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31 de Outubro de 2016 - 13:21

**CRôNiCA** - Do horário de verão


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– Que horas são?
– Você quer dizer agora?

Amor de verão, sol de verão, festa de verão, biquíni de verão, drink de verão, short de verão, amizade de verão, temporada de verão, música de verão, casa de verão, coração de verão… Percebe? Tudo fica mais… Gostoso. E calmo, e colorido, e leve, quando o sufixo é “de verão”. (Pode fazer um teste. Até a versão do nosso nome próprio ganha outra conotação).

Calmosa. É como fico quando a lei muda a hora para esticar o reinado do maior de todos os astros – amo. As folhas crocantes pelo chão ficam mais gostosas de pisar; a tarde desfila, se esticando toda clara e preguiçosa, gostosa de sentir passar; o tempo morno, o vento manso, parquinho da escola, carrinho de pipoca, pedalar pela orla, tanta vida, tanta gente (gostosa).

Dezoito em ponto: vestido florido, decote no seio, cabelo molhado, chinelo de dedo. A cidade é uma praça de encontros. Às claras, com maleáveis roteiros, vamos. Água de coco, chopp, caranguejo. Amigos, velhos parceiros, novos conhecidos, “happy hour” verdadeiro. Mesa na calçada, contos fiados, novos causos, “ai, que calor”, “vê mais uma, por favor”? – Gostosamente o tempo vai passando e o garçom vem chegando.

Perceba, essa é a melhor fase que há. Ora, depois, quando o verão se instalar, já era calmosidade. Pressão! Casa de praia, compras de praia, viagem, estrada lotada, férias da criançada, apartamento alugado, casa emprestada, hotel na Bahia, areia na sala, “cozinha mais feijão!”, biquíni no box, Neutrox, repelente, citronela, protetor solar, toalha molhada no sofá da sala, “quem foi?” – eu não!

Gostoso mesmo é esse momento antes da festa… A espera. Inauguração do novo “horário de verão”. Tempo de ordem semiaberta. Menos pressa. “Calma, já é quase fim do ano”. Espera. “Ano que vem a gente começa”. Tempo de escolher e cuidadosamente descascar a laranja, para depois chupar suas bandas sentada na calçada, vendo a molecada brincar. Tempo de ir nadar depois do trabalho. Tempo de limpar o quintal e fazer à toa um churrasco. Tempo de suco de goiaba e de cajá.

É como estou dizendo… Tempo de aproveitar – tsc, não demora é Natal. Pisca-pisca na varanda, guirlanda na porta, caixinha na portaria, Papai Noel no helicóptero, lista de compras, compras de novo, a ceia, a árvore, os enfeites, os convidados, o almoço, os presentes, os compromissos, as cestas, o décimo terceiro, o Panetone, os funcionários, os porteiros, os agregados, a festa da firma, a festa da academia, a festa das primas, a festa das amigas, a festa da família, os jingles, as ofertas e o especial do Roberto Carlos com Anita (ou Ludmila, não sabemos ainda).

Ah, gostosa é essa hora clara (agora) em que o contraste do tempo ainda se sente. Em que sete da noite tem cheiro de cinco da tarde. Gostoso é sentir que ganhamos mais tempo de presente (pra chupar laranja, catar conchinha na areia, ou fazer qualquer outra coisa que no horário tradicional, do mundo-real-caótico, pareceria perda de tempo).

Enfim, amo o horário de verão! Confesso. Mas sinceramente não desejaria que ele fosse assim pra sempre. Ora, se acaso o fosse, nem o sufixo, nem o tempo seriam assim tão deliciosa e nitidamente diferentes.

Maria Sanz Martins



comentários (0)  
31 de Março de 2016 - 23:40

Sujeita // crônica //#03




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29 de Março de 2016 - 18:03

Quem não se perde não sabe se dar // crônica #2




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