia-olhadinha de lado para o seu digno consorte, receoso de que ele ofereça uma interpretação equivocada ao meu casto entusiasmo.

Não se aterrorizem com idéias e pecado. Deus a mim me parece bem mais tolerante que muitos de seus ditos representantes. Quando moço, penei com histórias de satanás e outras ameaças. E como eram insignificantes os meus pecados! Revendo-os hoje, fico convencido de que no colégio religioso em que estudei, ao meio de minhas pias confissões, o padre, tocado por humanos pecados fatalmente mais pesados que os meus, devia por certo ter ímpetos de me propor a troca de lado no confessionário: - Vem cá menino, que eu vou pra aí. Os meus são bem mais cabeludos. Uma babaquice que alguns moços cometem é pensar em doenças. A juventude é imune à maior parte delas. Se você sentir uma coisinha no peito, será fruto de uma paixão amorosa. Uns tropeços na batida do coração, esteja certo de que é a nota baixa em Matemática.

Não gaste suas energias com problemas inexistentes. E esses defeitozinhos tolos?!… Um dentinho saliente, um dedo torto, uma gordura a mais, uma pequena gagueira, uma perna fina. Essas bobagens que costumam azucrinar alguns jovens, às vezes são um charme. O tímido, coitado, que se corrói com sua timidez, ele nem avalia a atração que seus mistérios solitários provocam.

Ah… E um estrabismozinho bem dosado?!… Eu tinha um amigo alucinado pelas dentuças. A realidade é assim. A realidade é que é incerta, inobjetiva. A realidade é que é torta. Não se conformem, moços, com as coisas estabelecidas. Juventude é rebeldia. Mas, por favor, não elejam líderes e idéias absolutos, totais, acabados, completos. Questionem as pessoas e os conceitos.

O tempo tem a inflexível mania de despir gurus e derruir verdades solenes. A moderação e o equilíbrio é que nunca envelhecem. Não fiquem cegos diante de uma doutrinação, não absorvam as páginas amarelas de Veja, nem os teóricos da moda, nem esta crônica, nem os artigos dos cadernos dois como quem engole um pudim de leite condensado. Já vi mil conceitos e pensamentos e outras tantas reputações zunirem como flecha, embicando rumo ao alto e caírem logo ali. Finalmente, porque tenho que parar por aqui, não dêem à virtude da coerência uma conotação patológica, obsessiva, extremada, a ponto dessa fixação cega denotar alguma impermeabilidade intelectual. Somos humanos e devemos ser todos dignos, mas não somos sistemas cibernéticos.

José de Figueiredo Costa - A Gazeta - década de 1990.



comentários (7)  
25 de Agosto de 2010 - 20:25

chiclé-music


*essa semana, não me saem da cabeça..

enjoy!



Comments Off  
19 de Agosto de 2010 - 21:05

I believe too.


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maria



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