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Arquivo de Julho, 2014

13 de Julho de 2014 - 20:13

Sob o signo passional



“Quem acreditou
no amor, no sorriso e na flor,
então sonhou, sonhou,
e perdeu a paz,
o amor, o sorriso e a flor
se transformam depressa demais…”

(Meditação, Tom Jobim e Newton Mendonça)

Realmente, não tem outra explicação.

Em 2002 a Alemanha perdeu a final da Copa para um Brasil, comandado pelo mesmo Felipão. Tregédia. Ironia. Reversão. O Futebol é como a vida. Imprevisível. Inseperarável – esporte doido que entrou nas nossas vidas, e que mesmo nos momentos mais difíceis, não conseguimos deixar de lado.

Somos brasileiros com muito orgulho, com muito amor… É, e quando amamos, o fazemos de um jeito intenso mesmo, quase ilógico.
Há poucos meses, eram manisfetantes tomando as ruas, jurando que não haveria Copa; logo depois, torcedores fanáticos, amando até debaixo d’água. Fazer o quê? Acreditamos no que sentimos no momento. Tsc, pensando bem, talvez se nosso país tivesse um signo, ele fosse pisciano… Olho para o coletivo e o percebo assim, sensível.

Passional. Alegre. Generoso. Dramático. Emotivo. Compassivo. Guerreiro. Obstinado. Carente. Frágil. Artístico.

Eu? Viajando? A reação do escrete brasileiro no jogo das quartas de final, na Copa do Mundo do Brasil, contra a Alemanhã, comprovou isto.

Fomos quase gaiatos. De modo inconsciênte, oferecemos a cebeça num banquete ao adversário como modo de dizer o quão profundamente sentimos perda do grande herói da nossa batalha. Sangramos, uma, duas, três, quatro… Sete vezes. Até jorrar.

Assistir ao segundo tempo daquela partida foi uma demonstração do que possa ser uma sessção de tortura. Alemã. E ainda agora, é doído escrever, catando caco por caco. Tentando entender, ou de algum modo, recuperar.

Passa tempo. Passa! Me ajuda a esqucer ou me dá logo um abraço? Me aperta, que é pra me misturar de vez na dor de um país inteiro. Avô, pai, filho, irmão, pai do filho, irmãs, vizinhos, parceiros, conhecidos, amigos. Brasileiros.

Dói. Feio. Ferida feita à punhal. Pesadelo.

Perdemos a disputa: técnica x emoção; preparo x fé ; competência x paixão; frieza x tesão (…Irressistível sensação).

De um lado o olhar gélido, anglo-saxônico, competente, cartesiano, frio, realista. Bem lapidados para sofrer a pressão de serem excelentes. Criados com aveia, achocolatado, nozes e alcaparras. Treinados para apreender, esquematizar, mirar e executar.

Já nós… Nosso olhar tem acima de tudo emoção. Somos um povo dado. Tropicalizados, encaracolados, malandros, jeitosos, arrebitados, gingados, tinhosos, dengosos, herdeiros de Tiêta – êta, povo gostoso danado! Cedemos às paixões mesmo. Odiamos, depois amamos. Cedemos. Nos abrimos e nos entregamos diante do que nos faça delirar. E não é só pelo dinheiro – antes fosse. – É pela possibilidade de sonhar.

Como o garoto que cresceu correndo descalço na falvela e virou ouro no campo de jogar bola não vai se emocionar? Como é que ele não vai se arrepiar inteiro ouvindo 30 mil pessoas gritando seu nome? Como é que não vai voar? Como não gozar cada milímetro da possibilidade de ser o maior de todos? …E como não sentir desta mesma maneira a perda? Como não se abater com o golpe que nos levou o garoto que era o nome do jogo? Como seguir ileso no campo de guerra?

Humanos por demais, é o que somos.

Filho de uma pátria amada nos dias de glória e de festa. Mas, completamente desestruturada e frágil para suportar o real da sociedade.

Infelizmente, essa mãe pouco gentil, não nos ensinou orgulho maior que o futebol. E agora que o sonho acabou (mal), não há outra alternativa que não a realidade. Realmente… Não merecemos este assitencialismo, arquiinimigo da meritocracia e da evolução. Realmente, não queremos mais circo e pão. Na real? Precisamos acordar.

Sacudir a poeira, secar as lágrimas e encarar a batalha da maior conquista de todos os tempos. A de sermos uma nação feita por cidadão responsáveis, capazes de votar com consciência e habilidade para cobrar e sermos cobrados, em competiencia e seriedade.

Tsc, jamais deixaremos de ser um povo sensível, ou dramático. Este é nosso charme, nosso traço. Mas é preciso dar um basta nesse sentimento inseguro, de filho bastardo. É hora! Clamemos juntos, nas urnas, por uma verdadeira vitória.

Maria Sanz Martins



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