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Arquivo de Julho, 2012

27 de Julho de 2012 - 9:52

Lançamento :: Rio de Janeiro


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É com muita alegria que convido a todos para o lançamento do meu primeiro livro de crônicas “A vida secreta da gente”
no dia 17 de Agosto, às 19:00, na Livraria da Travessa de Ipanema, no RJ.

Te espero!
Um beijo,

Maria



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24 de Julho de 2012 - 19:16

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24 de Julho de 2012 - 18:06

Mundo-divã (ou, Louca nada!)


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“Na loucura devemos reconhecer a liberdade negativa de uma fala que renunciou a se fazer reconhecer”
Jaques Lacan – Discurso de Roma, 1953.

(Complicado né? Calma, você vai entender).

Não que seja novidade, mas não custa lembrar ao leitor novato que a colunista que vos fala sofre de existencialismo crônico e nato.

Tenho a cabeça inquieta. Quero saber. Saber de mim, de você; dos poréns e dos porquês. E falo. Falo pelos cotovelos e, de quebra, ainda escrevo. Como se sabe, meus pensamentos, não são lá muito privados… Divido com o mundo meu espanto, meu deslumbramento, meu entusiasmo e meu desespero. Acho normal, por exemplo, na saída para a caminhada, partilhar uma angústia repentina com o porteiro. Assim, como quem oferece do pacote, um biscoito de recheio.

Normal. O que apodrece é o que fica preso. Por isso vivo meio que sem tampa, deixando o caldo evaporar, exalando tempero e interagindo com o meio. Falo para me curar.

Não sei você, mas há sempre uma lacuna entre o que sinto e o que vejo. Sempre um buraco a ser preenchido. Sempre um ponto subjetivo. E no meu caso, são as palavras que dão conta do serviço.

A auto-sabotagem, por exemplo, é um assunto recorrente – você sabe, aquilo de perder a hora, de comer demais, de pisar na bola ou qualquer outra atitude discretamente nociva e própria. Pois então, sempre que apronto uma dessas comigo, falo e resmungo no divã do analista (e do mundo) até que o erro faça algum sentindo.

A auto-sabotagem me irrita! Me leva ao combate, ao questionamento e à fala, consequentemente. Investigo, quero saber. Como é possível sentir ciúme de si? Como posso desejar os objetos que renego? Como posso carregar uma rival em mim?

Na teoria, a conspiração contra si, fica mais ou menos assim:
Se partirmos do princípio de que o conhecimento é da ordem da visão. E que, portanto, conhecer tanto não é a verdade, quanto não é um saber – conhecer é meramente enxergar, é ter luz chagando aos olhos (do espírito), é ver. Então, quando me enxergo me alieno. Estou lá, sou aquela no espelho, aquela no outro que desejo, aquela nos olhos alheios.
Mas não sou eu ao mesmo tempo! Porque ela, aquela imagem (especulativa) é registrada fora de mim. Pertence ao mundo externo, é retrato, objeto. Aquela que me copia no reflexo me exclui de mim…

(E é para me salvar dela, que falo e escrevo, enfim.)

– Louca?

Louca nada! Louca eu seria se não fosse assim. Porque você sabia que “na relação entre a linguagem e a fala, a linguagem figura como o discurso constituído pela cultura, e a fala como o discurso concreto de um homem”? Então, na loucura, o sujeito está na linguagem, mas não fala! Ou seja, louco é aquele que nem tenta se reconhecer. Louco é aquele que sequer imagina a vida como ela poderia ser.

Aliás, ignorar a si mesmo, tem sido facílimo. Já que de um século para cá, o trabalho e o lazer ocultaram o sentido da existência, deixando o homem acomodado neste lugar que não interroga, que não quer saber e vive à reboque, sem seus porquês.

De tão tecnológico, tão capitalista e tão pautado pela mídia, o mundo tem cobrado preocupações meramente técnico-políticas… Auto-preservação, auto-promoção, auto-controle e rendimentos cifrados. Ora, não é de se estranhar que a humanidade esteja, literalmente, vivendo no automático.

E é por isso que os loucos de verdade estão por aí, serenos e calmamente disfarçados de sábios, assumindo chefias, governos e altos cargos. Enquanto nós, os que questionam o mundo e desafiam as próprias faltas em voz alta, somos os lunáticos…

Fazer o quê?
Eu que não me remendo – mesmo desconfiando que o porteiro tem até um pouco de medo de mim…
Sei que enquanto eu oferecer meus recheios em biscoitos, a vida há de me sorrir.

Maria Sanz Martins

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Illustrator - ROBY DWi ANTONO
Yogyakarta, Indonesia
(vai lá, é lindo!) lobilob.blogspot.com
Drawing, Illustration, Painting
KiNCY`S STORY

– Porque serve criar, falar, desenhar. Tanto faz.

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