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Arquivo de Outubro, 2010

27 de Outubro de 2010 - 21:25

fishEye


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16 de Outubro de 2010 - 7:59

Outras Muralhas


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*Na manhã de 13 de agosto de 1961, a população de Berlim acordou com um barulho estranho. Era um inusitado movimento de milicianos da Alemanha Comunista que trabalhavam rapidamente para estender de fora a fora um interminável rolo de arame farpado. O arame, que se alongou por dezenas de quilômetros dentro da zona residencial da cidade, foi em seguida transformado num muro concretado. Aquela muralha foi considerada uma fronteira ideológica entre o presente e o passado - ou, o símbolo maior de uma guerra “pacífica”, apelidada de “fria”.

Toda ruptura é vertiginosa, sobretudo quando ela divide uma unidade feliz. Ou quando separa duas pessoas que se amando sinceramente, um dia abriram os braços e fizeram um país.

Durante anos eles dividiram a mesma geladeira, a mesma cama, às vezes a mesma toalha e, quase sempre, a sobremesa. Namorados, mãos dadas, beijos demorados, cumplicidades delicadas, festas particulares e cama de canga estendida na areia da praia. Depois, no apartamento pago a prazo, pés encostados, supermercado aos sábados, a eterna disputa pela marca do requeijão e, aos domingos, o cochilo salgado no sofá, ao som de Faustão. Mais tarde, olhares afastados, palavras atravessadas, dispensa abarrotada de pequenas mágoas, corpos abandonados pelo coração - virados de costas no colchão.

E assim, de repente, da noite para o dia, sem aviso de chegada, uma conversa esparrama sobre o edredom a fatídica conclusão:

- Por que se amaram de verdade, não aceitariam amar-se daquela outra maneira (branda, conformada, corriqueira). De comum acordo, então, estendem o farpado arame do desencanto. - Uma muralha estava em construção.

Tempos frios. Militância muda. Guerra desarmada. Sem tragédia, sem escândalo, sem tumulto, nem discussão. Era somente uma medida de distância. Separação.

Poucos entenderam. Muitos especularam. Teorias foram levantadas, acusações discretamente pleiteadas. Injustiças foram feitas e os fatos meticulosamente analisados. Mas só eles, que por longas madrugadas presenciaram tijolos sendo cimentados, conhecem a dor daquela morte sem violência. Só eles presenciaram a absoluta ausência de uma razão que jazesse no chão para ser chorada. Só eles sabiam que não se tratava de sucesso ou fracasso. Só neles o calafrio imposto pelo concreto gelado.

Nunca mais os pés encostados, nunca mais o mesmo carrinho de supermercado. Nunca mais o sabonete dela decorado com o fio de cabelo do peito dele; nunca mais a gilete dele com resquícios das penugens dela. Nunca mais o chaveiro de abridor de garrafa pendurado na porta. Nunca mais na pia do banheiro, os batons cor de rosa. Nunca mais o travesseiro com cheiro de maçã. Nunca mais a prancha de surfe atrás da porta. Nunca mais o beijo de despedida nas manhãs.

Ex-amigos, ex-amantes, ex-felizes-parceiros - herdeiros de uma desmesurada ternura e de um país partido ao meio.
Nunca mais se encontraram, apesar de viverem no mesmo bairro. Amigos em comum evitam comentários. Objetos e fotos, que testemunharam a antiga felicidade, habitam agora as gavetas e armários. São acidentes esporádicos, golpes nostálgicos que ecoam no muro que ficou – e que agora está decorado com novos retratos, para disfarçar o chumbo da cor.

Silêncio. Acabou.

A guerra cria a paz do mesmo modo com que o ódio cria o amor.

Maria Sanz Martins



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7 de Outubro de 2010 - 14:44

alphalove


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