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Arquivo de Abril, 2014

23 de Abril de 2014 - 16:05

Making Of // Video // FancyFootwork // 2nd Edition




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16 de Abril de 2014 - 19:56

Vitória Nigthlapse // por Gustavo Martins


Vitória Nightlapse from Gustavo Martins on Vimeo.

(te amo, Vitória!)



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15 de Abril de 2014 - 22:43

Meia porção


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Talvez lúcido seja o sujeito que evita enganar a si mesmo. Talvez seja aquele que lida bem com os próprios defeitos. Talvez seja lúcido aquele que prefere a verdade sobre todas as coisas. Talvez seja a pessoa que já abriu mão de toda e qualquer ilusão… Tsc, sei não. Eu, que sou do tipo que acredita até em amor verdadeiro, tenho dificuldade em definir o que seja isso.

Mas arrisco.

Na minha torta percepção, lucidez tem a ver a capacidade de enxergar. Tem a ver com sensibilidade e bom senso. Tem a ver com faro e sexto sentido. Tem a ver com as entrelinhas e com o que os outros querem nos dizer com aquilo que nos foi dito.

Porque, você sabe, as palavras foram feitas para ocultar o que sentimos. “Não deu pra te ligar, fiquei sem bateria” certamente é muito mais prático (e simpático) do que: “eu não queria te ver”. A pessoa lúcida é aquela que alcança o que as palavras, mesmo disfarçadas, querem dizer. Lúcido é, basicamente, aquele que está atento (ao contexto, ao tom, à direção do vento e até ao conteúdo do silêncio).

Palavras… A todo instante as ouvimos, escrevemos, dizemos ou lemos. Precisamos delas para remendar nossos vazios e nossos transbordamentos. Enchemos a cara de significados e bebemos de fontes desconhecidas novas e velhas teorias. Procuramos conforto em coisas que nos expliquem. E basta alguém que se preste à guia, basta uma seta, uma frase bem dita, um livro, ou outro sinal que aponte o caminho, pra já ficarmos atentos.

Mas não sem um detalhe curiosíssimo: nossa lucidez não costuma dar muito ouvido àqueles que nos amam de verdade… Não. Desses, todos desconfiam – porque, 1. parece sempre haver uma segunda (ótima) intenção envolvida; 2. não é fácil se deixar ser ajudado; 3. abominamos o papel do mais fraco; 4. consideramos insuportável ter um semelhante superior bem ao nosso lado. A preferência acaba sendo dada àqueles mais distanciados… Pode ser um pastor, um padre, um vidente, um guru da ioga, um terapeuta, um amigo distante, um chefe sábio, ou qualquer um que julguemos imparciais com relação à nossa vida. Segundo esta lógica, a verdade está nos desinteressados…

Não duvide: o sujeito que se considera lúcido é altamente desconfiado. E anda sempre fazendo conjecturas mirabolantes para explicar o sentido até dos elogios recebidos. Ele luta com armas e dentes contra qualquer possibilidade de se iludir. E sofre. Sofre porque tem dificuldade em se deixar ser amado. Como um guerreiro atrapalhado, afugenta quem possa se candidatar a lhe dar amor, porque duvida que este possa ser um sentimento desinteressado.

Ok. Lucidez talvez seja afinal estar atento ao fato de que sim, existe sempre algum interesse em todas as relações.

Ora, é ou não é interessante ficar junto de alguém que nos trata com carinho, nos cobre de atenção, nos ajuda a tocar a vida e ainda por cima tem o melhor dos beijos? Então! E qual o problema em acreditar que pode ser pra vida inteira? Mesmo sabendo que essa doce cobertura é um glacê de ilusão?

Se for assim então, desejo que nesta vida minha porção de lucidez seja apenas meia.

Que é pra ser atenta aos sinais, sem nunca abrir mão das surpresas.

Maria Sanz Martins



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