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Arquivo de Fevereiro, 2011

9 de Fevereiro de 2011 - 10:02

Não morra por ela


Há poucos dias recebi um vídeo anexado ao e-mail de um leitor da coluna da Revista.AG, que mexeu comigo…

Maria, sua crônica da AG de 30/01 - “Não morra por ela” me fez lembrar esta propaganda que chama todos para um dia de paz e sorriso no trânsito (…)“.
*Na verdade, confesso que adorei a idéia e deu a maior vontade de provocar por aqui também esse agito.

- Leia a crônica, assista ao vídeo!
Maria, com carinho.

::Não morra por ela::

No passado, quando alguém perdia um trem era preciso esperar dois ou três dias pelo próximo. Hoje, a gente se sente frustrado, fica irritado e mal humorado até quando perde o elevador!

(- Estamos com tanta pressa de quê? Pô!)

Tomamos vacinas, remédios, suplementos e vitaminas. Freqüentamos o terapeuta e a academia. Cuidamos da alimentação, da pele, dos cabelos e, vira e mexe, nos sacrificamos numa dietinha. Trancamos as portas de casa e do carro, evitamos os bairros afastados e contratamos vigilância para a portaria. Nos precavemos do mal como podemos, mas de que adianta ser como o velho rei Mitridates (imune a todos os venenos), se com uma tijolada na cabeça, ou um acidente de carro, o assunto se resolve num segundo?

Antes a pressa fosse inimiga só da perfeição… Porque, na prática, todo mundo sabe que ela é a arque rival da vida. Ora, no dia a dia a gente se esquece que o automóvel é, para além de um meio de locomoção, uma máquina perigosíssima - uma verdadeira arma de autodestruição.

Eu, que morro de medo de pegar a estrada e não sou nada chegada à alta velocidade; que suo frio para fazer algumas ultrapassagens e rezo todos os dias quando entro no carro, antes de sair da garagem. – (Tsc, lendo isto você pode estar achando que eu sou a baita meia-roda e que meus pára-choques vivem amassados. Mas, quero deixar claro: está enganado. Aprendi a dirigir cedo e dirijo bem! Faço baliza fácil e nunca bati em ninguém) – então, como ía dizendo, eu mesma, que tenho um baita respeito pelo trânsito (e digo que me garanto), vacilo direto em nome da pressa.

Dirigindo, eu muitas vezes me transformo num “mano”. Perco a paciência, grito sozinha, xingo, me zango. Mas não estou sozinha nessa! Mesmo porque o trânsito da nossa cidade está parecendo mesmo um campo de guerra. - Não que sirva de justificativa dizer que se adaptar é a única saída, mas a verdade é que ao volante, estamos sim, apressados demais, impacientes demais e mal educados a beça.

Além disso, nos julgamos seres supersônicos. Só pode! Porque falamos no celular e, no caso do iPhone, conferimos também a meteorologia, o e-mail e a astrologia; penteamos o cabelo, retocamos a maquiagem, trocamos o cd, ajustamos a rádio e o pior, e mais absurdo: digitamos e enviamos mensagens de texto pelo telefone! Tudo isso dirigindo com apenas uma das mãos (e um bocado de desatenção).

*Para alarmar, uns dados: você sabia que o risco de acidente aumenta em 30% quando se dirige falando ao celular? E em 2300% quando se digita uma mensagem de texto? Que discar um número demora 5 segundos (o que pode equivaler a 140 metros percorridos em desatenção)? E que conversar ao celular causa perda de concentração equivalente ao consumo de 3 copos de cerveja?

Pensando bem, no trânsito não somos supersônicos. Somos um bando de frenéticos ladeados por carros também pilotados por pessoas neste estado – (quero dizer, muito, mas muito apressados).

Ah, a danada da pressa… Ficamos cegos e burros quando embriagados por ela.
De repente, achamos que nada é tão importante quanto chegar lá (onde?) naquele exato instante. E assim, nem imaginamos que na vida real, quando se aproxima o instante em que vai acontecer de fato um acidente, não toca (como nos filmes de ação) aquela música de suspense.

- Óbvio que não.
A coisa acontece de repente, exatamente quando você está irritado e “atrasado” para o supermercado (!) – para a reunião, cinema ou trabalho. Não importa. O caso é que a fatalidade não escolhe hora. Ela fica na espreita, esperando você dar mole.

Ora, convenhamos: viver mal humorado, pisando fundo, furando sinal, falando no telefone e encarando toda rotatória como um campeonato, não é só dar mole. É convidar a fatalidade para um longo abraço.

- Então, vai morrer de pressa pra quê brother?

Maria Sanz Martins

*pense nisso!



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