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Arquivo de Janeiro, 2014

6 de Janeiro de 2014 - 10:51

Aos corações


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Há pouco recebi um emocionante e-mail. Era o relato de uma jovem sobre o prematuro termino de seu namoro. (Ah, tantas coisas eu gostaria de poder dizer…). Também não há muito tempo recebi o convite de casamento de uma prima querida. (De novo, com ela, tantas coisas eu também dividiria…). E ontem mesmo entrou na minha caixa de torpedos o desabafo de uma amiga que descobriu estar grávida e anda se sentindo um pouco perdida. (Outra vez, quantas coisas eu não a diria…).

Como consultora emocional de meia-tigela que sou, para todas elas, eu sacaria da manga do jaleco uma porção de questões e pensamentos a serem discutidos. Mas isso não é possível. Primeiro, o que é mais triste: nem elas, nem eu temos tempo para isso… Segundo, não é bem disso que nenhuma delas precisa.

Pra dizer a verdade, raramente alguém precisa aconselhamento sentimental-amoroso-financeiro. Ora, todo mundo sabe que para as coisas que a gente quer mesmo, dá-se um jeito. E para as que não queremos tanto assim, inventamos uma boa desculpa e escapulimos.

O que o coração delas (o meu e o seu) está suplicando, há tempos e de joelhos, é mais ingênua, simples e óbvia de todas as coisas:

Amor. (Tempo. Carinho. Paciência. Ou seja lá o que para você possa significar amor).

Se reparar, temos andado meio sem sentido… Um tanto perdidos entre as infinitas tarefas que nos acometem e as insistentes possibilidades das redes (sociais) – tão constantes e quase sempre irrelevantes. Fazendo isso pensando naquilo, ou mergulhados na tela do smartphone. À deriva da própria vida. Ausentes. Profundamente rasos. Deixando de nos olhar nos olhos (mas sempre sorrindo para a foto). Sem perceber, estamos fazendo escolhas sem glúten e laços de papel crepom. Estamos auto-programados para o sucesso, sem sequer saber o que é isso ao certo.

Dia desses, numa confraternização de natal (reparou como andamos programadamente festivos?), me perguntaram que lição eu havia tomado no ano que se passou. (Sério?). Solenemente, me pus de pé (era uma rodada de pessoas importantes, que na verdade conheço pouco. E quase todas já haviam respondido a questão. Por isso, entre tentar ser sabida e não parecer louca, dei voz ao que me veio à boca). E do alto dos meus 33 anos, disse assim: “definitivamente, este ano eu aprendi que nada, mas nada mesmo dá certo (como eu espero), sem amor.

(Rá, quanta ingenuidade! Alguém não disse, mas pensou).

Amor na realização das pequenas coisas. No serviço de casa, no trabalho, na criação do meu filho, na relação com meus amigos, nos cuidados comigo. Amor…

Mas pode chamar de tempo, de respeito, de cuidado, de atenção, de zelo, de tesão, de dedicação, do que for! Como nunca antes, ficou claro que fazer por fazer, fazer para dizer, fazer só pelo dinheiro, ou fazer sem querer, dá no mesmo. Porque o Universo não sabe ficar prenho de desejos de celofane, nem de isopor. É preciso ter corpo e alma presentes em cada instante. Ter o coração pulsando até para escolher sua espiga na panela de milho. Ter verdade em cada palavra dita a um filho. Colocar coração para entender as entrelinhas do refrão. Guardar a câmera do telefone na bolsa e nos darmos as mãos.

Desejo ter condição de estar no presente. Passo a passo. Sem economia de distância entre os pontos, percorrê-los. Por que não? Voltar a desenhar sentada no chão; visitar minhas avós; me alongar. Ser e estar em cada lugar. Me envolver e abraçar a amiga que precisa de um carinho; sair para conversar com a prima que vai se casar; ler com emoção (pela centésima vez) “os três porquinhos” para o meu filho.

Desejo ao meu e ao seu coração, tempo. Tato. Sem análise de certo e errado. Ser. Sem preconceitos, nem prejuízos. Amar (nem que seja só um pouquinho) o que quer que seja aquilo que iremos fazer.

Finalmente, aos corações amigos, jovens, antigos, contemporâneos, capitalistas, sofridos, pusilânimes, sinceros, ativos, românticos ou o que mais o seu possa ser, uma certeza empírica (com hálito de baunilha):

Sine qua non, só o amor.

Maria Sanz Martins



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